17 de fev. de 2020

QUANDO AS MÁSCARAS CAÍREM



Resolvi colocar em uma única página o que escrevi sobre o carnaval.  Quero deixar registrado aqui o meu desencanto por estar vivendo em uma ditadura cujo presidente foi eleito por pessoas violentas e por pessoas que se deixaram coagir, por medo, ou por ignorância.



                                                   QUANDO AS MÁSCARAS CAÍREM  Publicado em 2011.


















Edição do dia 28/02/2011 do jornal Estado de Minas.

Dezesseis morrem eletrocutadas em cima de trio elétrico no interior de MG
A descarga elétrica de 7 mil volts atingiu dezenas de pessoas que estavam em volta do trio. Ao todo, foram 16 mortes e 50 pessoas feridas. Dezesseis pessoas que estavam em um trio elétrico morreram eletrocutadas neste domingo (27) durante uma festa de pré-carnaval, em Bandeira do Sul, Minas Gerais.

                                       





Quarta-feira de cinzas, início dos quarenta dias do calvário até a crucificação do Deus que se fez homem por amor.
Os tambores ainda não calaram. A cuíca ainda ronca.
A fantasia não foi tirada. A idiotice continua...
Milhões de reais são gastos para promover festa para turistas sexuais, homens e mulheres pagam a peso de ouro um lugar nos carros alegóricos, ou para serem madrinhas e padrinhos de baterias.
Hora de contabilizar e fazer uma reflexão dos últimos acontecimentos.
Quantas mortes nas estradas? De bêbados fantasiados de palhaços, e de inocentes que tiveram a coragem de colocar o bloco na rua, e se colocarem no caminho da irresponsabilidade.
A indústria de bebida comemora.
A indústria hoteleira comemora.
A indústria do narcotráfico festeja.
Os prostíbulos e as prostitutas e prostitutos estão em festa.
O profissional do entretenimento se realiza.
Os políticos esquecidos por uns dias, festejam.
E o povo?
Meros coadjuvantes nessa festa grotesca onde o pobre se sente rei, quando na verdade, mais uma vez está sendo o bobo da corte.
A grande maioria dos foliões do asfalto ganha o quê?
Três dias de falsa alegria?
E o que o esperar depois?
O marido ou a mulher, abandonados com os filhos implorando um pedaço de pão?
Com sua dor!
Uma conta de água ou luz atrasadas.
O dono do barraco querendo receber o aluguel.
Aqueles que consomem drogas e caviar nos camarotes, vão ajudá-los a consertar a vida?
Quantas famílias são desfeitas?
E em outubro quando começarem a nascer os filhos da folia e do carnaval?
Onde andará o pai?
E a futura mãe realmente saberá quem será o pai?
Impossível saber!
É por isso que o nosso país não é respeitado pelo resto do mundo, e o nosso povo não passa de um brinquedo de terceira categoria. Pão e circo são suficientes para alimentar o ego de quem não tem consciência de justiça.
Damos espetáculo para o mundo que nos olha como selvagens, porque aceitamos um governo de falcatruas com políticos corruptos, e dançamos em sua homenagem.
Carnaval é algo tão insignificante que nem mesmo o Aurélio consegue definir, e o descreve como: Três dias que antecede a quarta-feira de cinzas, dedicado a várias sortes de diversões, folias e folguedos. E termina com a definição de: Grotesco.
O absurdo desta aberração é que pessoas que não gostam, como eu, somos obrigados aturar, querendo ou não, porque o país de primeiro mundo em miséria e injustiça, para de produzir enquanto o povo brinca de ser feliz.
Felizes os seguidores de religiões que promovem retiros durante esses três dias.
Enquanto uma minoria faz chegar ao céu o louvor, milhões fazem questão de esquecer a existência de Deus, achando que Ele também se retirou para um cantinho do céu, e só retornará na quarta-feira de cinzas quando as máscaras caírem.
E na volta da orgia, muitos vão para as igrejas com caras de Judas arrependido, ou de santo do pau-oco, como se nada de anormal tivesse acontecido.
Não gosto de carnaval.
Festa de hipócritas!
Sorrisos de mentira!
Relaxamento de atitudes.



Vejam o que o humorista Danilo Gentili escreveu em O PENSADOR

Queria ser presidente por um dia. Faria uma lei que anulasse o carnaval em prol da nação.
Argumentos lógicos não faltam: Diminuição de acidentes, menor índice de HIV positivo, melhor imagem do país no exterior, cortar semana ociosa para que aumentemos nossa rena; valorizar a imagem da mulher brasileira; investir os 2 bilhões gastos no carnaval, em educação, e diminuir o consumo de drogas nesse período.
Acho que não teria apoio popular para isso. Já tivemos presidentes que afundaram a educação, a reforma agrária, a inflação, a renda familiar, os empregos, e até mesmo um que roubou a poupança dos mais pobres. Ninguém reclamou. Porém, se eu acabasse com o Carnaval certamente me matariam.
Mesmo sabendo o risco que corro, aceitaria essa missão suicida, afinal, é melhor morrer no país do carnaval do que viver no carnaval.


