Eu publiquei este texto há mais de vinte anos, espero que gostem.
Mais
uma vez fui chamado a escrever sobre um dia comemorativo, e mesmo sabendo que
todos os dias são delas vou tentar escrever algo sobre o dia das Mães. Este dia
não pode simplesmente ser uma ocasião para dar presentes, principalmente por
quem sempre esteve ausente. Para um filho ou filha todos os dias têm que ser de
festa para aquelas que os gerou. Quando ainda se tem uma mãe para falar um bom
dia e pedir sua benção eles e elas devem se sentirem abençoados porque ouvir um
Deus te abençoe saído do fundo do coração de quem defende os seus amados de
todos os perigos é motivo de comemoração festiva. Homenagear as mães é
muito difícil porque o que elas têm em comum é somente a maneira de carregar a
sua talvez futura joia rara no seu ventre. Cada mãe é única! Nesse dia quero
levar minha solidariedade à mãe que gerou um ser humano de um “pai” que fingiu
não saber, ou que realmente não sabia que o seu espermatozoide servia para
alguma coisa, e sozinha ela sofreu os inconvenientes da gravidez e não teve
ninguém ao seu lado quando sentiu a dor do parto e foi pai e mãe ao mesmo tempo.
Quero deixar uma benção especial, se tenho esse direito, àquela mulher que é
mãe duas vezes ao cuidar dos seus netos porque muitos filhos e filhas acham que
elas se tornaram avós para ser suas empregadas. Mais do que nunca preciso
demonstrar minha alegria àquela mãe que gerou um filho ou filha, e ao longo da
sua vida dividiu seu tempo com o inocente fruto do amor, mas para isso vou
pedir emprestado um trecho de uma música do rei Roberto Carlos: "Espero
que tenha sido com muito amor, e seja quem for há de achar também você tão
linda esperando neném" Quero deixar o meu abraço a àquela mãe
pobre que cuida dos filhos com carinho e ternura que dinheiro nenhum do mundo
pode substituir ou comprar, e que é semelhante ao carinho que Deus nutre por
todos nós. "Faça-se em mim a sua vontade". Foi dizendo este
sim que uma mulher se tornou a personagem mais importante da história da
humanidade e se agora eu escrevo isto foi porque uma mulher pobre humilde no
trajar e rica no trato com os filhos e de uma ternura sem par permitiu que eu
fizesse morada no seu corpo, que não soube o que era pré-natal e nem precisou
de um hospital para me ver nascer. Quero deixar o meu abraço a todas as mães
que passaram ou passam por algumas dificuldades financeiras, donas de casa e
trabalhadoras incansáveis em um ou mais empregos e que ainda encontram tempo
para acolher os filhos no colo para lhes cobrirem de beijos e abraços. Quero
deixar meu abraço a todas as mães que sempre tiveram tudo do bom e do melhor e
que souberam como ninguém repartir seus dons e seus bens com aquele ou aquela
que gerou. Hoje sou administrador voluntário de um asilo de caridade da SSVP e
vamos fazer uma festa para as mães que foram abandonadas, e sinceramente, a
minha vontade é de não convidar os filhos porque quem troca a vida de uma mãe
por uma outra vida qualquer certamente não conhece a palavra carinho e não sabe
o que é o amor. Eu sei que os asilos estão cheios mães que não souberam, não
puderam ou não quiseram cumprir seu papel de mãe e abandonaram os filhos para
que o mundo e a vida os educassem, mas todas as mães deveriam, ao acordar em um
catre no barraco de uma favela ou em uma cama de luxo em uma mansão e perceber
que ainda é querida e amada. Eu queria que nesse dia de comemoração todos os
filhos e filhas, no mais íntimo de suas almas e no momento de maior ternura dos
seus corações se mirassem no Deus da sua crença e olhassem bem nos olhos de
suas mães e dissessem bem baixinho em seus ouvidos ou falassem bem alto se elas
já não escutam tão bem, e dissessem: Mãe eu te amo e quero que saiba que quando
a sua cruz estiver pesada demais sempre haverá um lugar na minha vida para que
eu possa ter o prazer de lhe retribuir a graça de ter nascido