BETIM, UM PARAÍSO SENDO DESTRUÍDO

12 outubro, 2015

O RAMO


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PODE NÃO PARECER, MAS É UM SER HUMANO

O que é uma folha ou um pequeno ramo arrancado de uma árvore qualquer plantada em uma calçada de uma cidade grande? 
Simplesmente uma folha? 
E se essa folha foi entregue por um mendigo sentado perto de um luxuoso shopping? 
Que a entrega para todas as pessoas que passam.
Ainda assim seria somente uma folha? 
Ou um presente? 
Não sei se ele é um preto velho sujo, ou um velho sujo e preto que pelo seu aspecto de abandono parece ser a água sua pior inimiga. 
A vida é sua pior inimiga! 
A sociedade é sua maior inimiga. 
Ele vive arrancando galhos e folhas das árvores ao redor, e sem dizer uma palavra distribui pequenos pedaços de uma natureza morta para todos que passam na “sua” calçada.
Não sei quem é mais morto, se ele, a folha, o ramo, a árvore, ou a natureza como um todo. 
Não sei quem é mais singelo. 
Mais puro. 
Mais místico.
Mais santo. 
Ele, a árvore, o ramo, a folha, ou a natureza repartida por ele, e agredida por muitos. 
Aquilo era apenas um gesto talvez sem nexo, de alguém que já perdeu tudo, ou de alguém agredido pela ganância de quem tem tudo e um pouco mais. 
Estou escrevendo segurando a folha em minhas mãos.
Recebi este presente de manhã quando ia para o trabalho, agora ela está murcha, mas ainda exala cheiro de vida. 
Vida que quem a distribui não conhece. 
Não sei por quanto tempo vou guardá-la. Sei apenas que para mim foi um lindo presente de quem não tinha nada para dar. E que pediu licença ao Criador para repartir um pouco da natureza antes que ela desapareça engolida pela ganância e pela cobiça. Antes que ela desapareça por culpa da inércia de governos e da insensibilidade das pessoas que fazem do nosso planeta um lixão a céu aberto.
Recebi esse presente há mais de sete anos, mas sempre volto a me lembrar da folha quando varro a rua em frente à minha casa impedindo que as folhas secas sejam levadas para dentro do esgoto.
Aquele presente não foi apenas uma folha, mas um pedaço da natureza distribuído por alguém que perdeu o direito de viver dignamente no meio dos humanos de quem ele deveria ser imagem e semelhança.



 


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