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| Este é o sr. Manoel, ex morador do asilo, já falecido |
O
que e quem me trouxe para este asilo, e porque fui condenado a este exílio? Qual foi o crime cometi? As pessoas que trabalham
aqui fazem o melhor que podem e somos tratados como se fossemos uma grande
família. Família... Já nem sei mais o que isso
significa e tem hora que dá uma vontade danada de conversar com os meus filhos,
mas não sei onde eles estão e se ainda querem conversar comigo. E à noite
quando o sono não chega fico escutando o ressonar dos outros que dormem ao meu
lado e bate uma saudade do quarto da casa que era o meu lar que deixei para
trás e que agora não é mais meu. Quando ouço
passos se arrastando, por uns momentos sou levado para o tempo em que os meus
filhos eram pequenos e caminhavam para minha cama com medo de
assombração. Quem será que levanta de madrugada para cobrir o meu neto
como eu fazia com os meus filhos? Não consigo entender! A velhice, além da saúde, tirou tudo que eu tinha. Liberdade. Família. Até os amigos esqueceram ou não se interessaram em saber
que esta casa é o meu atual endereço. Se me perguntarem se aqui é bom vou
repetir mil vezes que é o melhor lugar do mundo. Afinal foi esta casa que
me acolheu. Aqui não tem ninguém gritando ou falando pelos cantos que vai me
colocar em um asilo. afinal já estou aqui! Sei que causo os mesmos problemas que causaria em casa, mas todos que moram
aqui estão na mesma situação. Dependentes da boa vontade de estranhos. A
diferença é que as pessoas que cuidam de mim conhecem as minhas carências, e
pelo fato de terem me visto pela primeira vez do que jeito que estou não me
cobram nada. Elas agora estão substituindo os filhos que eu não soube criar ou
que não gostaram de terem nascido sob a minha proteção. Não tenho nada a reclamar
do tratamento recebido pós-abandono. Mas que eu sinto uma saudade danada de ter alguma coisa para novamente chamar
de meu, isto eu sinto.
O
que e quem me trouxe para este asilo, e porque fui condenado a este exílio? Qual foi o crime cometi? As pessoas que trabalham
aqui fazem o melhor que podem e somos tratados como se fossemos uma grande
família. Família... Já nem sei mais o que isso
significa e tem hora que dá uma vontade danada de conversar com os meus filhos,
mas não sei onde eles estão e se ainda querem conversar comigo. E à noite
quando o sono não chega fico escutando o ressonar dos outros que dormem ao meu
lado e bate uma saudade do quarto da casa que era o meu lar que deixei para
trás e que agora não é mais meu. Quando ouço
passos se arrastando, por uns momentos sou levado para o tempo em que os meus
filhos eram pequenos e caminhavam para minha cama com medo de
assombração. Quem será que levanta de madrugada para cobrir o meu neto
como eu fazia com os meus filhos? Não consigo entender! A velhice, além da saúde, tirou tudo que eu tinha. Liberdade. Família. Até os amigos esqueceram ou não se interessaram em saber
que esta casa é o meu atual endereço. Se me perguntarem se aqui é bom vou
repetir mil vezes que é o melhor lugar do mundo. Afinal foi esta casa que
me acolheu. Aqui não tem ninguém gritando ou falando pelos cantos que vai me
colocar em um asilo. afinal já estou aqui! Sei que causo os mesmos problemas que causaria em casa, mas todos que moram
aqui estão na mesma situação. Dependentes da boa vontade de estranhos. A
diferença é que as pessoas que cuidam de mim conhecem as minhas carências, e
pelo fato de terem me visto pela primeira vez do que jeito que estou não me
cobram nada. Elas agora estão substituindo os filhos que eu não soube criar ou
que não gostaram de terem nascido sob a minha proteção. Não tenho nada a reclamar
do tratamento recebido pós-abandono. Mas que eu sinto uma saudade danada de ter alguma coisa para novamente chamar
de meu, isto eu sinto.

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