14 julho, 2024

PRISIONEIROS DA AMARGURA

Escrevi este texto em julho de 2009 e resolvi publica-lo mais uma  vez para servir de reflexão para quem ainda convive com seus pais e suas mães.

Fico observando os filhos visitarem os pais no Lar Divino Ferreira Braga, um asilo de caridade da Sociedade São Vicente de Paulo na minha cidade. A maioria dos moradores são visitados pelos parentes nos três primeiros meses da sua internação, mas depois são apenas lembranças e menos um estorvo para serem cuidados dentro de casa. De vez em quando alguns são levados para almoçar nas suas casas, e como presidente do Lar não sei se isto é bom para os moradores porque não deve ser nada agradável ficar remoendo velhas lembranças. Vejam por que penso assim: Um pai, uma mãe ou um irmão ficam o tempo inteiro sentados olhando para as paredes ou agarrados nas grades das janelas do asilo olhando para a rua como se fossem prisioneiros da amargura, e em um domingo de manhã saem para almoçar com os irmãos, com os filhos, com a esposa ou marido e com netos ao seu redor, e à tarde são novamente levados para os seus quartos no asilo para voltarem a ficar o tempo inteiro sentado olhando para as paredes ou agarrado nas grades das janelas do olhando para a rua como se fossem mais um prisioneiro da amargura.



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