Escrevi este texto em julho de 2009 e resolvi publica-lo mais uma vez para servir de reflexão para quem ainda convive com seus pais e suas mães.
Fico observando os filhos visitarem os pais no
Lar Divino Ferreira Braga, um asilo de caridade da Sociedade São Vicente de
Paulo na minha cidade. A maioria dos moradores são visitados pelos
parentes nos três primeiros meses da sua internação, mas depois são apenas lembranças e menos um
estorvo para serem cuidados dentro de casa. De vez em quando alguns são
levados para almoçar nas suas casas, e como presidente do Lar não sei se isto é
bom para os moradores porque não deve ser nada agradável ficar remoendo velhas lembranças. Vejam por que penso assim: Um pai, uma mãe ou um
irmão ficam o tempo inteiro sentados olhando para as paredes ou agarrados nas
grades das janelas do asilo olhando para a rua como se fossem prisioneiros da
amargura, e em um domingo de manhã saem para almoçar com os irmãos, com os
filhos, com a esposa ou marido e com netos ao seu redor, e à tarde são novamente levados para os seus quartos no asilo para voltarem a ficar o tempo inteiro
sentado olhando para as paredes ou agarrado nas grades das janelas do olhando para a rua como se fossem mais um prisioneiro da amargura.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Aqui você é muito bem vindo. Seu comentário ajuda na construção desse espaço de liberdade