BETIM, UM PARAÍSO SENDO DESTRUÍDO

29 maio, 2022

CARIDADE E VOTOS NÃO SÃO ESMOLAS


 

Caridade não é estender o braço e jogar uma moeda no chapéu ou na latinha do esmoler sem ao menos olhar na sua cara para ver qual foi a sua reação.
Caridade é algo muito mais amplo.
É acolhimento.
Entrega!
Partilha de verdade.
A melhor maneira de fazer caridade é inicialmente não doando nada material para a pessoa que talvez seja mais um profissional da mendicância. É preciso doar um pouco do seu tempo para tentar descobrir por que aquela pessoa se encontra naquela situação.
O grande papel da caridade não é simplesmente matar a fome das pessoas, ela é muito mais abrangente e o seu público-alvo nem sempre é alguém que está na miséria absoluta.
Caridade é enfrentar as meias verdades dos que matam a mãe todos os dias e sai pedindo dinheiro para "ir ao hospital ou para o sepultamento".
Acolher a pessoa que bate à sua porta e tentar compreender o motivo que a faz perambular se humilhando de porta em porta é a única maneira de saber com quem está lidando. E muitas vezes o motivo é fútil porque o pedinte é mais uma das milhares de pessoas que se acostumaram com a pobreza.
Mas se não houver essa conversa, o olho no olho, como descobrir?
É preciso conhecer as instituições sérias voltadas para este trabalho e encaminhar essas pessoas para que uma sindicância seja feita a fim de se conhecer a realidade do que está sendo narrado.
Caridade é conhecer e combater os mecanismos e instituições que promovem a pobreza. Mas para isto é preciso ter coragem de enfrentar os poderosos que com suas mentiras prometem o céu para que os pobres continuem vivendo no inferno.
Estamos em mais um ano eleitoral e tudo me leva a crer este será o pior de todos, visto que os governantes atuais já demonstraram uma aversão muito grande contra as pessoas mais pobres.
Votar não é simplesmente comparecer na sua "zona" eleitoral e votar para qualquer um que lhe deu alguma coisa em troca deste precioso voto. Votar consciente é procurar saber um pouco da vida do candidato escolhido para ter certeza que ele ou alguns dos seus parentes, como avós, pais, irmãos, primos, filhos, esposas, em fim, procurar saber se alguém da família já não ocupa cargos públicos com salários que são uma afronta a quem recebe o mínino para não morrer de fome. 
Infelizmente, neste país das injustiças, de dois em dois anos precisamos dar uma passada na zona para votarmos nos melhores candidatos, mas infelizmente somos obrigados a eleger os menos ruins.
Nesta eleição, 2022, com certeza, muitas pessoas humildes serão obrigadas a votarem nos candidatos que pregam a violência e o racismo hediondo que assola nosso país. Com certeza, a milicianos criminosos que dominam as periferias já estão a postos para angariar votos para aqueles que os comandam de dentro dos gabinetes dos poderes. Com certeza, as milicias de assessores e de cabos eleitorais já estão se preparando para irem de boteco em boteco para comprar o voto a troco de uma cachaça e para irem de barraco em barraco comprarem a única coisa que o pobre tem para dar em troca do voto: sua dignidade.
Ano eleitoral!
Que deveria ser um ano de alegria para este povo sofredor, mas que não passa de um grotesco espetáculo neste grande circo chamado brasil onde as pessoas mais pobres fazem o papel de mágicos para sobreviverem e de palhaços para fazerem rir os telespectadores macabros que ficam assistindo confortavelmente nos gabinetes acarpetados do poder
Votar não é simplesmente escolher e digitar um nome qualquer na urna eletrônica que o atual presidente diz não ser confiável, assim como ele também não é.


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