10 de mai de 2011

VIA SACRA DE JESUS E DO MUNDO



 PRIMEIRA ESTAÇÃO: JESUS É CONDENADO À MORTE
                                     A TERRA TAMBÉM ESTÁ CONDENADA.
“Quem pensa só em seus próprios interesses, não gosta de ouvir falar em partilha, justiça e solidariedade”. “A criação geme em dores de parto. Que não seja dor de agonia, mas um murmúrio de esperança”.
Infelizmente a dor é de agonia, a natureza está gritando há muito tempo para uma legião de surdos que só pensam em lucro e desmatam em nome do progresso. O mundo está morrendo e nós já o estamos velando há muito tempo, assistindo passivamente seu holocausto sem nos preocuparmos com as futuras gerações.
SEGUNDA ESTAÇÃO: JESUS CARREGA A CRUZ
                               OS RIOS CARREGAM NOSSA IGNORÂNCIA.
“As pessoas que condenaram Jesus foram embora, certamente carregando no peito a mancha desse pecado que o mundo nunca esquecerá”. Quem é de Deus defende a vida e tem ouvidos atentos ao clamor da justiça. “E como no julgamento de Jesus, podemos usar nossa voz, não para condenar, mas para salvar a vida em nosso planeta”.
Precisamos sim, condenar todos que agridem o meio ambiente nas nossas cidades, todas as empresas que poluem nosso manancial jogando produtos tóxicos nos lençóis freáticos, as pessoas ignorantes de todas as classes sociais que jogam lixo no rio. É comum vermos automóveis de luxo estacionar na pista, e seu ocupante, sem nenhum pudor jogar sacolas de lixo, móveis velhos, pneus, e todo tipo de dejetos no leito profanado do que antigamente era o nosso rio.
TERCEIRA ESTAÇÃO: JESUS CAI PELA PRIMEIRA VEZ.
                             A VIDA NO PLANETA ESTÁ EM QUEDA LIVRE.
“Fortalecei-nos, Senhor, na luta pela preservação das nascentes, pela limpeza dos rios e pela defesa dos animais”.
Enquanto formos governados por políticos sem compromisso e sem moral, com raríssimas exceções; enquanto o nosso povo continuar achando que voto também é lixo e eleger qualquer sacana a troco de qualquer coisa, nenhum plano de recuperação da natureza terá prioridade em nenhum governo, seja ele de qual legenda for.
QUARTA ESTAÇÃO: JESUS ENCONTRA SUA MÃE.
                     PRECISAMOS ENCONTRAR-NOS COM A NATUREZA
 “A dor e o sofrimento não retiraram a esperança do coração desta mãe aflita”.
É urgente que o ser humano encontre uma maneira de recuperar tudo que foi destruído. O berço sagrado da mãe água está profanado, milhares de toneladas de lixo estão sendo depositados todos os dias a céu aberto, locais onde o “resto” do ser humano vai buscar as sobras da ignorância de muitos, para alimentar sua família. O dia em que a esperança de recuperação da natureza deixar de existir, o mundo estará pronto para se desintegrar no espaço.
QUINTA ESTAÇÃO: SIMÃO SIRINEU AJUDA JESUS A CARREGAR SUA CRUZ.
                                  A NATUREZA TAMBÉM ESTÁ PEDINDO AJUDA.
“Vivemos um momento que exige a formação de uma consciência coletiva, ou nos unimos para salvar a vida do planeta, ou morreremos todos, como vítimas da nossa própria maldade”.
Os ricos são os que produzem mais lixo, quanto maior o consumo mais embalagens e mais restos de tudo para serem jogados fora. Em uma cidade com coleta seletiva de lixo, quase ninguém recicla o seu, simplesmente porque não souberam reciclar a própria vida.
SEXTA ESTAÇÃO: VERÔNICA ENXUGA O ROSTO DE JESUS
VAMOS ENXUGAR NOSSAS LÁGRIMAS DIANTE DA MORTE POR FALTA DE ÁGUA.
“A Igreja nos convoca a somar nossas forças em defesa da vida no planeta. Com grandes ou pequenas atitudes, devemos dar nossa contribuição para a construção desse mundo novo”.
