21 abril, 2023

UM GRITO DE DESESPERO

                      

Este grito de desespero foi ouvido em silêncio por todos nós que estávamos na porta da igreja de São Francisco oferecendo um café da  manhã para os nossos semelhantes que são invisíveis aos olhares da elite e dos políticos que tapam seus ouvidos quando Cristo nos diz todos os dias: "Amai-vos uns aos outros como eu vos amei". Eu disse em silêncio porque o grito do senhor Claudio foi escrito em uma folha de caderno que ele pediu emprestado "Meu nome é Claudio José de Almeida. Eu nasci na cidade de Esmeraldas em Minas Gerais e  hoje sou mais um dos milhares de seres humanos abandonados que vivem em situação de rua em praticamente todas as cidades desse país das desigualdades. Hoje estou perambulando pelas ruas da cidade de Betim, também em Minas Gerais, e o meu maior desejo, assim como o da maioria dos que convivem comigo, que também somos seres humanos racionais vivendo como irracionais é conseguir um lugar decente para morar, pois na situação que que nos encontramos não estamos vivendo, mas sim, vegetando e vagando pelas ruas implorando por uma vida mais digna. Quando estamos no tempo da seca o nosso sofrimento fica um pouco mais ameno, mas quando chega o tempo das chuvas, e logo depois com a chegada do  inverno a nossa situação se complica porque as marquises não conseguem nos proteger e o nosso corpo sofre as dores físicas e as dores do abandono Foi por isso que escrevi esse grito de socorro: Estamos apenas implorando por uma moradia para termos uma vida mais digna.

 


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