BETIM, UM PARAÍSO SENDO DESTRUÍDO

18 novembro, 2020

ESCRAVOS DA TECNOLOGIA.

 


                                





Fico vendo e ouvindo nos noticiários as reportagens sobre o avanço de tecnologia, e cada vez mais me convenço que estou vivendo além do que deveria. 
Não quero ser mais uma dessas milhões de pessoas que se tornaram escravas dos aplicativos, e que têm suas mentes controladas por um chip qualquer.
Se dissesse que sou literalmente contra este avanço seria um grande idiota.
Estou aposentado, tenho setenta anos, e não sei se orgulhosamente, ou teimosamente falando, não me deixei dominar pelos dispositivos que teoricamente foram concebidos para facilitar a vida das pessoas, mas pelo que parece, chegaram também para escravizar aqueles que não sabem dimensionar o que é benéfico do que é vício.
Já estão falando em acabar com o dinheiro moeda, ou papel, e também com os cartões magnéticos.
Já existem agências bancárias que não movimentam dinheiro em espécie.
Será que todo e qualquer dinheiro vai se tornar virtual?
Os amantes desta “modernidade” dizem que as pessoas movimentarão suas contas bancárias através dos aparelhos de celular, dos óculos, do relógio, de uma pulseira, e até de um chip implantado em alguma parte do corpo.
Segundo os especialistas da área, em pouco tempo todas as pessoas, independentemente da sua condição financeira ou social, terão que se renderem aos aplicativos.
O setor público onde o atendimento sempre foi e será ruim, com alguns funcionários se achando no direito de maltratar as pessoas, está sendo todo informatizado.
Quase todos os serviços já exigem agendamento via on-line.
Constantemente ouvimos dizer que todos têm acesso à tecnologia.
Acesso talvez, mas saber como acessar e ter em casa um computador, são coisas bem diferentes.
Então, milhares de pessoas terão que pagar por esses serviços, porque sem medo de errar posso afirmar que, de cada dez brasileiros, oito não tem sequer acesso a um simples e decente café da manhã.
Com a maioria das riquezas do país sendo roubadas por políticos sem escrúpulos e por empresários gananciosos, se essas tecnologias se tornarem realidades, todos os brasileiros estarão aptos para se adaptarem, e terão dinheiro para comprarem essas geringonças modernas?
Elas ficam ultrapassadas muito depressa, e cada dia surge uma nova.
Comece a observar a periferia da sua cidade, o nosso país é uma favela de norte a sul, e sem medo de errar, posso afirmar que mais da metade da população mora em cortiços fétidos e violentos.
Nada contra as favelas e as periferias, porque nelas moram a grande maioria dos brasileiros esquecidos e explorados pelos políticos corruptos, nelas residem os moradores reféns de bandidos e de milícias que lhes roubam a liberdade e a esperança de uma vida melhor.
De cada dez aparelhos do antigo celular que antes era telefone que são vendidos, oito são  adquiridos por pais ou avós extorquidos por seus filhos e netos.
Se tudo vai ser informatizado!
Para que continuar pagando impostos, se em pouco tempo não haverá mais funcionário público para nos atender?
Seremos atendidos por uma inteligência artificial fria como a bia, não a mulher, mas a geringonça robotizada.
Só para exemplificar:
Em um acidente de trânsito sem vítimas, a polícia não mais fará  o boletim de ocorrência, nem na delegacia. cada um dos envolvidos terá que gerar seu boletim de ocorrência dando sua versão do sinistro. Se o prejuízo financeiro for grande e não houver um consenso de quem está certo ou errado os dois terão que agendar um dia e horário em dos tribunais de pequenas causas que decidirá quem arcará com o prejuízo.
Se um dos envolvidos for de outro estado ou de uma cidade longe do local do sinistro, e se seu veículo não tiver sofrido grandes avarias, com certeza ele voltará para seu domicilio.
Então, esta audiência também terá que ser on-line, e pelo que conhecemos da justiça brasileira, alguém ficará no prejuízo.
E com certeza será o cidadão menos violento, pacato, e cumpridor dos seus deveres
.


                                                   

 


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Aqui você é muito bem vindo. Seu comentário ajuda na construção desse espaço de liberdade