18 de ago de 2018

SUGESTÕES






       ARNALDO VIANA  escreveu para o Jornal Estado de Minas: 28/12/2013



Pergunta-se ao médico:
– Doutor, por que essa ingresia, essa vozearia contra o plano Mais Médicos, do governo federal? É contra os cubanos?
– Não, nada contra os profissionais cubanos.
– Um garoto nascido e criado numa grande cidade, como você, acostumado ao conforto, bons restaurantes, casas de shows, shoppings, trabalharia numa pequena cidade, sem opções de lazer, mesmo se o prefeito pagasse um bom salário e montasse um posto de saúde com os equipamentos necessários?
– A questão não é por aí!
– É por onde, então?
– Se for trabalhar numa cidade do Vale do Mucuri, a 500, 600 quilômetros de Belo Horizonte, e uma criança caísse nas minhas mãos com um ferimento grave, iria precisar de hospitalização, de uma especialidade cirúrgica urgente. Diante disso, com certeza a criança morreria no meu colo.
– Sem um hospital regional em condições de recebê-la, a solução seria trazê-la para a capital, sem garantia de que chegaria viva. É isso?
– Sim. O médico seria apedrejado, crucificado, linchado até, porque as pessoas acham que o doutor tem a solução para tudo.
O Brasil tem um dos melhores sistemas de saúde do mundo, o SUS. Na teoria, no papel, é perfeito. Faltam-lhe profissionais e não recebeu a estrutura física que merece. E o pouco que tem está sucateado.
A sugestão vem das maratonas religiosas das madrugadas na TV. Em um dos programas, a senhora, com um monte de papéis nas mãos, é chamada ao palco pelo pregador: – Fale, minha filha, da sua graça...
– Olhe apóstolo, estava desenganada pelos médicos. Tinha um tumor maligno na cabeça. Os exames estão aqui. Mas encontrei a cura na segunda vez que entrei neste templo.
O pastor não se contém:
– Milagre! Milagre! Glória a Deus. Repita comigo, minha senhora, glória a Deus!!! Isso custou alguma coisa para senhora?
– Não, apóstolo.
– Glória a Deus!
Em seguida sobe um homem, de cadeiras de rodas. Não andava havia 30 anos. Levanta-se, joga as muletas no chão e caminha sobre o palco. “Glória a Deus, glória a Deus”, repetem as quase 5 mil pessoas espremidas no grande galpão.
Em outro canal, a mulher está diante do pregador. Eufórica, e quase sem fôlego, conta:
– Há três meses, apóstolo, entrei com meu marido neste templo. Estávamos desesperados. Não tínhamos nem sequer o que comer. Havíamos perdido tudo, casa, dinheiro, trabalho, tudo.
– E hoje, minha senhora?
– Hoje, apóstolo, temos uma cobertura de 1 mil metros quadrados de frente para a Praia de Copacabana, temos nossas empresas, carros. Estamos glorificados.
– Glória a Deus, glória a Deus!!!
Não há aqui dúvida sobre o poder divino. De forma nenhuma. Mas não é qualquer um que consegue alcançá-lo na plenitude. Isso é fato. É preciso ser alguém especial, como se ouve dos apóstolos da TV nas madrugadas insones.
Daí as sugestões...
Está chegando ano eleitoral. A cadeira de presidente do país está em disputa. Como entra mandato e finda mandato sem solução para a saúde, por que não convidar o primeiro pastor para assumir o comando do SUS?
O segundo, o que ajudou a acabar com a miséria do casal, poderia ocupar três ministérios: Fazenda, Trabalho e Emprego e Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Economia para o país e praticidade.
Glória a Deus...
Achei excelente essas colocações, acesse os links abaixo para lerem o que escrevi sobres esse assunto.





