18 maio, 2026

NOVA ROUPAGEM

 

Hoje é tarde/noite de um feriado quando a igreja celebra o dia de Corpus Christis. Minha esposa foi para a igreja e eu estou sentado confortavelmente em minha cozinha tomando um café enquanto meus três filhos ficam entretidos no computador e me deu uma vontade danada de escrever. Estou precisando escrever algo que não me lembre nada de ruim! A vontade de escrever foi na verdade a maneira que encontrei para reabrir um canal de ligação entre mim e o Criador há muito tempo interrompido. Preciso conversar mais com Deus!  Na verdade, eu preciso fazer a pergunta que São Francisco Lhe fez:” Senhor o que queres que eu faça”? Longe de mim querer imitar o Santo que mais imitou o Cristo. Longe de mim querer ouvir a mesma resposta de Deus.: “Vai e reconstrói a minha Igreja". Que esta Igreja está precisando de uma nova reforma, na minha modesta opinião, não resta a menor dúvida. Que esta Igreja está precisando de novos Franciscos e Luteros para novamente ganhar contornos de “Igreja Santa e Pecadora”, também não resta a menor dúvida. Que está na hora de tirar a tinta velha e dar uma nova textura na maneira de enxergar o Cristo que continua sendo crucificado todos os dias é algo que precisa ser feito com urgência. É preciso que a casa do Pai ganhe uma roupagem nova para que não seja somente a Igreja do Pastor, do Bispo, do Padre, do Rabino, do Ancião ou do Papa, e muito menos daquelas pessoas que por prestarem algum serviço na sua comunidade se acham os donos da verdade. Ela precisa deixar de ser “a minha Igreja” para voltar a ser a casa de todos.  O templo do Espírito Santo que é o coração do ser humano está vazio, e que sentindo-se abandonado chora de fome, de frio, de sede, de justiça e principalmente de amor. E é isto muitas vezes leva muitas pessoas a pensar que Deus as abandonou. 
Deus não nos abandona! Ele é deixado de lado todas as vezes que alguém comete um ato de injustiça contra quem e o que for.  Ele é Pai, Filho e Espírito Santo, e é no seio desta família que precisamos nos aninhar, e ela está de portas abertas para receber os que estão aflitos, os corações que sangram e as almas que clamam por justiça. Hoje mais do que nunca eu preciso falar com Deus. Não para pedir! Mas para agradecer por tudo que tenho e por tudo que não conquistei porque não pude ou não tive competência para conquistar. Preciso agradecer por estar vivo tendo coragem de colocar minhas ideias a serviço dos irmãos menores. E como não tenho a pretensão de conseguir imitar São Francisco só me resta olhar para Nossa Senhora e repetir suas palavras: “Faça-se em mim segundo a Sua vontade” e pedir a Deus que me dê sabedoria e discernimento para ouvir quando Ele falar por outras bocas, e que eu possa me emocionar quando O enxergar no sorriso de uma criança ou na rabugice de um idoso que parecendo saber chegar a sua hora começa a agir como criança para colocar-se novamente no colo de quem se doou por amor.  Eu preciso pedir que não me deixe ficar indiferente diante da injustiça, e que quando nada mais puder fazer que eu possa olhar para sua imagem e pedir sua ajuda. Não de um crucificado, mas de um Cristo vivo que se apresenta de várias formas me pedindo para segui-Lo.


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