7 de jun. de 2012

NÃO EXISTE MORADOR DE RUA

ALGUÉM MORA AQUI PORQUE GOSTA?





















Fiquei observando as pessoas que moram nas ruas com seus problemas, seus abandonos, encontros e desencontros. Uma grande multidão é dona de nada porque a vida lhes tirou tudo. Ou melhor, esses “donos do mundo” não sabem o que é viver, porque a sociedade lhes tirou até sua dignidade.
“Todo cidadão tem direito à moradia digna”. Isto é o que está escrito na constituição. 
Constituição que deveria ser rasgada.
Quem se preocupa com esses brasileiros sem identidade?
Algumas instituições de caridade e alguns anjos que habitam a terra lutam pelos direitos desses deserdados que deveriam serem amparados pelo governo. Como o estado é omisso, e cada vez mais quer um povo dependente de esmolas, os moradores do mundo vão se instalando aonde houver um espaço vazio.
E o vazio aumenta na alma de quem se sente sozinho na multidão,
A fome que machuca.
A indiferença que maltrata.
O abandono que isola.
Parece que até o próprio Deus não se interessa por suas vidas. Engano, Ele se faz presente na vida que se multiplica em partos doloridos, em concepção sem querer e saber.
E o milagre acontece quando do meio dessa gente surge um iluminado que consegue sair do mundo de ninguém. Muitas vezes esse milagre não se completa. Muitos, em pouco tempo são tragados pela nova sociedade, e facilmente apagam da memória os dias e as pessoas donas de nada com as quais convivia
Em contra partida, sempre aparece um desses iluminados que deu volta por cima, fazendo a diferença ao dar sua contribuição para que o número dos deserdados da sociedade diminua.
Uma minoria quer viver como errantes, e não aceitam perder a liberdade que prende.  
Afinal, desde a criação do mundo os nômades eram vistos nos quatro cantos da terra. Uma grande maioria deseja ardentemente fincar raízes em algum lugar. Mas ser dono de tudo e de nada, não ter motivo para olhar para trás. e nenhuma perspectiva para olhar para frente, muitas vezes faz o ser humano se tornar irracional. E muitos os chamam de vagabundos. E muitos os chamam de marginais.
Ninguém quer ir ao cerne da causa que joga na sarjeta os deserdados do destino, enquanto a riqueza do país vai para os bolsos de uma minoria por causa da inércia da justiça que não quer estancar a corrupção. Que começa sempre quando o braço da lei é impedido de entrar nos gabinetes acarpetados do poder, onde ao redor de grandes mesas de reunião é traçado o destino do povo que é mera mercadoria de troca.
Precisamos de paz.
Precisamos lutar.
E a paz tão almejada por todos só será alcançada quando nenhum ser humano tiver que se levantar de manhã sem coisa alguma para lembrar, sem um lugar para ir, ou um lugar para voltar
Não existe morador de rua.
Rua não é casa, viaduto e ponte não são quartos, nem sala e cozinha.
Esses nossos irmãos na verdade são prisioneiros da ganância de poucos, e da conivência de muitos.

Um comentário:

  1. Olá Geraldo!

    Uma grande postagem que relata a vida como ela é.
    Deve ser muito dolorido viver assim. E as únicas pessoas que podem fazer algo pra acabar com tudo isso, são os politicos. Mais eles nunca farão, porque a ganância não os deixa ver os mais necessitados.
    O povo precisa saber o valor do seu voto, só assim talvez algumas coisas possa ser mudadas.

    Grande abraço!

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