2 de ago de 2018

JEITO DE VIVER







Sei que já não tenho muito tempo para viver, sou mais um da geração que está se despedindo do mundo.
Com certeza não fomos bons professores em quase todos os quesitos que pautam a vida do ser humano.
Na ecologia então fomos uma aberração, não cuidamos da natureza, matamos nascentes, córregos, lagos e rios. Deixamos os governantes destruírem a fauna e a flora, em nome de um progresso que destrói e afasta as pessoas.
Politicamente falando fomos incompetentes quando, por comodismo, por algum interesse financeiro ou de poder, criamos uma corja de políticos ladrões inescrupulosos, com raríssimas exceções, que transformaram os partidos políticos em verdadeiros covis de marginais.
Em se tratando de Deus e das religiões, poucos herdaram a fé de seus pais e avós, temos hoje uma multidão que não está nem aí para as coisas sagradas. Uma legião de jovens não quer se relacionar com esse Deus que é lembrado somente quando uma desgraça acontece na vida de uma pessoa, ou quando uma catástrofe atinge várias ao mesmo tempo. Temos também muitas “religiões” que cultuam o demônio, e em seções de curas mentirosas O invocam a todo momento, para que os incrédulos acreditem que o mesmo foi expulso, e paguem dízimos absurdos para milionários espertalhões.
Foi na esfera social que deixamos as relações humanas atingirem contornos de abandonos absurdos. A grande mídia patrocinada por políticos e empresários com visão apenas no lucro e no poder, tentam de todas as maneiras fazer uma lavagem cerebral nas classes A B e C da população, para que as pessoas se tornem escravas do modismo e do consumismo exagerado.
A todo momento somos lembrados que temos a obrigação de sermos politicamente corretos. E também não sei de onde tiraram a palavra preconceito, que de uma hora para outra passou a ser utilizada para obrigar pessoas a aceitarem comportamentos que ferem sua dignidade e sua liberdade.
Eu particularmente não nenhum receio de externar meus pensamentos e minha maneira de viver, não me sinto na obrigação de aceitar algo que me incomoda, simplesmente porque uma meia dúzia de psicólogos, psiquiatras, tecnocratas e políticos que se acham no direito de ditar comportamentos, querem obrigar todos a acatarem aquilo que chamam de verdade. Por isso reivindico meu direito de não frequentar os mesmos lugares frequentados por quem quer me esfregar na cara, comportamentos bizarros que agridem minha religião e meu jeito de viver. Não quero com isso incentivar nenhum tipo de agressão física ou verbal, que cada um viva sua vida sem querer obrigar as pessoas a aceitarem aquilo que para elas é inaceitável.
Estamos assistindo o endeusamento dos animais domésticos e a banalização das relações entre os seres humanos que são vistos e tratados com desprezo nas ruas, nos postos de saúde. nos hospitais, ou melhor, em qualquer lugar, onde principalmente os mais pobres são tratados como lixo que ninguém quer recolher. Estamos assistindo à aberração de vermos pessoas alisando o pelo de um cachorro ou de um gato, e não se lembrando de fazer um carinho no filho ou na filha. Levando seus animais constantemente para serem higienizados. pagando consultas caras nos hospitais para animais, e quando seus filhos adoecem os levam às emergências públicas. onde não recebem o mesmo tratamento que o bichinho de estimação recebeu no pet-shop, ou muitas vezes nem mesmo são atendidos.
Não é esse o jeito de viver que quero para a minha, e para a futura geração


22 de jul de 2018

ÚLTIMO FACHO DE LUZ








                                       

