16 de dez. de 2010

JULGAMENTO FINAL





Andando na chuva, abri nos braços em sinal de agradecimento pela água que lavava minha alma, e pelo frescor da essência de Deus que me acariciava em forma de pingos. E como criança pisei nas poças e chutei água para todos os lados. E como é impossível alguém perceber, dei uma senhora mijada que se misturou com a água numa gostosa sensação de liberdade.
Quem nunca fez isto deveria experimentar, é melhor e mais higiênico que fazer na piscina.
Olhando para o alto comecei a conversar com o Dono da chuva. O Senhor dos relâmpagos.
O Artesão dos raios.
O dia tinha se fundido com a noite, e o céu se cobriu com um manto negro parecendo estar de luto, e a chuva parecia lagrimas de um Deus natureza dando os últimos suspiros de agonia.
E os relâmpagos pareciam faíscas saindo dos olhos de um Deus escrevendo com fogo que o espaço não é depósito de sucatas espaciais, e que a terra não foi criada para ser um lixão a céu aberto.
O trovão veio como um grito de alerta para o aquecimento global onde o calor e os gases produzidos pelo homem de coração gelado empurram o ar da atmosfera fazendo o clima se tornar inimigo da humanidade.
De repente um raio parecendo uma lança arremessada do céu, parecia querer mostrar que o Criador pode acertar onde e em quem quiser.
Se não mudarmos nossa consciência ecológica, fatalmente a camada de ozônio será destruída. Azar nosso. Mas a demonstração de força da natureza parece não intimidar o bicho homem.
A temperatura se eleva e as geleiras, termômetro natural do mundo estão se derretendo, enquanto os governantes insensíveis fazem discurso e mutirão para atender os atingidos pela fúria de quem está sendo destruído.
E a morte de inocentes só sensibiliza no momento da dor, pois todos, preocupados com os afazeres do dia-a-dia esquecem com facilidade os tsunamis e todas as mortes causadas pelas chuvas, e todos os mortos castigados pelo calor que não são vítimas da natureza. São mártires pagando pela morte e destruição do planeta, destruído por todos aqueles que acham bonito e chique produzir muito lixo, e ainda que não aprendeu o significado da palavra reciclar.
Só consegue reciclar o lixo quem recicla sua vida.
Florestas inteiras se transformam em deserto e pastagem.
Rios e córregos, lagoas e riachos são apenas velhos retratos deixados como herança para uma geração que não sabe o que é beber água limpa direto da fonte que brotava aos borbotões da terra ainda virgem.
E muitos acham que tudo é sensacionalismo, principalmente agora quando uma luta está sendo travada contra a transposição do rio São Francisco para regar terras de grileiros ricos, e de políticos corruptos que ignoram as ações de qualquer iniciativa para defender a obra prima do Escultor da vida.
Fingimos não entender que a terra está por um fio, e que a vida dos nossos filhos tem tudo para se transformar em um inferno.
Mas como mãe amorosa, a natureza quer dar uma chance a todos nós, e vai nos levar a um julgamento. O júri será formado por matas destruídas, rios desviados de seus cursos, animais em extinção, flores pisadas, sementes mortas, vulcões nervosos, chuva ácida, Tsunamis assassinos, terremotos estressados, tempestades furiosas, sol escaldante e terra parecendo estufa.
O promotor de acusação não poderia ser outra a não ser a doutora Poluição.
O advogado de defesa do homem só poderia ser o Demo, afinal só ele para explicar tanto lixo jogado na rua, plásticos enfeitando a paisagem invadindo rios e matando peixes, florestas inteiras virando carvão para o enriquecimento de poucos e escravidão de muitos.
Tanto gás produzido para gerar lucro!
Tanta gente morrendo de fome!
Tanta guerra em nome de Deus e patrocinada pelas nações ricas que camuflam ações e fazem propaganda de paz.
O grande Juiz nos olha do alto e vai cobrar tudo isso e muito mais, conhece muito bem o réu, afinal, é cria Sua, que em retribuição, há pouco mais de dois mil anos devolveu o seu filho coroado com espinhos, pregado em uma cruz com um lado aberto e um horroroso bafo de fel.
O que esperar deste julgamento?
Se não houver uma mudança radical e global, não dos governantes que se preocupam apenas diante dos holofotes, mas de todos, para que seja formada uma grande corrente de manifestações a pedir mais investimentos dos países ricos na conservação da natureza, e aos países pobres, pedir que a população morra se preciso, mas expulse dos palácios os governantes que se embebedam todas as noites às custas da fome dos filhos da miséria.
O julgamento já está marcado.
O salão do júri será o mundo.
Vamos assistir passivamente sem nos preocuparmos com o veredicto?

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