Escrevi este texto há mais de dez anos. Como
nada mudou resolvi publicar novamente
Faço parte de uma geração que está se despedindo do mundo e infelizmente
tenho a impressão de que não estaremos sozinhos na hora do
réquiem. Milhares de pessoas estão matando e morrendo em uma guerra urbana
que dizima, principalmente os mais jovens que estão deixando-se dominar pelos
aparelhos eletrônicos que os escravizam e pelas drogas que os liquidam. Em
muitos lares cada membro da família fica recolhido em um canto longe uns dos
outros para interagir com seus "amigos" virtuais. E agindo assim
esquecem que para ser uma família de verdade é preciso que cada membro seja
acolhido com amor e tratado com ternura. É este acolhimento que está
faltando dentro dos lares e desestruturando totalmente o elo familiar. A
tecnologia é mutante e a cada dia surge um novo aparelho e um novo aplicativo e
as pessoas vão se deixando programar e se tornam cada vez mais
artificiais. A cada geringonça nova que surge o meu coração perde um pouco
do seu compasso e a minha consciência me leva a procurar cada vez mais por Deus
que está sendo substituído por um chip qualquer. Estão lançando um novo
aplicativo e dizem que é para facilitar a interação entre as pessoas
dentro de um bar, de um restaurante, de um shopping, em uma boate ou qualquer
lugar de aglomeração. Os amantes da tecnologia estão achando isto uma
maravilha e sentindo-se felizes porque basta cadastrar seu perfil e o
aplicativo lhe mostrará outra pessoa com um comportamento semelhante ao
seu para se relacionarem. E onde fica a conversa e o encantamento do
relacionamento do olho no olho e a magia do flerte quando dois olhares se
cruzam? Estamos cada vez mais à mercê da inteligência artificial. As
máquinas estão conseguindo copiar os humanos e se tornando donas de seus
movimentos e das suas próprias ações. E o que temos hoje de amor.
sensibilidade, carinho e ternura que as novas tecnologias não poderão copiar? A
frieza de uma máquina não vai conseguir substituir a amizade, o carinho, a
doçura e o amor e nem mesmo a insensatez e a intolerância do ser
humano. Máquinas não amam! Então o que ela vai formatar? Com certeza
a maneira de ser insensível e egoísta que nos faz esconder atrás de um aparelho
eletrônico e cuidar mais e melhor dos animais a ponto de relegarmos a segundo
plano o contato com os nossos semelhantes. Esta é a razão da minha preocupação
e do meu medo! Não vou estar nesse mundo para assistir esta aberração,
mas fico triste só de imaginar a minha futura geração sendo dominada por um
punhado de plásticos, por uma placa mãe que não armazena emoções e por uma
memória Ram que não guarda saudades e pelos Chips que serão suas algemas os
impedindo de viverem do jeito e da maneira que quiserem.
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