02 agosto, 2018

JEITO DE VIVER




JEITO DE VIVER

 

Sei que já não tenho muito tempo para viver e sou apenas mais um da geração que está se despedindo do mundo. Com certeza não fomos bons professores em quase todos os quesitos que pautam a vida do ser humano.  Na ecologia fomos uma aberração, não cuidamos da natureza, matamos nascentes, córregos, lagos e rios. Deixamos os governantes destruírem a fauna e a flora em nome de um progresso que destrói e afasta as pessoas. 
Politicamente falando fomos incompetentes quando, por comodismo, por algum interesse financeiro ou de poder, criamos uma corja de políticos ladrões inescrupulosos, com raríssimas exceções, que transformaram os partidos políticos em verdadeiros covis de marginais, e o país em um grande oásis para os corruptos e inescrupulosos. 
Em se tratando de Deus e das religiões, poucos herdaram a fé de seus pais e avós.
Temos hoje uma multidão que não se preocupa com as coisas sagradas.
Uma legião de jovens que não quer se relacionarem com esse Deus que é lembrado somente quando uma desgraça acontece na vida de alguém, ou quando uma catástrofe atinge várias pessoas ao mesmo tempo.
Temos também muitas “religiões” que cultuam o demônio, e em seções de curas mentirosas o invocam a todo momento para que os incrédulos acreditem que o mesmo foi expulso e paguem dízimos absurdos para milionários espertalhões. 
Foi na esfera social que deixamos as relações humanas atingirem contornos de abandonos absurdos.
A grande mídia patrocinada por políticos e empresários com visão apenas no lucro e no poder, tentam de todas as maneiras fazer uma lavagem cerebral nas classes mais pobres da população para que as pessoas se tornem cada vez mais escravas do modismo e do consumismo exagerado. A todo momento somos lembrados que temos a obrigação de sermos politicamente corretos. E também não sei de onde tiraram a palavra preconceito, que de uma hora para outra passou a ser utilizada para obrigar pessoas a aceitarem comportamentos que ferem sua dignidade e sua liberdade.
Estamos assistindo o endeusamento dos animais domésticos e a banalização das relações entre os seres humanos que são vistos e tratados com desprezo nas ruas, nos postos de saúde. nos hospitais, ou melhor, em muitos lugares onde os mais pobres são tratados como lixo que ninguém quer recolher.
Estamos assistindo à aberração de vermos pessoas alisando o pelo de um cachorro ou de um gato e não se lembrando de fazer um carinho no filho ou na filha. Levando seus animais constantemente para serem higienizados e pagando consultas caras nos petshops, e quando seus filhos adoecem os levam às emergências públicas onde não recebem o mesmo tratamento que o bichinho de estimação recebeu.
Não é esse o jeito de viver que quero para mim e para a minha futura geração







                                          

Um comentário:

  1. Uma reflexão sem dor amigo.
    Uma inversão de valores um apodrecimento das relações e os propósitos se perderam no egoísmo.
    Bom texto amigo.

    ResponderExcluir

Aqui você é muito bem vindo. Seu comentário ajuda na construção desse espaço de liberdade