24 de ago. de 2010

A CASA QUE EU MESMO CONSTRUÍ.



















Estou sentado na varanda da casa que eu mesmo construí com muito suor e sacrifício, tendo que dividir meu tempo com o trabalho, com minha esposa e os meus filhos para quem eu construía.
E agora ela não é mais minha.
Perdi as forças para governar meu próprio corpo. Preciso de ajuda para me locomover, e até para me deitar.  No começo parecia que alguém me amava e não se importava em cuidar de um fardo sem utilidade. Mas em pouco tempo a paciência pediu licença e foi embora, levando consigo a caridade, o carinho e o amor. E comecei a me sentir um estranho dentro da própria casa que eu mesmo construí.
Até que um dia dois estranhos vieram me visitar, e sem dúvida eram pessoas caridosas.
E ao conversar com aquelas pessoas elas me fizeram a pergunta que eu nunca imaginara ouvir: O senhor sabe que estão querendo colocá-lo em um asilo? Eu sabia, mas disse não saber. A pergunta seguinte foi ainda mais dolorosa: O senhor quer ir?  Até parece que eu tinha querer!  E sem ação, um não ficou entalado na garganta
, e percebi que teria de abandonar a casa que eu mesmo construíra, e que o carinho e atenção que preciso terá que vir de fora desta mesma casa.
Fui para o asilo. Os primeiros dias foram de dor. Agora eu não ouvia mais a algazarra de crianças, e os meus companheiros, agora parentes, são pessoas com o mesmo problema. Durmo até a hora que o corpo pede para levantar. Tem alguém que me leva para o banho. Tomo o café da manhã, fico sentado em uma poltrona olhando para outro mundo que agora termina em um muro alto intransponível para mim.  Tem hora para almoçar, estando ou não com fome. Ainda não me acostumei com os gritos e gemidos dos meus colegas de quarto, mas posso me deitar e levantar quantas vezes quiser, dormir ou fingir que estou dormindo para que o tempo passe mais rápido.
Sou escravo de mim mesmo, do meu tempo, e do tempo dos outros.
De vez em quando pessoas simpáticas aparecem para conversar, parecendo querer substituir alguém que não deveria querer ser substituído.  E fico esperando não sei o quê. Porque não sei se um filho que visita um pai, ou uma mãe em um asilo, ainda é filho ou só mais um visitante. E também não sei se uma mãe ou um pai colocados em um asilo podem ou merecem serem chamados de pais. Meus filhos agora são pessoas que não gerei, e que cuidam de mim. Dizem até que se alguém quiser pode me levar para passear, dormir uma noite ou outra na minha antiga casa. Mas eu não tenho mais a casa que eu mesmo construí, agora ela é propriedade dos herdeiros que eu gerei. Não quero ficar indo e vindo. Preciso me desligar do passado. Sei que não vou esquecer o sorriso dos netos. Mas até quando meu corpo deixar, quero me lembrar dos acertos e desacertos na criação dos meus filhos.
Agora só restam lembranças. Inclusive da casa que eu mesmo construí

2 comentários:

  1. OI GERALDO!
    MUITO TRISTE,MAS REAL.
    ABRÇSZilanicelia.blogspot.com
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  2. O olhar ao idoso no Japão e na China, por Silvia Masc

    Data: 28 de junho de 2013

    Na China e no Japão, a velhice é sinônimo de sabedoria e respeito. O fenômeno envelhecer é natural e inerente a toda espécie e tem sido preocupação da chamada civilização contemporânea. Os idosos são tratados com respeito e atenção pela vasta experiência acumulada em seus anos de vida. A família é o Porto Seguro do idoso.



    Os familiares mais jovens declaram com orgulho os sacrifícios realizados pelos seus idosos em benefício da família, como a iniciação ao trabalho muito cedo com pouca instrução para o sustento e estudo dos filhos, demonstrando sempre alegria, festa e plenitude pela presença do idoso.



    A cultura dessas sociedades tem como tradição cuidar bem, glorificar e reverenciar seus idosos, resultado de uma educação milenar de dignidade e respeito.Os japoneses consultam seus anciãos antes de qualquer grande decisão, por considerarem seus conselhos sábios e experientes.



    Em outros grupos das sociedades antigas, o ancião sempre ocupava uma posição digna e era sinônimo de forte aspiração perante todos. Os idosos têm intensa atuação nas decisões importantes de seus grupos sociais, especialmente nos destinos políticos.

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