30 de dez de 2017

AMAR EM SILÊNCIO


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Hoje eu quero lhe falar, sem nem mesmo abrir minha boca
Quero mostrar-lhe com gestos, o quanto eu te amo
Por que palavras costumam cair no vazio
Gestos marcam muito mais do que letras soltas ao vento

Hoje eu quero te possuir em silêncio
Abraçar-te e beijar tua boca sem nada dizer
Deixar minha paixão te envolver com mansidão
Apenas sentindo o prazer me envolver por inteiro

Hoje o mistério do silêncio vai inundar o nosso quarto
Nada vai ser ouvido, a não ser as batidas dos nossos corações
Toda vez que nos tocarmos, mais fortes pulsarão
E harmoniosamente, nossas almas em sintonia falarão

Não precisaremos nada dizer
Apenas deixaremos a paixão e a ternura nos conduzirem
Então, nossos corpos gritarão de prazer
Este momento nenhuma palavra será capaz de descrever

Então restará somente o eco do amor
Batendo nas paredes, querendo sair pelas janelas
Então dois amantes mudos de felicidade
Exaustos e saciados de prazer, terão muita coisa para dizer 


19 de nov de 2017

PRECONCEITO, CONTRA QUEM?


PUBLIQUEI ESSE TEXTO EM 2005 NO USINA DE LETRAS.                

Cortadores de cana, ou Escravos?

Trabalhadores ou Escravos?






Tive que tomar emprestado o texto Escravos do Nosso Tempo, para mostrar que o preconceito que insistimos dizer não existir, está enraizado em todas as camadas da sociedade brasileira; mas não é somente contra os negros, e sim contra os pobres.
Seria até mais justo dizer que não é um preconceito racial, mas um preconceito de miséria. Todos os pobres e miseráveis sofrem na carne e na alma, o abandono das elites, dos vizinhos e amigos que só aparecem na hora da desgraça, esquecendo que o dia a dia de quem é marginalizado é mais agonizante que um câncer. O mais doloroso é existir o preconceito de pobre contra pobre, daquele que gosta de puxar saco de rico, de político, e do patrão, mesmo que para isso tenha que passar por cima do próprio irmão.
Eu preciso falar dos cem anos da abolição, mas por mais que procure não consigo entender o que foi abolido. Será que querem que eu fale sobre a libertação dos negros? Eu poderia conversar com algum preto velho, que viveu ou ouviu seus pais e avós falarem sobre a degradação a qual foram submetidos nas garras dos senhores de engenho. Poderia abrir um livro que me mostraria em detalhes os sofrimentos destes nossos irmãos nas garras dos que se julgavam donos da terra e senhores da vida.
Seria muito fácil! Nunca acreditei que somente os “negros” foram escravos, sei que pessoas foram arrancadas de suas pátrias e escravizadas, simplesmente porque eram pobres e viviam na miséria, se fossem brancas, mestiças ou amarelas teriam vindo do mesmo jeito. Não foram escravizadas pela cor, mais pela condição degradante que os seus governantes lhes impunham, e que até hoje pouca coisa mudouComo foram os negros os escravos que vieram construir nosso país, até hoje alguns idiotas cultuam preconceitos contra esta raça que muito nos ensinou, e que escreveu com o próprio sangue o seu nome nas páginas da nossa história. Conversei com um preto assalariado, pai de muitos filhos, mora em um barraco de favela e continua mais escravo do que os negros amarrados no pelourinho. A diferença é que do lado dele moram muitos brancos, também escravos do sistema. Não abri nenhum livro, abri o jornal e li em detalhes o que todos os escravos estão sofrendo nas garras de um governo “capitão do mato”, e de uma sociedade comprometida apenas com o lucro e o poder. É por isto que cada vez mais me convenço que, salvo algumas exceções, no nosso país não existe preconceito de raça.
O nosso maior e vergonhoso preconceito é contra o pobre.
Cem anos de abolição!
A senzala era um galpão grande e sujo, com portas trancadas e constantemente vigiadas; o barraco da favela é pequeno, suas portas não trancam, porque não é possível fugir da miséria, e mesmo assim, ainda é constantemente vigiado e assaltado pelos marginais ou pela polícia. Nas senzalas a comida era ruim e raramente faltava, hoje as panelas estão vazias e as pessoas passando fome, o alimento é farto, mas salário mínimo não permite que as pessoas se alimentem, o que se perde e o que se joga fora, é uma afronta a Deus e a todos nós que assistimos calados como se fosse tudo muito natural. Nos raros momentos de folga, os negros cantavam a saudade dos parentes e da sua terra, agora não existe motivo para cantar, as pessoas não foram arrancadas de seus lares, a maioria tornou-se escravo na sua própria casa, e dos seus próprios irmãos. 
Os escravos morriam porque a medicina era privilégio dos dominadores. 
Estamos vivendo uma nova forma de escravidão e os privilégios continuam. Os pobres morrem sem assistência médica porque o progresso fez a medicina evoluir apenas para os que podem pagar. Os escravos precisam dormir nas filas mendigando uma consulta, esperar meses para fazer um exame ou simplesmente consultar com um “especialista”.
Antes da abolição as crianças eram “livres” no ventre, hoje milhares são abortadas, e outras tantas perambulam livremente pelas ruas porque não possuem sequer uma senzala para acomodar seus corpinhos cansados.
Seria tão barato construir uma.
Duas...
Três...
O negro velho era livre depois dos sessenta anos, agora velhos, de todas as raças e de todos os credos, estão abandonados nas ruas, ou jogados em asilos, condenados a serem para sempre os escravos da solidão.
 Quantos conseguirão trabalhar até os sessenta e cinco anos, para se aposentar com o miserável salário mínimo?
No quilombo dos Palmares, o líder Zumbi deu a própria vida para acolher e defender seus irmãos, agora os escravos do sistema andam sem rumo como verdadeiros zumbis. Os nossos líderes, na sua maioria, defendem apenas seus interesses para não perderam os altos salários, lutam somente para manter o poder e subjugar os escravos que os sustentam.
Cem anos da Lei Áurea. Que tinha tudo para brilhar.
Cem anos que a palavra “escravo” deixou de ser privilégio dos negros, e passou a pertencer a todos que são marginalizados, e explorados por empresários e políticos ladrões, acobertados por uma sociedade elitista e perversa.
Realmente os negros têm motivo para comemorar esta data, a partir da abolição igualaram-se a todas as raças, os ricos continuaram livres, os pobres continuaram escravos, como a maioria dos miseráveis de qualquer lugar do mundo.

