Vai começar mais um ano e milhares de pessoas juram que tudo vai ser diferente. Fortunas serão gastas com fogos de artifícios em espetáculos pirotécnicos que duram alguns minutos. Todo final e começo de ano é a mesma coisa, as pessoas se abraçam e juram que muita coisa irá mudar, mas tudo continua exatamente como começa e termina todos os anos. Nas estradas mal conservadas centenas de pessoas perdem a vida e outras tantas ficam feridas acabando com a alegria de final e começo de ano. Chuvas torrenciais chegam para ser mais um agravante dos acontecimentos, e como um vídeo tape maldito as tragédias anunciadas se sucedem e a natureza parece escolher exatamente esta época do ano para mostrar sua revolta contra a destruição das matas e florestas, das nascentes, dos córregos, das lagoas e dos rios. Contra a destruição do planeta! Contra o ser humano que consome fortunas para iluminar os céus com foguetes em festas de mentira para alegrar uma legião de pessoas sem compromisso e sem nenhum senso de responsabilidade com a preservação do ecossistema. Contra o ser humano que canta e dança, come e bebe enquanto cidades inteiras estão debaixo d`água trazida pelas enxurradas e pelos rios e córregos poluídos e em agonia. Enquanto somente os pobres e ribeirinhos de córregos imundos são atingidos o clamor da mídia é apenas um sussurro. Mas quando os bairros nobres são atingidas, aí é tragédia, e as mídias fazem um verdadeiro escarcéu. E todo ano é assim. Toneladas de lixo e de entulhos são jogados nas ruas, nas calçadas e nos leitos de córregos e de rios que os devolvem parecendo estar com raiva ao destruir tudo ao seu redor. Barracos são construídos nas encostas e à beira de córregos. Prédios e mansões são construídos em cima de nascentes e de encostas desmatadas nas chamadas áreas nobres das grandes cidades fazendo com que a água fique escassa sem se importarem se em pouco tempo ela deixará de matar a sede de todos os viventes. Os governos, em todos seus escalões, são omissos. Com o aumento dos atingidos pela tragédia aumenta também a possibilidade de resolver o problema de alguns em troca de votos na eleição seguinte. Inundações. Tragédias e compra de votos. Acontecimentos corriqueiros de fim e começo de ano. E entra ano e sai ano, tudo se repete.
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