BETIM, UM PARAÍSO SENDO DESTRUÍDO

08 junho, 2022

UM PEDAÇO DE GENTE

 



Estou tentando escrever e descrever este desabafo e quero pedir desculpas aos profissionais médicos e médicas que juraram salvar a vida de todos e todas que os procuram para que lhes arranquem suas dores. O episódio que tentarei descrever abaixo mexeu com o emocional de muitas pessoas e principalmente com o meu. Uma das tias da minha esposa, hoje, com noventa e seis anos de idade, que há muito tempo está refém do Alzaimer e da falta de circulação sanguínea foi mais uma vez levada a uma unidade de saúde pública da minha cidade e depois de alguns dias a transferiram para o Hospital Regional. Depois de vários dias em observação o médico que a atendia chamou um dos filhos pedindo autorização para amputar as pernas da paciente. Foi como se este médico tivesse dado um bofetão na cara daquele filho que procurava mais um pouco de vida para sua mãe.
E ele conversou com seu irmão e irmãs e com outros parentes. A decisão foi unânime:este procedimento está totalmente fora de cogitação.
Não conheço o médico que talvez tenha achado que esta seria a melhor solução, mas será que se fosse alguém da sua família ele teria tomado a mesma decisão?
Amputar as duas pernas de uma senhora com noventa e seis anos de idade que está esperando a hora de ir encontrar-se com o Criador não é um procedimento brutal demais?
Quando eles a devolverem para casa, os filhos estariam olhando para sua mãe ou para um pedaço de gente que alguém, mesmo com muito conhecimento, fez questão de mutilar?
Antes dela ser levada para o hospital, de vez em quando eu a visitava e ficava alisando seus cabelos brancos e via no seu rosto que ela recebia este carinho com alegria. Então, eu disse para uma das suas filhas: quando a tia tiver ido encontrar-se com o criador e eu voltar aqui, quero me lembrar dela sentada naquela cadeira e me recuso a lembrar de um pedaço de gente que foi mutilado pela falta de bom senso e de sensibilidade de quem deveria lhe proporcionar mais um pouco de vida.
Mais uma vez, com todo respeito aos profissionais da saúde, será que alguns deles realmente acham que alguém que já viveu mais de noventa anos continuará vivendo procurando as pernas que lhe tiraram?
Parece que alguns profissionais médicos ainda não entenderam que uma vida só se vive por inteiro, e que uma pessoa ao ficar em uma cama procurando a parte do seu corpo que lhe foi tirada, com certeza saberá que já morreu.

Hoje, dia 09/06/2022 as onze horas da manhã a Tia Zeferina deu adeus a este mundo e foi se encontrar com o Criador.

 


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