FORA BOLSONARO, O VIRUS QUE ESTÁ MATANDO O BRASIL

13 de dez. de 2010

DOIS MUNDOS


IGREJA NS DO ROSÁRIO - BETIM - MG





Hoje deu uma vontade de fazer um paralelo entre os dois mundos onde tive a sorte ou a desventura de viver. Não sou nenhum extraterrestre, mas as mudanças no comportamento, a degradação do ser humano e da ecologia, a aberração em que se transformou a música, a cultura, e a arte, me dão a impressão de ter vivido em mundos diferentes. E olha que não estou tão velho assim, tenho sessenta e nove anos. Minha primeira vida foi no tempo em que os quintais não tinham muro. A televisão era sonho de consumo dos ricos. Quem trazia o neném para a mãe era o avião ou a cegonha. Fruta era comida no pé, e muitas vezes no quintal do vizinho.
Hoje o quintal do vizinho é campo minado. Presídio era só para prender os inimigos dos ditadores e os pobres, Crimes eram somente os passionais, e os para “lavar” a honra.
Os tempos mudaram, e comecei a viver minha segunda vida.
Hoje poucos sabem o que é honra. O progresso trouxe muita tecnologia, e também muito abandono. Os amigos foram trocados pelos computadores de todos os tamanhos. O bate papo do portão foi substituído pelas redes sociais, e tantos outros sites de relacionamento.
Coisa de maluco!
Que graças a Deus, não conseguiu me seduzir!
Hoje poucos recém-nascidos terão a sorte de se tornarem crianças como aquelas que brincavam inocentemente sem nada a lhes incomodarem.  A mãe que antes cuidava da casa e do filho, agora é obrigada trabalhar fora, e foi substituída por uma babá eletrônica que faz as crianças crescerem neuróticas.
Na periferia, muitas crianças são abandonadas por serem filhos da miséria. Nos bairros nobres elas são criadas livremente como um cão sem dono, e sem limites decidem o próprio destino.
Constantemente assistimos os filhos da liberdade criados com todo o luxo, se enveredarem pelo caminho do crime agredindo e até matando inocentes, e muitos, traficando drogas.
Graças a Deus existem maravilhosas exceções.
Qual é a diferença entre esse marginal que frequentou uma faculdade, com aquele que de escola teve a rua, e como professor o traficante e o assassino das periferias e dos morros?
Nenhuma!
Ou talvez muitas.
O “menino que está na faculdade” deve, teoricamente, ter recebido uma educação onde o respeito às leis e ao direito dos outros fosse um diferencial na vida de quem tinha quase tudo.
Criança fantasiada de adulto só é aceitável quando, na sua inocência resolve imitar o pai ou a mãe. Mas levar os filhos para programas de televisão, e os exporem como cachorrinhos de estimação, é a coisa mais esdrúxula que se pode fazer.
Chamar de arte uma novela onde o sexo e a luxuria são apelos irresistíveis para uma pequena minoria exibir um estilo de vida aonde ninguém trabalha, e todos têm “cara de rico” é simplesmente na minha modesta opinião, inconcebível.  
Chamar de festa popular e de cultura, um carnaval eletrônico onde a musas peladas pagam para serem madrinhas em escolas de samba, é no mínimo uma incoerência.
Recuso-me a comentar as músicas tocada nas ruas, e os filmes vendidos a dois reais nas bancas dos camelôs.
“Vai chegar o tempo que o homem terá vergonha de ser honesto”. Assim disse Rui Barbosa.
Quem nunca ouviu isso?
Será que ele com toda a sua inteligência, conseguiria viver num mundo cheio de armadilhas para surrupiar o dinheiro e os bens dos outros?
Financeiras.
Bancos.
Empréstimos consignados para enganar os mais humildes.
Impostos abusivos.
Juros embutidos e promoções de mentira, do tipo, comprem um celular e fale tantos minutos de graça.
E para terminar.
Das pessoas que você conhece, quantas tem consciência real do perigo que o mundo corre com a iminente falta de água?  Quantos fazem algo para evitar que tal fato aconteça?
Ou a maioria é como os que estão ao meu redor.
Não estão nem aí!
Quando eu era jovem, não se falava em ecologia porque ela era parte integrante da vida do ser humano.
Hoje nem a própria vida é parte integrante dos seres que se dizem humanos.

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