Enquanto o povo achar que cabe somente aos governos a tarefa de salvar o mundo, a natureza continuará agonizando em seu leito de morte. É preciso entender que já não existem mais rios, e que a água será motivo de luta entre os povos. Pequenos gestos podem fazer a diferença, lavar o carro com a mangueira aberta é burrice, usar a mangueira como vassoura d`água é demonstração de desrespeito contra o meio ambiente.
SÉTIMA ESTAÇÃO: JESUS CAI PELA SEGUNDA VEZ.
E NOS PEDE PARA LEVANTAR A VOZ CONTRA A DESTRUIÇÃO DO PLANETA
“Muitas vezes os governantes fazem acordos internacionais para reduzir a emissão de gases na atmosfera, mas o poder econômico da grande indústria fala mais alto e a ganância não aceita diminuir os lucros”.
Aqui na nossa cidade todos sabem o quanto a Petrobrás é importante na geração de empregos e arrecadação de impostos. Nunca se falou na quantidade de chaminés que soltam nuvens tóxicas nos céus da nossa cidade, e nem na quantidade de lixo tóxico que é depositado no solo. Constantemente nuvens negras cobrem o céu dos bairros vizinhos da refinaria, e nunca se ouviu um grito de ambientalistas contra esta agressão.
OITAVA ESTAÇÃO: JESUS CONSOLA AS MULHERES.
                  A NATUREZA IMPLORA POR UM AFAGO DE AMOR.
“O caminho da vida é o caminho da solidariedade, quem pensa só em si mesmo caminha para a própria perdição”.
Há menos de quarenta anos, a biodiversidade da nossa cidade era rica e exuberante; fauna e flora e seres humanos eram unidos por uma força maior, Deus, hoje temos apenas um filete de água fedorenta, e quase não vemos animais. Os vaga-lumes já não clareiam a noite, os sapos abandonaram os jardins, pássaros e borboletas já não sabem mais voar. Não fizemos a nossa parte, agora só nos resta implorar aos jovens que nos ajudem na reconstrução do que foi destruído.
NONA ESTAÇÃO: JESUS CAI PELA TERCEIRA VEZ.  E NOS PEDE PARA NÃO CAÍRMOS NA TENTAÇÃO DE DESTRUIR A NATUREZA APENAS POR DINHEIRO E PODER
“Sem a ternura de Deus não ouviremos a vós da mãe Terra a convidar-nos para a compaixão, o cuidado e a convivência pacifica com todos os seres”.
Se os jovens não abraçarem a salvação do planeta como prioridade, podem ter certeza que serão vítimas de muitas desgraças e desolação, verão seus filhos e netos serem tragados e mortos como mártires da ignorância, de quem não quis se comprometer com a recuperação de nosso ecossistema, para dar vida nova ao próprio ser humano e a toda criatura de Deus.
DECIMA ESTAÇAO: JESUS É DESPIDO DE SUAS VESTES.
                                      A TERRA JÁ ESTÁ NUA DE VERDE E DE VIDA.
“Só a consciência cristã e um profundo amor à vida são capazes de despertar o coração da humanidade para o amor à terra e tudo que nela existe”.
Olhe ao seu redor. O que sobrou da natureza primitiva que seus pais e avós herdaram das gerações passadas? Converse com os mais velhos, procure saber como era a nossa cidade antes do progresso que chegou para dar mais emprego e “qualidade de vida” para os herdeiros da tecnologia. Que os avanços tecnológicos são necessários não resta a menor dúvida, a grande pergunta é: Será que era realmente necessário destruir tudo de belo que a natureza nos ofertava de graça? Não soubemos ou não tivemos coragem de lutar contra a destruição das belezas naturais da nossa cidade, precisamos admitir nossos erros, e imploramos para que esta geração nos perdoe, e que trabalhe para deixar um mundo mais bonito e saudável para seus filhos e netos.
DÉCIMA PRIMEIRA ESTAÇÃO: JESUS É PREGADO NA CRUZ, PARA NOS DESPREGARMOS DO COMODISMO QUE NOS IMPEDE DE LUTAR.
“Tudo que existe necessita de cuidado para continuar vivendo, seja uma planta, um animal, uma criança, um idoso, ou mesmo o nosso planeta”.
