1 de mar de 2011

PLACA MÃE NÃO GERA FILHOS













Este texto é fruto de uma discussão entre pai e filho às 03 Hs da manhã, simplesmente porque meu filho não queria desligar o computador. 
Já faz alguns anos que foi lançado o filme “O  CURIOSO CASO DE BENJAMIN BUTTON” onde o autor retrata a história do nascimento ao inverso, a pessoa nasce adulta e vai regredindo até morrer.
Não vi o filme e pelo que ouvi acho que não gostaria, seria grotesco demais.
Estamos na era da eletrônica e da alta tecnologia, robôs já fazem serviços domésticos e cachorros de lata vigiam as casas.
Uma das primícias do ser humano é envelhecer.
Os jovens ainda não entenderam isto.
As geringonças eletrônicas não envelhecem, rapidamente ficam obsoletas e logo são substituídas por outra mais moderna, a tecnologia avança a passos largos e é mutante, muitas vezes deixando para trás sentimentos de ternura.
Os filhos entendem muito de Disco Rígido.
Houve tempos que o pai era chamado de “esteio da casa”, para os mais jovens; esteio é a peça principal de um telhado.
Hoje o disco rígido armazena as informações que cada um acha do seu agrado e os esteios vão ficando esquecidos na lixeira ou se tornam simplesmente um rascunho.
Os filhos agora entendem tudo de Placa Mãe.
Que não chora e não pode gerar filhos.
Mas é a responsável pelo funcionamento da maquina onde todos os componentes são acoplados e sem ela o computador não existiria.
Igualzinho à Mãe de carne e osso, que abraça todos os filhos com amor e carinho e sem ela a família não existiria.
O problema é que ela pensa e não aceita ser formatada na hora que o filho quiser.
Os pais não são perfeitos como os computadores, então é preciso deletar lembranças de ser empurrado em carrinhos de bebês e de noites mal dormidas, porque alguém chorava ou ficava doente.
Para quê conversar com quem não se deixa ser modificado num simples apertar de uma tecla?
Os amigos agora são virtuais.

Os amores são superficiais.
Nós, acima dos 50 anos estamos sendo vencidos pela tecnologia que oferece muito mais atrativos para os nossos filhos.
Que só pensam em nos deletar do seu circulo de amizades e da própria vida.
Na mesma proporção que a tecnologia avança, os corações embrutecem e o pensamento é sempre vencer mais um desafio destes jogos violentos que nada acrescentam no crescimento moral e intelectual de quem se deixou escravizar por uma maquina.
Os nossos filhos!
Que se trancam nos quartos.
Seu disco rígido não tem espaço para momentos de cumplicidade com os pais.
Sua memória RAM não consegue lembrar quantos abraços e beijos foram compartilhados.
Para quê conversar com quem responde no mesmo tom ou com alguma autoridade?
As maquinas humanas, que formataram suas vidas com carinho e amor, sem disco rígido e sem placa mãe, estão ultrapassadas e precisam ser jogadas em um quartinho dos fundos, misturando-se com as geringonças eletrônicas obsoletas.
Alguns receberão uma visita de vez em quando em um asilo de caridade.
Se os jovens não pararem para pensar, e realmente fizerem a inclusão do amor junto com a inclusão digital, daqui a poucos anos o mundo será habitado apenas por robôs, e os da minha geração irão se encontrar com a mãe terra muito antes do que pensavam.
Enquanto eu tiver forças vou lutar contra o lado perverso deste senhor de engenho chamado computador que escraviza nossos jovens

2 comentários:

  1. Olá estimado Geraldo,

    Amigos virtuais e amores superficiais. É isso mesmo.
    Através da NET, tudo se pode comprar, obter. Até o AMOR, veja bem.
    Claro, que a Informática tem muito de positivo, em muitas áreas, mas falar, dialogar às refeições, passear juntos, namorar no jardim, no pub, ouvir uma música romântica, tanta coisa, que as máquinas jamais farão.

    Abraços de luz.

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  2. Olá Geraldo! Adorei seu texto sobre a placa mãe.
    Ah se os filhos desta geração soubessem realmente que os afagos, os olhares, os abraços apertados, não poderão substituir nunca uma máquina.
    Tenho medo desta geração que se esconde, que não sente essa necessidade do toque, pois o que será deles? Os diálogos estão cada vez mais escassos, os video-games tomaram o lugar do aconchego. Tenho visto muito isso em familias de adolescentes modernos.Mas acredito que se chegamos no limite perverso, alguma coisa há de seguir o movimento histórico, rítmico da vida que grita a presença e os toques humanos tão necessários para o desenvolvimento das crianças. Sei que um dia chegaremos a dar essa volta. Acredito no grito da mãe terra, no cuidado com a natureza, no cuidado com o meio ambiente. Daqui há alguns anos o ser humano irá gritar novamente o grito do abraço, dos olhares sem interesse, do toque incondicional, das lágrimas incontidas e por aí vai............Há não ser que inventem máquinas que chorem. Duvido. O ser humano é único criado a imagem e semelhança de nosso Pai encarnado em seu filho Jesus Cristo.Abraços. Seu texto é lindo , mexeu comigo. Desculpe o desabafo. De sua grande amiga e irmã em Cristo. jane.

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