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02 novembro, 2023

DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA

 Escrevi este texto  em Março de 2006. Alguma coisa mudou?


Todo dia vinte de novembro é comemorado o Dia da Consciência Negra e sinceramente não sei o que isso significa. Será que é olhar para a própria pele e sair gritando pelas ruas: Eu sou preto? Ou olhar para dentro de si mesmo e dizer para todo mundo ouvir: Eu sou diferente dos outros apenas na cor da minha pele.
Por que não criam  o dia da consciência branca? Seria até cômico ver muitas pessoas idiotas que se acham da raça “superior” saírem pelas ruas gritando: Eu sou um branquelo! Façam-me o favor! Na minha modesta opinião, criar este feriado nada mais foi do que oficializar o racismo e a segregação racial e Infelizmente muitas pessoas violentas e sem princípios se veem no direito de agredir os nossos irmãos e irmãs negras. Na minha opinião, mesmo sendo um analfabeto, não foram somente os negros, e a até hoje não são, os únicos escravizados. Escravos foram e ainda continuam sendo as pessoas pobres, independentemente da sua raça ou da cor da sua pele. Outro dia vendo e ouvindo o noticiário, fiquei indignado e desliguei o televisor. Isso foi logo depois de ouvir que os nossos “valorosos” deputados federais deram mais uma demonstração de insensatez e despreparo ao aprovarem a lei de cotas nas universidades públicas onde metade das vagas serão reservadas para os Negros, Pardos, Índios e alunos do ensino médio que estudaram em escolas públicas. Ao criarem mais essa lei idiota eles  acham que estão sendo justos com os menos favorecidos. Esses cidadãos que ficam inventando nomes e datas dizendo que é para comemorar alguma coisa não têm mais o que fazer? Será que eles não sabem que qualquer benefício do poder público para o povo deveria levar em conta a situação socioeconômica da família? Não importando se forem negros, brancos, albinos, mulatos, índios, ou de qualquer outra etnia? Quando criaram essa cota, milhares de branquelos passaram a jurar que eram negros e filhos, ou netos de afrodescendentes.  Por que não criam o dia da consciência honesta para que todos possam sair às ruas e praças gritando bem alto: Eu sou honesto.
Aí eu queria escutar quantos gritos se ouviria por esse imenso país afora, e tenho certeza que  em muitas ruas, bairros, e cidades inteiras o silêncio reinará absoluto. Eu queria uma nova lei áurea. Uma nova abolição que libertasse os verdadeiramente pobres de todas as raças e cores, do jugo dos políticos sacanas que ditam leis também sacanas que roubam os sonhos das pessoas. O nosso país só ficará livre de todos os preconceitos quando a justiça deixar de ser cega para os crimes cometidos por pessoas ricas e poderosas, e punir com rigor quem agredir outras por causa da cor da sua pele, da sua pobreza ou da sua crença. Poderiam criar também o dia da consciência de justiça para que todos os injustiçados pudessem sair às ruas e praças gritando bem alto: Queremos igualdade independentemente da cor da nossa pele, do nosso cabelo crespo ou liso, dos olhos arregalados ou puxadinhos, ou da fé que professamos. Queremos escola, lazer e saúde de qualidade para nossos filhos, sejam eles um negrinho ou um branquelo azedo. Não queremos cota nas universidades, exigimos o mesmo tratamento para disputarmos de igual para igual com todos que se formam doutores nesse país das desigualdades. Nos indignamos com o estacionamento das universidades públicas com seus carrões afrontando o aluno pobre que sequer teve acesso a uma escola pública de qualidade. Ao criarem essas malditas cotas os políticos abriram brechas para todo tipo de falmacutaia. Por exemplo: o ENEM foi criado para avaliar o ensino das escolas públicas, mas  assim que o seu resultado passou a ser item de avaliação para se entrar em uma universidade rapidamente foi estendido às escolas particulares abrindo espaço para a criação de cursos preparatórios para atender e preparar os filhos preguiçosos da elite. Ao criarem estas cotas, os ricos passaram a matricular seus filhos em escolas públicas de manhã e em escolas privadas à tarde, ou vice e versa. E as vagas nas universidades públicas que teoricamente seriam dos pobres, com certeza continuaram e continuam sendo ocupadas pelos filhos da elite. É preciso abrir as portas do que é público para dar acesso somente aos mais necessitados.
"Se um dia o grito da consciência de justiça acontecer todos os outros poderão ser esquecidos" nos foi dito pelo ator norte americano MORGAN FREEMAN