BETIM, UM PARAÍSO SENDO DESTRUÍDO

30 dezembro, 2021

O QUE O TEMPO PUBLICOU


PUBLICADO PELO JORNAL O TEMPO NO DIA  02/08/2013

Após O jornal O Tempo Betim expor a existência de supersalários na Prefeitura de Betim, o que sangra os cofres do município em mais de R$ 16 milhões por ano, outros casos de privilégios e favoritismos causam ainda mais prejuízos à cidade. Dessa vez, a suspeita é que esposas de políticos, ex-mandatários da cidade e outros “marajás” do serviço público utilizem os “subterrâneos” da Câmara Municipal para receber altos salários sem trabalhar. 
A reportagem teve acesso a uma lista com pelo menos 20 nomes de funcionários de diversas secretarias municipais que estão “emprestados” para gabinetes de vereadores. O montante gasto com essas pessoas ultrapassa R$ 1,2 milhão por ano.
Em visita aos locais onde eles deveriam prestar os serviços, a reportagem constatou que a imensa maioria não aparece nem para registrar presença. Muitos trabalhadores da limpeza, porteiros e secretárias afirmaram que nunca os viram. A maior parte dos “emprestados” é formada por servidores apostilados, que deveriam cumprir oito horas diárias, como regem o estatuto do servidor e a lei municipal que deu a eles esse direito.  Dentre os beneficiados, existe todo tipo de funcionário público, até mesmo um ex-vice-prefeito. Esse é o caso de Alex Amaral, concursado como inspetor de obras, mas que não é visto no gabinete do vereador Erasmo da Academia (PDT), para o qual está cedido, desde o início deste ano.  Já o servidor apostilado Pedro Pinto, que foi secretário de Saúde no governo de MDC, e a professora Dalvonete Aparecida, esposa do vereador Eutair Santos (PT) e ex-coordenadora do antigo programa Escola da Gente são outros casos em que se ganha muito e pouco ou nada se trabalha. Cada um recebe cerca de R$ 10 mil para ficar à disposição do vereador petista Eutair. 
Família
A pedagoga Márcia Nogueira Resende Pinho, cunhada do deputado estadual Ivair Nogueira (PMDB), e a administradora Jaqueline do Pinho, esposa do ex-vereador Almir Nogueira (cassado por compra de votos) e também cunhada de Nogueira, são outros que gozam de mordomias. Cada uma recebe dos cofres públicos quase R$ 10 mil por mês sem comparecer ao local de trabalho. Márcia está cedida para o gabinete do vereador Vinícius Rezende (DEM), com quem sua filha é casada. Já a esposa de Almir está “emprestada” para o vereador Sapão (PSB).
 A reportagem esteve, em dias alternados, nos locais onde as duas deveriam estar trabalhando, porém, em nenhum deles, elas foram encontradas. 
 Uma funcionária da recepção disse que não sabia quando Márcia poderia ser encontrada. Devido à nossa insistência, a recepcionista informou que “o que ela (Márcia) tem que fazer, ela faz de casa”.  
O mesmo aconteceu no gabinete do vereador Eutair Santos (PT). O local, para onde foram cedidos Pedro Pinto e a própria esposa de Eutair, estava fechado na quarta (31) e na quinta (1º) pela manhã. Somente à tarde, o gabinete foi aberto, e apenas Dalvonete estava lá. 
 Já Wilson de Souza, que está cedido para o gabinete do vereador Antônio Carlos (PT), apesar de participar das reuniões parlamentares, não foi encontrado no gabinete do parlamentar. 
Prefeitura
 Sobre a fiscalização do cumprimento dos horários dos funcionários da Prefeitura de Betim cedidos à Câmara Municipal, a assessoria de imprensa informou que, de acordo com convênio firmado com o Poder Legislativo, a responsabilidade de verificação das obrigações trabalhistas dos funcionários cedidos é de competência da Câmara Municipal.
 Vereadores rebatem denúncias
 O vereador Sapão admitiu que, salvo algumas exceções, a maioria desses funcionários cedidos pela prefeitura não trabalha. “O Marcão e eu já éramos contra esse convênio. Por mim, ele já tinha acabado”, afirmou.
Funcionários do gabinete do vereador Vinícius informaram que ele está viajando e afirmaram que Márcia Nogueira, cedida ao gabinete, já foi devolvida à prefeitura. A assessoria do governo municipal negou a afirmação.
O vereador Eutair disse que seus assessores, Pedro Pinto e Dalvonete estavam gozando de férias. “Pedro retornou na quarta (31) e, assim como Dalvonete, cumpre as oito horas do seu trabalho, mas não precisamente dentro do gabinete”, disse Eutair.
Sobre o fato de seu gabinete estar fechado, Eutair rebateu dizendo que o expediente ao público externo é das 12h às 18h.
 Segundo o vereador Erasmo, apesar de não cumprir integralmente a sua carga horária dentro do gabinete, Alex Amaral é quem faz toda a assessoria jurídica do político. “Ele elabora meus projetos de lei e requerimentos e está sempre disponível para nossas demandas. Nosso gabinete é pequeno e não comporta todos os trabalhadores”. Sobre o fato de o gabinete de Erasmo ter sido encontrado fechado, o parlamentar afirmou que a informação não procede.
 Já o vereador Antônio Carlos não foi encontrado.


Em se tratando de pessoas estarem recebendo sem trabalhar, alguma coisa mudou? 03/01/2021

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