15 de dez. de 2010

JARDINEIRO, AGRICULTOR, SEMEADOR E SEMENTE.

POUCOS QUEREM SEMEAR, MUITOS QUEREM COLHER.



       












Não quero falar do passado.
As coisas boas que aconteceram, e as lembranças dos amigos que pensei serem eternas, devem ficar para sempre armazenadas no arquivo das boas recordações.  As besteiras, e não foram poucas, intencionais ou não, ficarão armazenadas em um cantinho da memória de difícil acesso para que não se transformem em fantasmas que assustam.
Não quero olhar muito para o futuro.
Ele fica longe demais, e mesmo com todo planejamento sempre tem uma força a interferir. E no final sabemos com certeza que todos teremos o mesmo fim.
“Saiu o semeador a semear, e ao jogar a semente, algumas caíram sobre a as pedras e foram queimadas pelo sol ou devoradas pelas aves. Outras caíram sobre os espinhos e foram sufocadas. Uma pequena parcela caiu em terra fértil e se multiplicou em frutos bons e geraram novas sementes”.  Não preciso ser um semeador para entender que todas as sementes lançadas deveriam se transformarem em frutos doces e saborosos. Mas alguns frutos nascem amargos. Dependendo da habilidade do semeador podem transformarem-se em iguarias de sonho, e até mesmo as que caíram sobre os espinhos podem serem recolhidas e replantadas em novos canteiros. A semente já foi lançada. O semeador sabe onde e porque elas germinaram, ou não. E ao lançar lança-las ele sabia que teria que contar com a ajuda de agricultores e jardineiros, para que elas pudessem cumprir seu papel de alimentar e enfeitar toda a terra e a vida de todos os seres viventes. Eu preciso ser agricultor ou jardineiro para cuidar das sementes, e entender que as que caíram sobre terra fértil não precisam de tantos cuidados. Por si só se multiplicam. Simplesmente precisam serem adubadas todos os dias com os insumos da alma e do coração. As que caíram sobre a pedra também não precisam de cuidados, porque a natureza em sua sabedoria se encarregou de não deixa-las gerar frutos secos e sem gosto. Precisamos ter um carinho especial com as que caíram sobre os espinhos. Se não cuidarmos bem delas, muitas se perderão nas encruzilhadasa da vida. As colheitas que virão darão frutos na mesma proporção, ou multiplicarão as sementes que eu jogar no canteiro da minha vida, ou da vida dos outros. Sei que muitas vezes jogamos sementes podres na terra, achando que seus frutos serão saborosos. Tenho plena consciência que muita gente não têm condições de semear, então preciso aumentar meu estoque de sementes porque sei que a minha colheita terá que ser repartida. Como bom jardineiro, o agricultor experiente deve saber separar o joio do trigo. Quantas sementes boas que poderiam produzir frutos de vida, foram sufocadas pelo abandono de quem tinha obrigação de ser seu jardineiro ou agricultor? Muitos semeadores abandonaram as sementes que foram colocadas em suas vidas, e quando elas transformaram-se em árvores negaram sua sombra àqueles que não souberam podar e regar na hora certa. Por isso muitos idosos abandonados nos asilos choram a visita de alguém mais próximo, e ela não acontece. Eles não souberam cuidar das sementes. E quantas sementes foram semeadas com carinho, e quando transformaram-se em árvores frondosas fingiram não conhecer o semeador? Quantos jovens que eram sementes promissoras, transformaram-se em frutos amargos deixando suas vidas sobre o controle do dono da droga? Quantas pessoas abandonaram a Igreja e a religião onde foi doutrinadas, para correrem atrás de falsos milagreiros que aprenderam a arte de semear o culto ao demônio, para depois oferecer um falso deus que liberta. Este falso agricultor ou jardineiro, nunca foram semeadores. Quantas escolas poderiam serem jardins. Quantos hospitais poderiam serem jardins. Quantas comunidades poderiam gerar safra de qualidade.
O mundo poderia ser uma grande estufa de conservação das espécies. O ser humano foi a principal semente lançada na terra, para ser não só uma semente, e sim o agricultor e o jardineiro. Enquanto a principal semente não for prioridade, e o homem achar que pode mudar a seu bel prazer os contornos da perfeição criadora do universo. Enquanto a maioria não plantar para repartir, e perceber que toda a safra precisa ser distribuída com a minoria, os agricultores e jardineiros terão que usar a força para defender suas sementes.
Os jovens precisam assumir o lugar da semente, do jardineiro e do semeador, e não deixarem-se levar pelos “donos da terra”. É urgente plantar sementes de ecologia, de fraternidade, de partilha, de amor e compreensão.
Cristo foi o adubo que molhou a terra com seu suor e seu sangue. Ele quer que cada um de nós sinta-se agricultor e jardineiro, adubo e semente de vida, para que a paz volte a reinar em nossas casas, em nossas vidas, e no mundo.                        

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