                                    PALHAÇOS E MÁGICOS   (Publicado em 2015.)




Hoje, ao folhear o jornal, pude constatar mais uma vez, o quanto este é país das incoerências. Rádios, Televisão, Jornais e Revistas nos mostram cenas de carnaval, onde um povo mostra para o mundo, a falsa alegria de quem é explorado pelos políticos.
É por isso que somos o país "de um povo alegre e festeiro". Devíamos ter vergonha de sermos visto desta forma pelo resto do mundo. Enquanto os reservatórios de água estão agonizando, e as torneiras abertas não jorram mais água, milhares de pessoas vão para as ruas se fantasiarem de reis e rainhas, e de palhaços rindo para não chorar, enquanto os políticos e funcionários públicos sem escrúpulos roubam o nosso dinheiro sem o menor constrangimento.
Estamos muito perto de. morrermos de sede e de fome.
Quantos milhões de litros de água será consumido neste carnaval?


O brasil é um grande circo, e o povo gosta de ser o palhaço, enquanto os políticos sem vergonha são os mágicos que nos enganam.


PREOCUPADOS COM A FANTASIA.   Publicado em 2017



Já  perdi a conta de quantas vezes disse que não escreveria mais sobre os desmandos dos políticos, e tampouco sobre o caos que toma conta do brasil, de norte a sul, de leste a oeste.
A corrupção fez um estrago tão grande que as pessoas mais sensíveis já não tem mais lágrimas para chorar
Depois de ver e ouvir a professora aposentada do rio de janeiro, chorar lágrimas doídas, diante das câmaras de televisão, deixando extravasar toda sua tristeza por ter que enfrentar uma fila para receber cesta básica, como se estivesse recebendo uma esmola. Com lágrimas falou: “Eu estudei tanto, trabalhei tanto”. Isso aconteceu porque seu salário está sendo pago em parcela, enquanto somente o ex-governador sergio cabral roubou 230.000.000, 00 de reais, sem contar o que falta apurar e o que foi roubado por seus assessores e puxa sacos.
Depois de assistir a posse dos novos eleitos, ver políticos saindo da cadeia para assumir o cargo para o qual foi eleito, pela maioria de votos, de um povo que não tem a mínima nocão de cidadania.
Depois de ver a briga de gangues decapitando seus rivais dentro dos presídios, não posso me calar.
Perdi de vez a esperança de ver meus filhos e netos vivendo tranquilos.
E...
Estou impressionado com a passividade do nosso povo, que em momento algum está se posicionando contra os sacanas que deram o golpe político para assumir o governo, e com isso empurraram ainda mais nosso país para o precipício.
Não estou ouvindo nenhum grito de repúdio vindo dos intelectuais, dos artistas, dos escritores, dos sociólogos, parece que todos estão surdos e mudos, diante dos políticos que aumentam seus próprios salários, e não pagam os daqueles que realmente trabalham.
Por uns meses frequentei as redes sociais e fiquei estarrecido ao perceber, que a grande maioria não se posiciona contra as quadrilhas que saqueiam os cofres dos governos. Quase todos passam horas compartilhando vídeos, fotos, textos e frases sem nenhuma relevância, poucos tem coragem de digitar uma simples palavra de descontentamento com o que está acontecendo.
Isso era de se esperar...
O assunto do momento é o carnaval, muitos estão preocupados com a fantasia, com os adereços e os desfiles que mostrarão mais uma vez a superficialidade de pensamento dos brasileiros que se contentam com pão e circo.

3 comentários:

  1. Boa tarde de paz, Geraldo!
    Na situação em que estamos passando pois ainda não foi tudo ajeitado o ocorrido em janeiro, nem deveria ter carnaval como festa... Até concordo com descanso para trabalhadores ávidos por um feriadão.
    Diante tanta dor de muitos, é um disparate. Concordo com muitos pontos muito bem abordados aqui.
    Deus dê uma solução favorável aos que tudo perderam e falsamente o governo iria ajudar e até agora nada. Aqui perto, em Iconha, nada de ajuda governamental para comerciante, conforme prometido.
    Povo ainda limpando suas coisas
    A generosidade foi do povo. Até já suspenderam as doações de tanta coisa que se recebeu.
    Grite, possa ser que alguém ouça além de Deus!
    Tenha uma semana abençoada!
    Abraços fraternos

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  2. Lindo texto. Hoje fui impedido de postar no face a crônica social CINZAS presente no livro CRÔNICAS COMOROMETIDAS COM TUA VISA!

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  3. Bravo, bravo, bravo! concordo com o pensamento do Danilo, festa abominável, violenta, profana, produz filhos sem pai presente, e outro sim, tem gente que míngua abastecer a mesa pra participar do carnaval. Finalmente encontrei alguém que pensa igual a mim.

    Bom descanso amigo e bom feriadão.

    Saudações literárias.

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