8 de dez de 2010

SONS DA MADRUGADA




Não sou formado em psicologia, aliás, não tenho formação nenhuma acadêmica, e me atrevo a escrever sobre qualquer tema ou assunto que povoam minha mente.                                
Que me perdoem os que se sentem bem vivendo sozinhos. É que às vezes, no meio da multidão ou espremido dentro de um ônibus, vejo muitas pessoas, inclusive eu, com o olhar perdido no horizonte dando a impressão que somente o corpo está ali, que a alma está vagando por outros lugares.
E esta sensação não é nada saudável.
Estar sozinho rodeado de pessoas, olhar para o lado e não enxergar nada, nem mesmo a si próprio, dá um vazio que assombra. Em algumas entrevistas ouvi pessoas solitárias dizendo que gostam desse modo de viver e que se acostumaram sem terem ninguém por perto para ouvir suas verdades e mentiras.
Impossível! Estão mentindo para elas mesmas. Ninguém em sã consciência gosta de viver enclausurado dentro de si mesmo. Não posso conceber que uma pessoa goste de abrir a porta de um apartamento e ser recebido pelo vácuo. Que goste de falar para o vazio e ouvir a resposta do silêncio.
Que todo ser humano precisa de alguns momentos de solidão para colocar suas ideias e seus planos em sintonia com a realidade, é uma grande verdade.
E isso faz muito bem para a alma.
Daí, dizer que a solidão é uma excelente companheira vai uma grande diferença.
Não deixe a solidão amar barraca na sua vida.
Se estiver difícil encontrar a cara metade para laços de amor, não é necessário passar o resto dos dias abraçado a um travesseiro, ou ao bichinho de pelúcia pensando estar abraçando alguém.
Entregar o corpo a qualquer um para preencher algumas horas de vazio, também não ajuda em nada. Muito pelo contrário, depois a sensação de estar sozinho no mundo bate com muito mais força.
Substituir o ser humano por um gato ou um cachorrinho e dizer que não está sozinho é outra grande mentira. Ficar em frente a um computador conversando com amigos virtuais, também não é o remédio, muito menos, ficar repassando mensagens a torto e a direito, sem ao menos se dar ao luxo de saber se a pessoa do outro lado gosta deste tipo de coisa.
É preciso ir mais além.
Buscar algo que dê sentido e complete a vida.
Viajar.
Física e espiritualmente.
Em ambos os casos é preciso ter um lugar e motivo para retornar, e sempre ter deixado alguém sentindo saudades.
Quando a pessoa doa parte da sua vida, a solidão pede licença e vai embora, porque não suporta entrega e doação.
Nas enfermarias dos hospitais tem tanta gente sozinha, cuja única companhia é a dor.
Nos asilos, os moradores ficam esperando ansiosamente a visita de quem também está querendo conversar.
Talvez esteja aí um ótimo lugar onde abandonar a solidão.
Se entregar de corpo e alma em um trabalho voluntário, descobrindo pessoas que teriam todos os motivos para se sentirem solitárias, e, no entanto, ainda conseguem dar um pouco do nada que possuem.
Procure alguém ou uma causa para amar de verdade.
Se entregue e mande a solidão ir bater em outra porta.



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