Publiquei esse texto no USINA DE LETRAS em abril de 2009 e foi lido 1500 vezes
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Foi assim que o bestonaro deixou a nossa Amazonia. |
Depois
de uma noite de tempestades, pela manhã fiz a minha caminhada de todos os dias
e por uns instantes voltei ao passado e fiquei emocionado. Senti saudades
quando olhei para o que já foi o rio da minha infância quando transbordava com
a água encostando na ponte. Como se meu pensamento fosse uma máquina do
tempo retrocedi exatamente há uns cinquenta anos atrás e me vi pescando nesse
rio. Ouvi a cantiga das lavadeiras e a algazarra da garotada pulando de
mergulho de cima dos galhos dos ingazeiros que margeavam o rio. Mas a máquina
do tempo era irreal. O rio também era irreal. Assim que as chuvas forem
embora e as águas baixarem a natureza terá deixado de presente para a população
um monte de lixo que o rio acumulou durante a seca. Rio não produz lixo!
Ele é produzido por pessoas que se dizem humanas que são a miséria do mundo e
se misturam com o que não presta, e nesse país das falmacutaias todos os dias
somos inundados por notícias de roubalheiras e de desvios de verbas públicas
que nunca são recuperadas, e nenhum ladrão engravatado vai parar na cadeia
porque são a escória da sociedade que produz o lixo e intelectual cuja elite
nada faz para preservar a natureza e jogam a culpa no pobre da periferia pelo
entupimento das redes de esgoto. Pobre não produz lixo! Mas infelizmente,
para muitos políticos ele é simplesmente um lixo que só serve para votar. Por
que resolvi misturar esses dois lixos, o ecológico e o humano? Simplesmente
porque o lixo da escoria política e empresarial é que roubam o dinheiro que
deveria ser usado para recuperar a natureza agredida. Pobre não produz
lixo! Quanto mais consumo mais lixo e menos conscientização de que é preciso
recuperar o mundo doente para que a geração de agora e para as futuras que
virão possam pelo menos sobreviver. Senti saudades! Sinto
pena! Da natureza que está destruída e deixando de existir e do ser humano
corrompido pelo poder e pela ganância. Enquanto as pessoas pobres não
forem consideradas parte integrante da sociedade e não apenas um voto ambulante
que pode ser comprado com qualquer coisa. Enquanto os poderosos não
quiserem entender que é a busca frenética pelo lucro que cria os abismos que
separam os ricos dos pobres este nosso país continuará sendo um imenso lixão a
céu aberto e os rios serão sempre uma lembrança boa somente nos dias de
temporais.

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