03 março, 2021

OLHARES

 

 Desculpem estar usando este espaço que deveria ser de alegria e meditação.  Mas não posso ficar calado diante das atrocidades deste governo assassino. Quero deixar aqui o meu sentimento de tristeza e de pesar às famílias dos 257.416 (DUZENTOS E CINQUENTA E SETE MIL, QUATROCENTOS E DEZESSEIS brasileiras e brasileiros  assassinados pelo por um governo cujo presidente e seus comparsas  não se preocupam com a saúde e com a vida dos seus compatriotas.

 


                                                    OLHARES.    

 

Todas as manhãs quando acordo a primeira coisa que faço é ir para a varanda olhar para o firmamento e receber na minha alma e no meu corpo a luz e o calor do sol.
E olhando para o firmamento com sua cor azul celeste salpicado de nuvens brancas de muitos formatos e tamanhos, sinto-me como um minúsculo grão de areia no meio de um imenso deserto.
Olhando para o céu em dia nublado fico encantado com a negritude das nuvens que certamente derramarão água em forma de chuva que traz vida para todas as criaturas.
E no aconchego do meu lar olho com admiração para os raios que cruzam o céu mostrando para nós mortais o quanto somos frágeis.
E logo em seguida vem o barulho dos trovões que mais parecem gritos de agonia de um planeta que está sendo destruído.
Todas as tardes durante minha caminhada de todos os dias fico procurando um ponto de referência da natureza para que possa fixar meu olhar, e assim caminhar tranquilamente como se estivesse indo me encontrar com o universo.
Ao chegar em casa vou direto para o meu quintal observar minha pequena horta que é meu encantamento. E com alegria olho para os pés de Acerola e de Pitanga que enfeitam meu quintal com seus frutos vermelhos.
À noite sinto-me tremendamente agradecido quando olho para o firmamento coberto de estrelas de todos os tamanhos cujas luzes inundam meu coração de ternura e minha alma de uma paz que só poderia vir do céu.
Quando tenho a felicidade de ter a visita do meu neto Bernardo, de quatro anos, a felicidade se multiplica quando ficamos como duas crianças brincando de encontrar a estrela mais brilhante.
Não sei o nome das estrelas que vejo.
Seria muito bom se eu tivesse somente esses olhares.
Mas não posso ficar olhando sempre para cima, preciso olhar para a terra e para as coisas que me cercam.
Preciso olhar para o mundo!
Preciso observar as coisas e as pessoas que estão ao meu redor
E ao olhar!
Uma tristeza imensa faz doer meu coração.
A minha cidade e praticamente todas as cidades do meu país, com raríssimas exceções, se parecem com os lixões a céu aberto que existem praticamente em todas elas.
A pista onde caminho circunda o que antes era um rio com sua água cristalina cantando sobre as pedras, e agora não passa de um canal onde são jogados o esgoto, o lixo e os entulhos de uma população cuja maioria não sabe o que é preservação da natureza.
Nesse antigo rio também são despejados os lixos produzidos por empresas cujos donos gananciosos também não sabem o que é preservação, ou fingem não saber ao destruírem tudo em nome do progresso.
E sinto uma agonia que machuca!
E o meu olhar de ternura desaparece quando ando pelas ruas e calcadas “enfeitadas” pelo lixo e pelos entulhos jogados por pessoas que olham somente para o vazio.
Sei perfeitamente que nem todas as pessoas têm condições de ter os mesmos olhares, e que cada um tem sua maneira de olhar e de viver.
Mas sei também que muitas estão precisando olharem mais para o céu para enxergarem o mundo com um olhar de quem cuida das coisas de Deus.
Ah! Se todos olhassem para o céu!
Ah! Se todos preservassem a natureza
.

 


3 comentários:

  1. Respostas
    1. Olá meu amigo desconhecido. Muito obrigado por ter lido, e também pelo comentário singelo. Espero que continue lendo.
      Um abraço, paz e bem

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  2. É, irmão!
    Olhar para o Céu requer mudança de vida.
    Este compromisso com o Céu poucos querem assumir e assim continuam cabisbaixos olhando, muitas vezes com ódio, indiferença e etc para o chão.
    Felizes são aqueles e aquelas que insistem, mesmo diante das adversidades, à continuar olhando para o céu.
    Aprendemos com você, irmão!

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