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24 de set. de 2010

CUIDAR-SE PARA BEM CUIDAR.

QUEM CUIDA DO CUIDADOR?

















Fico olhando os funcionários do Lar Divino Ferreira Braga, e vejo o cuidado e o carinho que todos tratam os moradores. Os legítimos donos da casa.
Alguns dirão: Eles ganham para isto. O que a grande maioria esquece é que afeto, carinho e caridade não são moedas de troca. Ninguém compra ou vende aquilo que só pode ser medido pelo coração.  E ninguém pode dar aquilo que não tem.
Algumas têm a função de cuidadoras. Mas todos que trabalham aqui também são cuidadores.
A cozinheira ao dar seu toque especial no tempero para alimentar pessoas que talvez nem sintam o sabor da comida. O motorista com o cuidado de quem transporta uma joia, ao transportar corpos frágeis que precisam de cuidados especiais. A faxineira precisa saber onde passar o rodo, e qual a melhor maneira para se lavar tal área.
E assim, cada um na sua função dá o melhor de si para quem, no final da vida já perdeu quase tudo.
Todos são cuidadores. Mas quem cuida dos cuidadores?
Será que em casa eles recebem o mesmo carinho que distribui durante sua jornada de trabalho? Será que os maridos, as esposas, e os filhos sabem e reconhecem o papel importante que eles representam na vida de cada morador?
Será que o salário que elas recebem é digno para tão sublime tarefa?
E é suficiente para o cuidado com a saúde, e com a beleza do corpo?
E fico pensando... Como cuidar de alguém, se não consigo cuidar de mim mesmo?
Quando estou com algum problema, tenho a quem recorrer?
Os trabalhadores das instituições de caridade, ou de qualquer área que cuida da saúde dos outros, precisam terem condições de levar uma vida saudável.
Principalmente no lado psicológico.
É preciso cuidar-se para bem cuidar. Para isso é preciso buscar uma sintonia com a natureza, com as pessoas, e principalmente com Deus.  Para terem pensamentos positivos quando estiverem cuidando de um acamado que já não tem movimentos que ajudem no cuidado. Para ter atitudes de caridade quando um morador ou um dependente recusa sua ajuda, e sentimentos de paz quando ocorrer um desentendimento, ou quando algum dos moradores reclamar dos seus cuidados.
Ser os olhos, as pernas, ou os braços dos outros, é missão que Deus designa para poucos.
Os que assimilam o lado sagrado desta jornada crescem e levam junto os dependentes dos seus cuidados, e os que não atendem ao chamado, são simplesmente funcionários.
Ser cuidador é missão.
Assalariado ou não.
Quem aceita, é doador.

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