Desde o descobrimento nosso país começou a ser destruído. Hoje as grandes empresas degradam o meio ambiente que impede seu crescimento, colocando como prioridade o lucro e o enriquecimento a qualquer custo. A riqueza natural de arvores, frutos e animais foram substituídos por construções. Não precisamos ir longe, pergunte aos jovens se eles conhecem um simples córrego de águas cristalinas. Se já ouviram falar de Araçá, Gabiroba, Cagueiteira, todas estas maravilhas só existem na memória de quem tem mais de cinquenta anos.
O cantor Roberto Carlos, na década de setenta já alertava nas suas canções: “Seus netos vão lhe perguntar em pouco tempo, pelas baleias que cruzavam o oceano, que eles viram em velhos livros ou nos filmes dos arquivos dos programas de televisão”.
Não cuidamos, e agora estamos passando a responsabilidade para a juventude que precisa urgentemente tomar uma posição em defesa da sua própria existência.
DÉCIMA SEGUNDA ESTAÇÃO: JESUS MORRE NA CRUZ. A NATUREZA MORRE TODOS OS DIAS.
“Naquele momento o sol se escureceu e as trevas cobriram a terra; a natureza manifestava o seu protesto e a sua dor”.
A natureza continua protestando, as catástrofes estão acontecendo todos os dias em forma de Tsunamis, enchentes, vulcões e deslizamentos provocados pela ocupação desordenada das encostas, e pelos desmatamentos, trazendo tristeza e morte para muitos. Se não recuperarmos o que foi destruído, com certeza a mundo irá se partir em pedaços e jogar corpos no universo, que será o grande cemitério dos seres “humanos” que não souberam amar e respeitar seu planeta.
DÉCIMA TERCEIRA ESTAÇÃO: JESUS É DESCIDO DA CRUZ, A MÃE TERRA CONTINUA CRUCIFICADA
"Toda iniciativa em prol do meio ambiente é força de ressurreição. O futuro do planeta está em nossas mãos".
É por isso que toda a natureza foi e está sendo crucificada pela ignorância das pessoas, que por maldade ou preguiça, são incapazes de caminhar até uma lixeira, ou levar o lixo para ser descartado em local adequado. Ninguém se preocupa com o destino de seu lixo, muitos não querem perceber que agindo assim, estão condenando seus filhos e netos a tornarem-se vítimas da ignorância ecológica de seus antepassados.
DÉCIMA QUARTA ESTAÇÃO: JESUS É SEPULTADO.
TODOS OS DIAS SEPULTAMOS A ESPERANÇA.
“Muitas famílias que viviam felizes em seu pedaço de chão, quando foram expulsas pelos latifundiários, foram para as cidades e, como não conseguiam trabalho digno passaram a sobreviver em periferias e favelas”.
Todos os anos a maioria dos moradores das grandes cidades assistem o mesmo filme, ruas e casas inundadas, deslizamentos de terra, enxurradas que carregam pessoas para o esgoto que se enche de plásticos, e de todo lixo que ninguém quer recolher. Vidas se perdem e os sobreviventes continuarão sendo explorados politicamente, se um dia tiver a sorte de conseguir um novo lar para morar.
DÉCIMA QUINTA ESTAÇÃO: A RESSURREIÇÃO DE JESUS
               RIOS E MATAS PRECISAM RESSURGIR NOVAMENTE
“Que a ressurreição de Jesus nos mostre que o amor a Deus e ao mundo pode transformar a face da terra. Que a fraternidade supere a indiferença quanto à vida em nosso planeta”.
Ainda dá tempo, para isso é preciso que cada cidadão assuma o seu posto como guardião da sobrevivência dos seres humanos, da água, das plantas e dos animais. E a vida irá se aflorar novamente para enfeitar de cores e de amor, toda a terra e os seres humanos, em retribuição ao carinho e cuidado que receber.


Um comentário:

  1. Muito bem amigo, gostei da sua descrição nestas estações com reflexões perfeitas de comportamento humano,mas ainda a fé da renovação de esperanças.Meu abraço mineiro de admiração.

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