FORA BOLSONARO, O VIRUS QUE ESTÁ MATANDO O BRASIL

6 de ago. de 2020

CUIDAR DO MUNDO



Este texto foi escrito há quatorze anos. Ele estava esquecido no meio de outros. Resolvi publicá-lo porque quem sabe, esta pandemia que estamos vivendo não veio para nos mostrar o quanto estamos agredindo nossa mãe terra.

                                                         CUIDAR DO MUNDO                                   





Comecei escrevendo esse texto com o título a Invasão dos plásticos. Então percebi que não deveria ficar preso a um só elemento que agride nossos olhos e a natureza. Ela é agredida de várias maneiras e por todo tipo de lixo e entulho.
Esta ideia me veio à cabeça em uma manhã ensolarada durante a caminhada de todos os dias. Resolvi fazer um trajeto diferente e caminhei em uma estrada de acesso à zona rural. Olhando para a paisagem percebi que é impossível andar um segundo sequer sem visualizar uma sacola de plástico, uma garrafa de um liquido qualquer, uma embalagem de vários produtos alimentícios, ou de consumo diário, fazendo parte da natureza como uma praga maldita.
Pensei...
Se escrevesse sobre a invasão do plástico teria que escrever sobre as outras invasões. A do papel, do vidro, da lata, do entulho, enfim, de todos os lixos e detritos que os herdeiros da terra produzem e deixam espalhados pelos quatro cantos da obra prima criada por Deus. Destruída pelos humanos.
Plástico não anda. Lixo doméstico não caminha sozinho. Entulho não voa.
Móveis abandonados nas calçadas também não voam
Se não existe invasão, qual seria o termo correto?
Abandono do lixo?
Não!
Então, o que mais está causando tanto dano e matando o planeta?
Poderíamos enumerar inúmeras causas, vou me ater a algumas.
Falta de compromisso com o mundo em que vivemos.
Falta de educação ecológica das pessoas de todas as classes sociais.
Ganancia da indústria que polui o meio ambiente em nome do progresso,
Especulação imobiliária com construções em cima de nascentes.
Insensibilidade e corrupção da maioria dos nossos políticos, esta, sem dúvida, a mais plausível das causas.
E por fim, a soma de todas elas: Não pensar no futuro da humanidade.
Não nos preocupamos se nossos filhos irão ou não conhecerem uma árvore de verdade, se verão um animal em seu habitat natural, um rio de águas claras, ou mesmo um simples riacho.
Pergunte aos garotos se alguns deles já nadaram em um rio de verdade, isto é, sem poluição e podridão?  Se já chuparam uma laranja conversando com os amigos, debaixo do pé desta bendita fruta. Se beberam leite ao pé da vaca, a não ser nesses restaurantes de beira de estrada.
Uma coisa tenho certeza que viram.  Uma pessoa parar um carro e alguém descer e jogar um saco de lixo no leito do antigo “rio” que agora só carrega esgoto.
Quanto mais consumo, mais lixo.
Então quem polui não são somente os pobres moradores da periferia? Claro que não!  Pneu é lixo de pobre? Caixa vazia de produtos importados é lixo de pobre? Sacolas de grandes lojas de grife é lixo de pobre? Lotes vagos sem muros cheios de entulho com tantos bichos peçonhentos, são propriedades dos pobres?
O esgoto industrial jogado na natureza todos os dias, é gerado por uma empresa de pobre?
Então quem é o responsável pela grande lixeira em que se transformou o mundo?
Com certeza, as pessoas de todas as classes sociais, mas principalmente as da classe A que consomem mais e produzem mais lixo. As empresas de todos os segmentos, entre elas, as grandes empresas imobiliárias e os governantes sem escrúpulos.
Não resta a menor dúvida...Que as benditas ou malditas garrafas e sacolas de plásticos vieram para melhorar a vida das pessoas. Que elas não foram fabricadas para serem jogadas nas ruas e nos leitos de córregos, rios, e lagoas, também é inquestionável.
Então o que fazer?
Simples: cuidar do mundo.
Não ficar gastando água lavando carro todos os dias com a torneira aberta.
Parar de usar a mangueira como vassoura para limpar quintais e calçadas.
Limparmos a frente das nossas casas.
Desobstruir a boca de lobo da esquina da nossa casa.
Não jogar lixo na rua, nos córregos, rios e lagoas.
Denunciar quem joga entulho e lixo em lote vago, ou conversar com a pessoa que está agindo assim.
Políticos se preocupam com o lixo? Não votar ou reeleger políticos que não se preocupam com a limpeza da cidade.
Coisas simples.
Que só se aprende no dia-a-dia.
Que devemos ensinar para nossos filhos, e exigir que as escolas promovam ações sobre esse tema.
Poucas são as cidades onde o lixo é tratado como devia, lixões a céu aberto servem de moradia para ratos e outros bichos, além de ser local de trabalho para os excluídos da sociedade.
Quantas cidades fazem coleta seletiva do lixo?
Onde existem, os moradores os reciclam?
Quanto lixo é espalhado pelas ruas pelos próprios garis que precisam correrem como loucos para darem conta de recolher o que foi acumulado nos dias anteriores.
Quem coloca o lixo para fora no dia da coleta?
Isso é problema de educação.
Que precisa começar um dia.
Tenho cinquenta e seis anos,
Há muito tempo minha cidade deixou de ser um paraíso ecológico para transformar-se um uma lixeira gigante. O rio que antes era a alegria das lavadeiras, das crianças e dos pescadores, hoje carrega a indiferença de todos nós, que direta ou indiretamente fomos responsáveis pela sua degradação.
Dizem que é o progresso...
Será que o relógio vai ter que voltar no tempo?
Ou o futuro precisa ser construído com mais responsabilidade?



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