BETIM, UM PARAÍSO SENDO DESTRUÍDO

29 julho, 2022

O ALUGUEL VENCE AMANHÃ.

 






Andei como só os vagabundos andam, não tinha ilusões, não tinha destino, andei por andar, e nessas andanças sem rumo vi gente de todos os tipos, vi vagabundos pobres e ricos, favelados e moradores de mansões. Vi a divisão entre as pessoas e os desencontros de todos os dias.

É muito fácil perceber esta divisão. As pessoas se dividem pela cor, religião, cultura e volume do bolso.

O aspecto físico também diferencia.

As pessoas que fazem parte da grande maioria têm cara de famintos, e atualmente (29/07/ 2022), estão vivendo das esmolas que os políticos corruptos e seus seguidores violentos estão distribuindo para angariar votos na eleição que se aproxima.

As pessoas que fazem parte da minoria que nos governa e nos explora vivem de barriga cheia e alimentam seus cães com iguarias que a maioria dos pobres gostariam de ter para não morrerem de fome. 

Pobres e milionários se misturam na mesma caminhada, mas raramente seus caminhos se cruzam. Cada um segue o seu, ambos pensando no dinheiro. 
Os ricos, a minoria que detém toda a riqueza do país, vivem preocupados em ganhar sempre mais. Os remediados chamados de classe B, e a grande maioria que não tem classificação porque estão abaixo da linha da pobreza, são os que sustentam esse país pagando juros abusivos e vivendo honestamente tentando dar um jeitinho para não perder sua dignidade.

Hoje não tinha médico no posto! 

Não tenho dinheiro para comprar esse remédio.

O que vou comer? 

O que vou vestir? 

Não tenho dinheiro para a condução! 

O gás acabou! 

O aluguel vence amanhã!

Essas frases são constantemente pronunciadas pelos partidários da fome, e pouca gente se preocupa com elas e com quem as pronunciam.

E os políticos criam tíquetes disto e vale daquilo que são distribuídos a seu bel prazer como moeda de troca eleitoreira.

Estou com fome! 

Muitos meninos e meninas foram surrados ao pronunciarem esta frase, e nós falamos que o pai e a mãe são estúpidos.

Talvez alguns realmente sejam!

Mas nos coloquemos no lugar daqueles que trabalham e que quando recebem seus salários percebem que mal dará para pagar o aluguel.

E os que não conseguem um emprego? Quando o filho sai para esmolar dizemos que é um absurdo, quando o pai ou a mãe se humilham esmolando para matar a fome dos filhos, somos os primeiros a chamá-los de vagabundos dizendo que são fortes e podem trabalhar. 

Pedir esmola... 

Pedir pelo amor de Deus! 

Mesmo em nome de Deus, não existe nada mais humilhante. 

Alguns de nós ao chegarmos em casa na hora do almoço, já recebemos a notícia que ele não foi preparado porque o gás tinha acabado e não havia dinheiro para comprá-lo? 

Alguns dizem: por que não cataram uns gravetos e acenderam um fogo? Como e onde fazer isso todos os dias? 

Alguns de nós já fomos para cama tentar dormir sem sequer termos tomado um simples cafezinho durante todo o dia? 

Ficamos indignados quando os noticiários jogam na nossa cara a imagem dos famintos dos países mais pobres do mundo, como os da África, por exemplo. Eles existem. Os países. Os famintos. 

Neste país do desperdício chamado brasil não é preciso ir muito longe para ver essas cenas. Bem na nossa porta tem alguém passando fome, e não adianta fazer mutirão para arrecadar alimentos.

Isto é muito salutar, mas é como febre, passa logo.

É preciso dar dignidade e condição de vida para que o nosso povo pare de viver de esmolas. 

Fome! Esta palavra já deveria há muito estar banida dos dicionários.
Existem muitos campos abandonados e muitas terras a cultivar. E os homens fabricam armas e constroem robôs que substituem o ser humano nas grandes empresas para diminuir o custo dos manufaturados que aumentam os lucros, e em contrapartida, os custos sociais com o desemprego e o desamparo dos trabalhadores vão produzindo mais miseráveis.

Os ricos não se preocupam com o amanhã.

Os pobres vivem de Esperança.

Esperança! Esta é uma das raras vezes que seus caminhos se cruzam.

Todos nós vivemos de esperança. 

E esta esperança é Deus que sempre nos mostra por parábolas que a estrada para a luz pode e deve ser percorrida por todos, e que a intensidade do seu brilho vai depender da maneira como nós tratamos o nosso semelhante. E que para não sermos ofuscados por esse brilho precisamos diminuir a distância que nos separa, para quem sabe um dia, podermos ser acolhidos no abraço da ternura que nos criou à sua imagem e semelhança. 

Que no relacionamento de amor a palavra dividir seja usada somente para repartir os bens. Que no relacionamento da fraternidade todos sintam-se incomodados quando uma pessoa estiver passando fome ou sofrendo qualquer tipo de humilhação 

Que não haja mais divisão entre as pessoas e que nenhuma criatura se sinta maior ou melhor que a outra.

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