13 de dez de 2010

DOIS MUNDOS


IGREJA NS DO ROSÁRIO - BETIM - MG
Hoje deu uma vontade de fazer um paralelo entre os dois mundos aonde tive a sorte de viver.
Não sou nenhum extraterrestre, mas as mudanças no comportamento, a degradação do ser humano e da ecologia, a aberração em que se transformou a musica e a cultura e a arte, dão-me a impressão de ter vivido em mundos diferentes.
E olha que não estou tão velho assim, tenho sessenta anos.
Sou do tempo que os quintais não tinham muro e a televisão era sonho de consumo dos ricos, e quem trazia o neném para a mãe era o avião ou a cegonha.
Fruta era comida no pé e muitas vezes no quintal do vizinho.
Hoje o quintal do vizinho é campo minado.
Presídio era só para prender os inimigos dos ditadores.
Crimes eram somente os passionais e os para “lavar” a honra.
Hoje poucos sabem o que é honra.
Os tempos mudaram.
O progresso trouxe muita tecnologia e também muito abandono.
Os amigos foram trocados pelo computador e bate papo do portão foi substituído pelo MSM e do Orkut e tantos outros sites de relacionamento.
Coisa de maluco, que graças a Deus não conseguiu me seduzir!
A mãe que cuidava do filho agora é obrigada trabalhar fora e a babá eletrônica a substituiu fazendo crescer crianças neuróticas.
Hoje, poucos recém nascidos terão a sorte de se tornarem crianças.
Na periferia, muitas vezes ele é abandonado por ser filho da miséria, nos bairros nobres é criado livre como um cão sem dono que decide o próprio destino, sem limites.
E constantemente estamos assistindo os filhos da liberdade, criados com todo o luxo, se enveredando pelo caminho do crime, matando inocentes e traficando drogas.
Graças a Deus existem maravilhosas excecões.
Depois de agredir uma mulher sem nenhum motivo, o pai do agressor teve a coragem de dizer: “Ele é um menino de 19 anos e está na faculdade”.
Qual é a diferença entre este marginal ou aquele, que de escola teve as ruas e como professor o traficante e assassino das periferias e dos morros?
Nenhuma!
Ou talvez muitas.
O “menino que está na faculdade” deveria, teoricamente, ter recebido uma educação onde o respeito às leis e ao direito dos outros fosse um diferencial na vida de quem tinha quase tudo.
Quero deixar bem claro que aqui estou colocando a minha percepção pessoal, cada um tem o direito de formatar sua vida de acordo com o padrão que escolheu.
Criança fantasiada de adulto só é aceitável quando ela mesma, na sua inocência resolve imitar o pai ou a mãe, mas levar os filhos para programas de televisão e os expor como cachorrinhos de estimação é a coisa mais esdrúxula que se pode ver.
Chamar de arte uma novela onde o sexo e a luxuria são apelos irresistíveis para uma pequena minoria, e um estilo de vida aonde ninguém trabalha e todos têm “cara de rico”, é simplesmente, na minha modesta opinião, inconcebível.
Chamar de festa popular e de cultura, um carnaval eletrônico onde a musas peladas pagam para ser madrinhas em escolas de samba, é no mínimo uma incoerência.
Recuso-me comentar as musicas tocada nas ruas e os filmes vendidos a dois reais nas bancas dos camelôs.
“Vai chegar o tempo que o homem terá vergonha de ser honesto”.
Quem nunca ouviu isto?
Dizem que o dono desta frase foi Rui Barbosa.
Será que ele, com toda a sua inteligência, conseguiria viver num mundo cheio de armadilhas para surrupiar o dinheiro e os bens dos outros?
Financeiras.
Bancos.
Empréstimos consignados para enganar os mais humildes.
Impostos abusivos, este já era esperado porque foi herança da colonização.
Juros embutidos e promoções de mentira, do tipo, comprem um celular e fale tantos minutos de graça.
E para terminar: das pessoas que você conhece quantas tem consciência real do perigo que o mundo corre com a iminente falta de água?
Quantos fazem algo para evitar que ocorra?
Ou a maioria é como os que estão ao meu redor.
Não estão nem aí.
Quando eu era jovem não se falava em ecologia porque ela era parte integrante da vida do ser humano.
Hoje nem a própria vida é parte integrante.

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