É madrugada, o silêncio ainda é uma sensação gostosa de ser ouvido. Os sons que chegam aos meus ouvidos parecem vir de muito longe e tento prestar atenção para ver se estão querendo me dizer alguma coisa.
Mas o próprio silêncio está me dizendo que preciso de mais momentos como esse..
Daqui a pouco tudo se transformará.
A cidade acorda para mais um dia de trabalho, e as ruas com seu trânsito complicado, aliado á correria das pessoas, trazem-me de volta à realidade.
Já não quero mais ouvir rádio ou ligar o televisor.
Sei que vou ouvir notícias ruins, e estou cansado de ver imagens de roubos e assassinatos.
Mesmo tentando blindar meu cérebro contra estas agressões, inconsciente, lembro-me de alguém morrendo por culpa única e exclusiva dos políticos e empresários, que roubam descaradamente o dinheiro que deveria ser usado para dar vida digna a todos que carregam em suas costas o peso da carga absurda de impostos que vão para os bolsos de poucos.
Com raríssimas exceções...
Este é um país de políticos corruptos e corruptores.
Este é um país de empresários corruptos e corruptores.
Um país onde as compras do serviço público são regidas por uma lei de licitação que abre brechas para que um mesmo empresário participe das concorrências com quantas empresas quiser. Todos os envolvidos sabem disso, mas como vivemos no país das falmacutaias os nossos legisladores fingem não ver.
E isso vai irritando e estressando as pessoas, e o estresse vai mexendo com o emocional e muitos não conseguem assimilar, e veem suas vidas se transformarem em um verdadeiro martírio.
Outro dia, um jovem de 32 anos, casado, pai de uma filha, sem nenhum problema financeiro, desabafou comigo toda sua indignação contra os acontecimentos que já parecem terem virado rotina nesse país das sacanagens.
Esse jovem me disse que já pensou até em dar cabo da própria vida.
E isso me preocupa.
Alguém já parou para pensar que esse comportamento é algo comum, e que assusta?
Essa falta de vergonha na cara dos ladrões engravatados que nos roubam, essa falta de vergonha na cara de quem vota, vai criando condições propícias para que a vida se torne insuportável.
Não quero violência, mas gostaria que no dia das eleições, todos fossem às urnas e anulassem seu voto não elegendo nenhum deputado e senador, e não reelegendo nenhum governador para um segundo mandato, e também ninguém que ele apoiar, ou que seja do mesmo partido.
Precisamos também prestar bastante atenção para não elegermos nenhum dos sobrenomes famosos da política, chega de Suplicys, Sarneys, Neves, Tumas, Garotinhos, e tantos outros que nos assombram há muitos anos. Em Betim, chega de Saraivas, Nogueiras, etc.
Se a mentalidade do nosso povo não mudar, principalmente dos mais jovens, o último facho de luz que existe no fim do túnel vai se apagar muito depressa.
Tomara que não seja o PSDB o protagonista para dar o último sopro para apagá-lo


14 de jul de 2018

COMO CÃES E GATOS

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Onde estão os filhos dessas pessoas? No colo?

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Será que sabem o que é fazer aniversário?

                                                                                      













                               
Sinceramente não tenho nada contra os animais, muito pelo contrário, precisamos cada vez mais cuidar para que a vida em todas as formas seja respeitada. 
Também dentro das minhas limitações, respeito o jeito que cada um escolhe para conduzir sua maneira de viver e seu destino. 
É que uma reportagem conseguiu mexer comigo, e me deixou intrigado. 
Era a propaganda de um hotel para cães e gatos. 
A diária girava em torno de cinquenta reais. 
Uma moça estava deixando seu cão no hotel, e disse que já estava com saudade. 
No hotel os animais recebem tratamento que poucos seres humanos têm acesso, os pobres animais ficam ouvindo música clássica para acalmar seus nervos. 
E muitos irão perguntar: o que eu tenho com isso? 
Nada! 
Se algumas perguntas não ficassem sendo feitas pelo meu inconsciente. 
E me perguntando que tratamento recebe as crianças de rua. 
Os velhos abandonados dentro de sua própria casa?
Os que são abandonados em asilos?
Os que perambulam pelas ruas? 
E as crianças acolhidas nas creches esperando uma adoção. 
Ouvem música clássica? 
Alguém sente saudade? 
Claro que qualquer um pode ter, cuidar amar seus animais. 
Quem consegue amá-los como se ama gente, é realmente alguém iluminado. 
Claro que ninguém é obrigado a pensar em crianças e velhos abandonados. 
Mas na minha talvez inútil opinião, quem tem dinheiro para tratar um animal como gente deveria investir um pouco para evitar que muitas pessoas sejam tratadas como animais. 
Será que todos fazem isso? 
Sei que algumas pessoas fazem. 
E mais uma vez, o que eu tenho com isso? 
Será que as creches e os asilos já estão de bom tamanho, para quem não teve a sorte de nascer gato ou cachorro? 
Não precisa adotar. 
Não precisa levar para casa. 
Um apadrinhamento para ajudar na sua manutenção, será uma excelente maneira de contribuir na melhoria da vida de muitos. 
Que continuem amando seus animais, mas que abram o coração para o sofrimento da
imagem e semelhança de Deus. 
Sei perfeitamente que ao escrever este artigo provocarei a ira de muitas pessoas. 
Mas este é o papel de quem escreve, incomodar, provocar discussão, talvez quem sabe, alguém possa assimilar o que está por detrás das palavras. 
Se apenas um entender, terá valido a pena escrever.