Quando digo não gosto não estou me referindo às escolas de samba que nos encantam em todos os carnavais.
A
Quarta-Feira de Cinzas é início dos quarenta dias do calvário até a
crucificação de Cristo. Os tambores ainda não calaram e a cuíca ainda ronca. A
fantasia não foi tirada e a idiotice continua. Homens e mulheres pagam a peso
de ouro um lugar nos carros alegóricos como madrinhas e padrinhos de
baterias. Milhões de reais são gastos para promover essa festa para os
turistas sexuais que chegam de várias partes do mundo. a indústria de bebida
comemora. a indústria hoteleira também comemora. A indústria do narcotráfico festeja. Os
prostíbulos e as prostitutas estão em festa. O profissional do entretenimento
se realiza. Os políticos, esquecidos por uns dias, festejam. Quando a folia
termina é hora de contabilizar e fazer uma reflexão dos últimos acontecimentos.
Muitas mortes aconteceram nas estradas causadas por bêbados fantasiados de
palhaços. O povo cujas pessoas são meros coadjuvantes nessa festa grotesca onde
o pobre se sente um rei, quando na verdade mais uma vez está sendo o bobo da
corte. Depois que termina a grande
maioria dos foliões do asfalto ganham o quê? Três dias de falsa alegria? E o que o espera depois? O marido ou a mulher,
abandonados junto com os filhos implorando um pedaço de pão. As contas de água e de luz atrasadas. O dono do barraco querendo receber o
aluguel. Quantas famílias são desfeitas? Aqueles que consomem drogas e caviar
nos camarotes vão ajudá-los a consertar suas vidas? E em outubro próximo quando
começarem a nascer os filhos da folia e do carnaval? Onde andará o pai das
crianças que terão a sorte de não serem abortadas? O carnaval é algo tão
insignificante que nem mesmo o dicionário Aurélio consegue definir e o descreve
como: Três dias que antecede a Quarta-Feira de Cinzas. Dedicado a várias sortes
de diversões, Folias e folguedos, e termina com a definição de: ¨Grotesco¨. O
absurdo desta aberração é que pessoas é que não gostam, como eu, somos
obrigados aturar, querendo ou não, porque o país do primeiro mundo em miséria e
de injustiça para de produzir enquanto o povo brinca de ser feliz. Felizes são
os seguidores de religiões que promovem retiros espirituais durante esses três
dias. Enquanto uma minoria faz chegar ao céu o louvor, milhões fazem questão de
esquecer a existência de Deus achando que Ele também se retirou para um
cantinho do céu e só retornará na Quarta-Feira de Cinzas quando as máscaras
caírem. E na volta da orgia, muitos irão para as igrejas com cara de
Judas arrependido ou de santo do pau-oco como se nada de anormal tivesse
acontecido.
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