29 junho, 2024

UM ASILO DE CARIDADE PODE SER CHAMADO DE LAR?

Quero deixar bem claro que não pedi autorização da diretoria do Lar Vicentino Divino Ferreira Braga para escrever e publicar este texto que escrevi.



Na década de oitenta o jovem confrade da SSVP de Betim - MG, já falecido, Luiz Paulino, reunido com outros jovens vicentinos lançou a ideia de se construir um asilo no local que antes era ocupado por uma Vila Vicentina com vários barracos onde moravam várias pessoas pobres, em sua maioria já idosas. Os jovens ali reunidos gostaram da ideia e imediatamente colocaram a “mão na massa”. Não me lembro se esta ideia foi levada aos conselhos superiores para sua aprovação, ou não, só sei que em pouco tempo, com a ajuda de todos os vicentinos e de muitas pessoas da nossa cidade que também abraçaram a causa, o prédio foi construído, e em 1990 foi inaugurado o asilo Divino Ferreira Braga que levou este nome em homenagem ao antigo pároco da cidade, há muito tempo falecido. Quando o asilo foi construído nós não tínhamos nenhuma preocupação com as leis e com a justiça, queríamos apenas criar um local onde as pessoas idosas carentes pudessem viver tranquilas e com dignidade. E foi assim por um bom tempo! Hoje o Lar Vicentino Divino Ferreira Braga é refém de leis criadas por políticos que só pensam em riqueza e poder, com algumas exceções, e pelo ministério público cujos juízes julgam apenas com a razão. Hoje a SSVP não tem autonomia para abrigar um idoso sem o aval do CRAS (Centro Regional de Assistência social) e estamos assistindo a chegada de pessoas por indicação política e sentimos saudade de quando, para ser acolhido pelo asilo a preferência era dos mais necessitados financeiramente ou maltratados e abandonados pelos familiares. E isto está incomodando muitos confrades e consocias que se sentem traídas e tristes por ter que pedir licença para abrigar alguém na casa que construíram com muita garra e sacrifício. E eu fico mais indignado por ser obrigado a chamar de lar um local onde muitos idosos lúcidos que deveriam vir para viverem com tranquilidade o que lhe resta de vida  e morrerem em paz, e que agora ficam deitados o dia inteiro ou andando de um lado para outro como um zumbi olhando para o vazio e vendo a morte  levar os moradores esqueléticos que enchem as enfermarias. 
Um asilo não deveria ter uma enfermaria, e pelo que me consta elas são alas dos hospitais onde os enfermos são tratados e depois de serem curados voltam para suas casas, mas os que estão aqui no asilo já não têm casas para voltarem. Eu me recuso a chamar de lar um asilo onde, mesmo com todo o carinho e cuidado como são tratados os moradores, muitos são levados para esses lugares para se encontrarem com a morte longe dos seus filhos e netos e de outros parentes. O político que  criou a lei proibindo que se chamem essas casas de asilos, e aqueles que a aprovaram parece que nunca entraram em um asilo de caridade e com certeza se basearam nas instituições da iniciativa privada que cobram de 5.000 a 10. 000 reais, ou mais, por mês para “cuidar” de uma pessoa idosa. Se os políticos quisessem realmente dar uma vida digna para essas  pessoas deveriam criar um espaço que fosse um meio termo entre o hospital e a moradia da pessoa enferma, desde que não seja a sua casa ou um asilo . Se um dia isso acontecer  os asilos não ficarão super lotados  e deixarão de ser um local de velar os que foram colocados ali apenas para se encontrarem com a morte.




FACHADA DO LAR VICENTINO DIVINO FERREIRA BRAGA EM BETIM - MG



RECEPÇÃO: NA PAREDE UM MURAL COM A FOTO DE CADA MORADOR




LOCAL DE CONVIVÊNCIA   E ENFERMARIAS





                                        ENTRADA DOS FUNDOS E ÁREA DE CONVIVÊNCIA
VISTA DOS QUARTOS E ÁREA DE CONVIVÊNCIA 





                                            ARÉA DE ENTRETENIMENTO E BATE PAPO.






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