Ontem o calor estava tão insuportável que mesmo
dentro de casa com os aparelhos para ameniza-lo estava impossível de aguentar. Então comecei a pensar nas pessoas pobres que vivem debaixo das marquises e nas que
moram em pequenos barracos e que não possuem sequer condição financeira para comprarem um ventilador e para elas uma geladeira é sonho de consumo. E me pus a perguntar! O
que eles fizeram para que Deus os castigassem tanto assim? Mas depois, parando
pra pensar me lembrei que Deus não castiga as suas imagens e semelhança que criou viu que era bom. Este
calor imenso foi causado pelas pessoas ricas que construíram grandes ¨torres de
Babel¨ (prédios) em cima de muitos mananciais de água, também criados por Deus. Esta onda de calor é fruto da falta
de proteção da natureza com o desmatamento de matas e florestas e com a falta
de consciência ecológica da maioria da pessoas que jogam lixos e entulhos em qualquer lugar e quando chove eles são levados para dentro dos córregos e dos rios agonizantes que
teimosamente insistem em existir, como o rio que antes enfeitava a minha cidade e
que agora carrega uma pasta gosmenta e que nenhum político se preocupou em
recuperar.
Depois que escrevi este pequeno texto aqui na minha cidade começou a cair chuvas torrenciais e gostaria que lessem o texto que escrevi em janeiro de 2006
AS QUATRO ESTAÇÕES
Quero pedir licença às pessoas da minha idade porque agora estou escrevendo para os mais jovens que são os herdeiros e donos do mundo. Eu gostaria que eles pedissem a seus pais e avós que lhes falem como era a vida deles há quarenta anos atrás. Vou falar da minha cidade de Betim que fica na região metropolitana de Belo Horizonte. Quando eu era jovem as quatro estações do ano eram distintas e vinham para embelezar e dar vida tudo que Deus criou, e elas eram: Primavera, Inverno, Verão e outono. Cada uma delas tinha seu tempo certo para começar e terminar, e raramente uma invadia o espaço da outra. A primavera vinha com o perfume das flores e dos frutos e um com vento brando soprando como se estivesse fazendo caricias semelhantes às de alguém apaixonado. O inverno vinha trazendo o frio que chegava a rachar nossos lábios nos convidando para um recolhimento regado a um bom vinho ou uma boa cachaça acompanhados de verdadeiras maravilhas em forma de tira-gosto. O outono vinha com seu vento forte arrancando as folhas das arvores e trazendo as chuvas que duravam dias e transformava a meninada em engenheiros construtores de represas para cercar as enxurradas que desciam dos morros fazendo buracos porque naquele tempo pouca gente sabia o que era asfalto. O verão vinha aquecer o corpo e o coração das pessoas para que elas pudessem aproveitar o máximo da luz e da energia do sol. Era exatamente assim! E hoje? As quatro estações são conhecidas apenas pelas datas porque em um só dia elas se manifestam ao mesmo tempo perturbando a vida de todas as criaturas de Deus. A causa deste desarranjo está visível em todos os lugares onde o lixo seco se mistura com o lixo úmido jogado nas ruas e visto a cada fração de segundo em que o nosso olhar é lançado para um determinado ponto. Estou dizendo que a culpa é da poluição causada pela falta de educação ecológica de muitas pessoas de todas as classes sociais, e é por isso que estou falando para os mais jovens que irão tomar posse da herança maldita que estamos deixando para eles. Eu queria que esses meninos e meninas de todas as classes sociais e de todas as raças e de todas os credos se unissem para mudar a mentalidade ecológica desses novos tempos. Eu queria que eles passassem a observar a boca de lobo da sua rua que deveria levar o esgoto e que está sempre entupida pela nossa estupidez. Eu queria que os moradores dos bairros nobres começassem a observar que poucos são os que reciclam o lixo mesmo onde existe coleta seletiva, nos dando a impressão de que os ricos não sabem o que é preservação da natureza. Eu queria que os moradores da periferia lutassem contra os que jogam o lixo nas ruas , nas calçadas e em lotes vagos ou no leito de córregos agonizantes. Eu queria criassem uma consciência ecológica para que a pobreza e o abandono dos órgãos públicos não fossem os únicos responsáveis e a desculpa para serem obrigados a dividirem os seus espaços com os ratos e outros bichos peçonhentos. Eu queria que os jovens começassem uma luta, ou diríamos, uma guerra para que a Mãe Natureza volte a ser respeitada. Mas para isso é preciso lutar contra os políticos corruptos e contra o poder econômico, e principalmente contra a nossa própria ignorância que nos faz ficar alheios achando que o progresso a tecnologia e a ciência vão conseguir realizar um milagre maior que de Deus e recuperar tudo que foi destruído. Quando eu era jovem, aqui na minha cidade, em praticamente todos os bairros existia uma ou mais nascentes de águas cristalinas que formavam pequenos riachos que eram a alegria das lavadeiras e das crianças que corriam para ver os peixes nadando para todos os lados. Em quase todos os quintais tinha uma horta e algumas árvores frutíferas. Os frutos silvestres que hoje talvez ainda existam em algumas pequenas cidades do interior eram abundantes e saboreados como um manjar dos deuses. A natureza era exuberante com suas plantas e suas nascentes que formavam córregos, riachos e rios, e tudo era muito diferente do que observamos hoje.