06 fevereiro, 2026

NÃO GOSTO DE CARNAVAL

 Quando digo não gosto não estou me referindo às escolas de samba que nos encantam em todos os carnavais.

 

A Quarta-Feira de Cinzas é início dos quarenta dias do calvário até a crucificação de Cristo. Os tambores ainda não calaram e a cuíca ainda ronca. A fantasia não foi tirada e a idiotice continua. Homens e mulheres pagam a peso de ouro um lugar nos carros alegóricos como madrinhas e padrinhos de baterias. Milhões de reais são gastos para promover essa festa para os turistas sexuais que chegam de várias partes do mundo. a indústria de bebida comemora. a indústria hoteleira também comemora. A indústria do narcotráfico festeja. Os prostíbulos e as prostitutas estão em festa. O profissional do entretenimento se realiza. Os políticos, esquecidos por uns dias, festejam. Quando a folia termina é hora de contabilizar e fazer uma reflexão dos últimos acontecimentos. Muitas mortes aconteceram nas estradas causadas por bêbados fantasiados de palhaços. O povo cujas pessoas são meros coadjuvantes nessa festa grotesca onde o pobre se sente um rei, quando na verdade mais uma vez está sendo o bobo da corte.  Depois que termina a grande maioria dos foliões do asfalto ganham o quê? Três dias de falsa alegria?  E o que o espera depois? O marido ou a mulher, abandonados junto com os filhos implorando um pedaço de pão. As contas de água e de luz atrasadas. O dono do barraco querendo receber o aluguel. Quantas famílias são desfeitas? Aqueles que consomem drogas e caviar nos camarotes vão ajudá-los a consertar suas vidas? E em outubro próximo quando começarem a nascer os filhos da folia e do carnaval? Onde andará o pai das crianças que terão a sorte de não serem abortadas? O carnaval é algo tão insignificante que nem mesmo o dicionário Aurélio consegue definir e o descreve como: Três dias que antecede a Quarta-Feira de Cinzas. Dedicado a várias sortes de diversões, Folias e folguedos, e termina com a definição de: ¨Grotesco¨. O absurdo desta aberração é que pessoas é que não gostam, como eu, somos obrigados aturar, querendo ou não, porque o país do primeiro mundo em miséria e de injustiça para de produzir enquanto o povo brinca de ser feliz. Felizes são os seguidores de religiões que promovem retiros espirituais durante esses três dias. Enquanto uma minoria faz chegar ao céu o louvor, milhões fazem questão de esquecer a existência de Deus achando que Ele também se retirou para um cantinho do céu e só retornará na Quarta-Feira de Cinzas quando as máscaras caírem.  E na volta da orgia, muitos irão para as igrejas com cara de Judas arrependido ou de santo do pau-oco como se nada de anormal tivesse acontecido.


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