28 de dez. de 2010

FESTA NA FLORESTA.

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Esta é uma história que não pode começar como todas, (era uma vez), é que a estou escrevendo para o meu filho de seis anos, e quero falar no presente como se tudo fosse verdade.  Eu poderia dizer que o enredo se dá na floresta amazônica, ou em qualquer outra, mas prefiro aproveitar a oportunidade para denunciar um crime ambiental que estão cometendo contra a natureza aqui na minha cidade e no meu bairro.
Portanto, esta história terá o seu desenrolar dentro de uma área de preservação ambiental que vai ser brutalmente mutilada, já que no seu entorno apareceram as malditas placas de é proibido a entrada, e, propriedade particular”.  O que antes era um espaço de todos, brevemente irá se transformar em um grande conjunto habitacional, ou um loteamento para que a elite ganhe mais espaço, e os animais e as árvores cedam lugar para os assassinos da ecologia.
Como não posso dizer uma mata, a capoeira está em festa e recebe a visita da maioria dos bichos que habitam as grandes florestas, ou estão confinados em um zoológico olhando o bicho homem do outro lado da grade, ainda se achando o rei dos animais.
Entre todos os animais, uma família tem motivos de sobra para estar em estado de graça, o líder dos macacos vai ser papai de novo. A dona macaca já exibe para todo mundo a barriga que carrega o futuro herdeiro.
Que nome dar a estes personagens?
Vou deixar esta tarefa para o meu filho, e se alguém não gostar dos nomes, mande uma sugestão, talvez ele goste e queira mudar.
O nome do pai poderia ser Simão, mas todo macaco tem este nome, então o nosso chefe se chama Timão, e ele está todo orgulhoso porque espera que desta vez venha um macho, já que Pitoca, Biloca, Dimba e Bimba são quatro macaquinhas que aprontam todas, e que nada ficam a dever aos machos em matéria de peraltice, e elas estão torcendo para vir outra menina, porque não querem saber de nenhum macho mandando no pedaço.
À medida que o tempo vai passando a maioria dos animais vão chegando para visitar e trazer um presente para a mamãe Zoé, ou para o pequenino que vai nascer.  Os passarinhos ficaram alvoroçados e vieram dizer que irão construir um enorme ninho para que o garoto macaco possa dormir bem quentinho.  A Jiboia prometeu que não vai engolir o pequeno, e que vai enrolar-se toda para que ele possa descansar num lugar bem macio. As fêmeas do grupo teceram uma enorme rede com folhas bem verdinhas para que o futuro herdeiro possa se balançar confortavelmente.  Os coelhinhos vieram com sua mamãe trazendo um pé de coelho que ela própria confeccionou, para dar sorte na hora no parto. O Jaboti e a Tartaruga quase pegaram no tapa para ver quem vai dar o casco que servirá de berço para ele dormir.  As Hienas prometeram que vão dar sonoras gargalhadas para alegrar o pimpolho. A Zebra veio para dizer que assim que ele crescer, vai dar grandes galopes com ele no lombo.
A Girafa disse que não abre mão de ser seu tobogã, e assim que ele estiver maiorzinho vai colocá-lo na sua cabeça para que possa ver as estrelas mais de pertinho, e brincar de escorregador.
A mamãe Búfalo disse que não abre mão de amamentá-lo pelo menos uns dois dias por semana.
O Lobo disse que antes que ele durma, vai ficar bem quietinho, mas assim que ele dormir vai uivar o mais alto que puder para que a lua mande seus raios iluminar o berço do futuro líder.
Todos estão esperando que seja um macho. O Gato e o Cachorro do mato prometeram não brigarem por um bom tempo, para não atrapalharem o sono dele enquanto não aprender a pular de galho em galho. O Tatu veio para dizer que vai cavar o buraco mais fundo que puder para quando ele crescer poder brincar de esconde-esconde. Assim que ficaram sabendo que a família do Timão ia aumentar, os peixes prometeram dar grandes saltos fora d’água para alegrar a vida e dar um colorido diferente no ambiente.
Agora é só esperar o dia do nascimento.
A Coruja com sua sabedoria disse que, pela sua experiência, a Zoé pode ficar sossegada porque ainda vai demorar uma semana.
Estava tudo preparado.
Parecia que estava para nascer um rei.
Falando em rei, o Leão disse que tinha decretado uma trégua, e que nenhum animal vai atacar o bando dos macacos enquanto o menino não estiver subindo na maior árvore existente na capoeira.
A capoeira estava em festa.
Foi uma semana de muita correria.
E finalmente, o tão esperado macaquinho nasceu. Talvez um líder.  Talvez o novo chefe dos macacos da capoeira.
Segundo meu filho Marcus, seu nome será Nino, mas aceita sugestão para mudar.
Será daqui a alguns anos ainda haverá lugar para nascer um animal? Ou o único que vai continuar existindo será o bicho homem, que com a sua ganância, terá destruído toda a fauna e flora?
Hoje, este nascimento pode estar sendo realidade em muitos lugares do mundo, mas até quando, se no centro de uma cidade, uma área de preservação está sendo destruída?
O bicho homem precisa parar para pensar.

Pode ser que em bem pouco tempo não haverá lugar para o nascimento do seu próprio filho, e aí sentiremos falta dos macacos, e de todos os animais que eram donos e senhores do nosso planeta.

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