O que o estatuto do idoso mudou na vida daqueles que tiveram a ousadia
de envelhecer? Que direitos tem as pessoas idosas nesse país ? Andar de graça
em um ônibus lotado onde muitas vezes tem alguém fingindo dormir nos assentos
prioritários? O direito de ser atendido primeiro em qualquer lugar que
houver uma fila e ficar escutando desaforos de alguns que acham isso um
absurdo? Ficar olhando para uma receita amarelada na gaveta porque o dinheiro
do benefício não sobrou para comprar os medicamentos? Ver o dinheiro da
sua aposentadoria sumir em empréstimos consignados realizados por filhos e
filhas e outros parentes? O que mais foi conquistado? Se alguém
souber, por favor entre em contato. Durante quatro anos fui presidente voluntário
de um asilo de caridade da sociedade de São Vicente de Paulo com cinquenta
moradores, e desses, trinta eram acamados e quase todos os
outros sofriam de algum distúrbio mental. Todos se preparam para ter
e cuidar dos filhos, mas nunca para cuidar dos seus pais quando
envelhecerem. A grande maioria das pessoas que perderam os seus pais jura
que cuidaria deles se tivesse tido oportunidade e os que ainda convivem com os
seus, quando a velhice chega a primeira
opção é coloca-los em um asilo. Quando uma família, ou apenas um filho ou filha
nos solicitavam uma vaga no asilo para os seus pais eu os visitava para fazer
uma sindicância para conhecer a realidade e a necessidade do asilamento e três dessas sindicâncias ficaram gravadas na
minha memória. Em uma delas eu reuni onze filhas e um filho querendo colocar o
pai no asilo. Um dos genros disse que só o aceitaria na sua casa se ele ficasse
um mês na casa de cada um e eu lhe disse que não estávamos tratando de uma
bicicleta velha que todos jogariam por cima do muro. Nesta reunião dois
cunhados se desentenderam e houve o começo de uma briga com faca em punho.
Depois de acalmado os ânimos eles disserem que iriam cuidar do pai. Em outra
sindicância a família queria colocar uma senhora de noventa e cinco anos no
asilo. Ao redor da casa dessa senhora moravam quatro netas que construíram suas
casas no mesmo lote, e que segundo sua mãe não ajudavam no cuidado com a avó.
Eu ponderei com a filha que a sua mãe estava com a idade muito avançada e
certamente perto da morte. Mesmo assim ela insistia para que eu a trouxesse
para o asilo. Então eu perguntei qual era a sua idade e ela me disse que tinha
sessenta anos, e como esta era a idade para o asilamento eu lhe disse que
traria as duas e ela imediatamente disse que não queria vir e eu lhe perguntei
por que queria que sua mãe fosse. Ela olhou assustada para mim e disse que iria
cuidar da mãe. Na terceira sindicância fui ao apartamento de uma família que
também queria asilar a sua matriarca. Na ficha da sindicância constava apenas o
nome de uma filha, mas conversando ela me disse que tinha três irmãos, um era
tenente do exército, outro era sargento e o outro era cabo da polícia militar.
O rapaz que era cabo da polícia chegou e eu disse para ele que era um absurdo o
que estavam fazendo, no princípio ele não gostou, mas depois disse para sua
irmã que não era para leva-la e que eles iriam cuidar da mesma.
Esta é a triste realidade de quem tem a ousadia de envelhecer.
Esta é a triste realidade de quem tem a ousadia de envelhecer.
Olá estimado Geraldo,
ResponderExcluirBela reflexão!
Em Portugal, a situação é muito idêntica.
A idade de ouro deveria ser olhada de outra maneira.
Abraços de luz.
É triste ver essa situação. Tenho pais idosos que precisam de mim e de meus irmãos, eles dão trabalho sim, mas sabemos que demos trabalho a eles tb, nós os amamos. Dói saber de idosos sem família.
ResponderExcluirAbraços
Um país que não respeita seus idosos, é uma país sem memoria.No Brasil é uma vergonha o tratamento dispensado a estes lutadores cheios de historias.Eu vejo coisas que me envergonham.Em viagem a trabalho na Alemanha, fiquei extasiado em ver como a ABB tratava seus velhos tecnicos, como verdadeiras enciclpedias da empresa.A gente tem de melhorar muito mesmo. Educar as pessoas, recriar nossos politicos.
ResponderExcluirPrecisamos sim e todos temos uma parcela nesta revolção.
Um abraço amigo.