É claro que esta data é motivo de comemoração, mas deveria ser além de tudo, motivo para uma reflexão mais profunda sobre da degradação da vida na terra, para buscarmos novos rumos para os ESCRAVOS DO NOSSO TEMPO.

7 de nov de 2017

UAI SETE, UMA FILIAL DO INFERNO





Hoje, 07 de novembro de 2017, fiquei com mais vergonha de ser brasileiro, e principalmente de ser betinense. Parece que uma força maior queria que eu estivesse ali para denunciar e mostrar o calvário dos pobres em busca de um alivio para suas dores. De manhã, fui à UAI-7 procurar uma pessoa que segundo informação, teria sido hospitalizada nesta cópia fiel dos locais de tortura do holocausto. Não a encontrei, mas fiquei abismado com o tamanho do descaso e desumanidade dos administradores que tratam o ser humano como lixo. e do abandono das pessoas que imploram por socorro. Desumanidade que mata pessoas inocentes, e colocam profissionais comprometidos com a vida a serem obrigados a assistir a morte ceifando vidas que poderiam ser salvas, se a unidade não estivesse jogada às traças, com suas prateleiras de materiais e medicamentos vazias de tudo.
Um funcionário me disse: “Olha, Sr. Geraldo, se você pensa que em 2003/2004, quando trabalhou no hospital, a coisa era ruim, multiplique por mil, agora está insuportável, constantemente assistimos a morte de pessoas por falta de medicamento. 
Conversando com um usuário, o mesmo disse que havia chegado às 05:00 da manhã sentindo muita falta de ar, eram 10:00 e ainda não tinham sequer verificado sua pressão arterial por falta de um simples aparelho que não custa mais do que cem reais.
Um outro usuário sentado na sala espera, chorava copiosamente reclamando de dores fortes no peito e nas costas, para os outros parecia que ele era invisível, eu o conduzi imediatamente para ser medicado, se foi não posso dizer, sinceramente espero que o mesmo não tenha morrido.
 A população também tem sua parcela de culpa neste caos, em todas eleições se elegem políticos que nunca tiveram compromisso com os pobres, principalmente nessa última, onde votaram no candidato bilionário, “porque ele é muito rico e com certeza não irá roubar”. Façam, me o favor, o brasil está nessa merda simplesmente porque os políticos ladrões acumulam milhões e porque a ganancia desses assassinos não tem limite. A insensibilidade das pessoas é tanta, que a maioria só se preocupa com o sucateamento da saúde quando precisa de atendimento para si ou para um parente mais próximo.
Com as pessoas morrendo por falta de medicamento e de material, como é que alguém pode achar viável a construção de um aeroporto para os milionários e políticos da cidade?
Precisamos lutar contra o sistema que oprime os pobres, se não lutarmos contra os políticos e empresários que olham apenas os seus bolsos e para suas contas bancárias, a vida, principalmente dos mais jovens, vai ficar cada vez mais insuportável.
Eu sempre chamei o SUS de Sistema Ùnico da Sacanagem, onde o dinheiro é roubado, os ricos são atendidos como nos melhores planos privados. Podem ter certeza, se você ouvir alguém elogiando o SUS. é porque essa pessoa tem algum conhecido na rede, ou é puxa saco de algum político sacana.
Parece que hoje fui chamado a escrever. As 17:00, na caminhada do dia a dia, passando na frente do hospital regional, deparei com várias faixas: OS MÉDICOS DO HOSPITAL NÃO ACEITAM A DIMINUIÇÃO DE SALÁRIO IMPOSTA PELO PREFEITO E PELA ADMINISTRADORA. Em menos de uma hora, passando novamente diante do hospital pude constatar que elas haviam sumido, perguntei apenas para ouvir o obvio, foram arrancadas a mando da prefeitura.
E fica a pergunta...
Deveriam diminuir os salários do prefeito, (dizem que ele trabalha de graça, kkkkk) do vice, que já nasceu mamando nas tetas do governo, dos Secretários e de muitos servidores com cargos comissionados, e principalmente dos vereadores que não servem para nada.
Hoje de manhã, e como deve ser todos os dias em todas as unidades de saúde e no hospital, A UAI SETE parecia uma filial do inferno.

Cliquem em  SAÚDE e leiam, principalment, RADIOGRAFIA DE UM HOSPITAL e SERÁ QUE CHEGOU A HORA DE MORRER?