30 de nov. de 2019

bolsonaro, O MENSAGEIRO DO DEMÔNIO


Repercussão internacional
As acusações de Bolsonaro contra DiCaprio foram destaque na imprensa internacional. Veículos da imprensa alemã como o jornal Die Welt e a revista Der Spiegel repercutiram o caso.
O portal de notícias Tagesschau escreveu que o presidente brasileiro fez "alegações sérias" contra o ator sem apresentar evidências, lembrando ainda que Bolsonaro já havia acusado ONGs de provocarem queimadas em agosto, também sem apresentar provas.
Os veículos britânicos The Guardian e BBC também destacaram as declarações de Bolsonaro, afirmando que ele "acusou falsamente" DiCaprio de ter financiado os incêndios.
Guardian falou em "alegações infundadas" e "acusação espúria, pela qual o presidente do Brasil não apresentou prova". O jornal também chamou de "controversas" as prisões dos quatro brigadistas, "também aparentemente sem evidências".
Nos Estados Unidos, os jornais Washington Post e New York Times também deram destaque ao que chamaram de "acusações falsas" do presidente brasileiro, "sem apresentar provas".
"Foi a mais recente tentativa do líder de direita de culpar terceiros pelos incêndios que concentraram a preocupação internacional em seu governo, que [por sua vez] reduziu os esforços para combater a exploração de madeira, a pecuária e a mineração ilegais na Amazônia",

Ministério da Agricultura registrou nesta terça-feira (17) mais 63 agrotóxicos. Desse total, 2 são princípios ativos (que servirão de base para produtos inéditos) e 5 são novos produtos que estarão à venda. Os demais 56 são genéricos de pesticidas que já existem no mercado.
As autorizações foram publicadas no Diário Oficial da União.
Com os novos registros, o total de agrotóxicos liberados chega a 325, superando o volume do mesmo período de 2018, quando houve 309 registros — veja o gráfico abaixo.
Assim, o ritmo de liberação deste ano segue sendo o mais alto da série histórica do ministério, iniciada em 2005.

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bOLSONARO ENTRETA O PAÍS AOS EVANGÉLICOS

Rumo ao Estado (terrivelmente) confessional. Jair Bolsonaro participou de uma cerimônia religiosa celebrada pela Frente Parlamentar Evangélica na Câmara dos Deputados. Este bloco, popularmente conhecido como a Bancada da Bíblia, reúne congressistas de vários partidos, em geral da direita, e conta com uma centena de membros, ou seja, cerca de 20% da Câmara dos Deputados.
A reportagem é de Dario Pignotti, publicada por Religión Digital, 11-07-2019. A tradução é do Cepat.
"Vocês sabem como as famílias foram atacadas pelos últimos governos, vocês foram decisivos no resgate dos valores familiares", afirmou Bolsonaro.
"Quantos tentaram nos deixar de lado dizendo que o Estado é laico, sim o Estado é laico, mas nós somos cristãos, ou plagiando a querida Damares, somos terrivelmente cristãos", disse citando a ministra Damares Alves, a pastora encarregada da pasta da MulherFamília e Direitos Humanos.
Durante o culto, que também envolveu um pastor, os participantes celebraram as frases mais tocantes estendendo as mãos ao céu.
No Brasil, o presidente tem o poder de apresentar ao Congresso os nomes dos candidatos ao Supremo Tribunal Federal toda vez que um membro do mesmo se aposenta ou renuncia.
Até 31 de dezembro de 2021, quando terminar o atual mandato, se aposentarão dois magistrados da suprema Corte.
Ao se referir a esse tema, antecipou que "entre as duas vagas que terei que indicar para o Supremo Tribunal Federal, uma delas será para um juiz terrivelmente evangélico".
A mesma promessa havia sido formulada no mês passado, quando criticou os juízes do Supremo por terem determinado que a homofobia é um crime equivalente ao racismo, condenado à prisão.
Apesar de católico, o ocupante do Palácio do Planalto não esconde suas divergências com o Papa Francisco - aprofundadas pelas opiniões de Bergoglio em defesa da Amazônia - e sua simpatia pelo poderoso movimento neopentecostal do qual recebeu apoio nas eleições do ano passado. Através da pregação de milhares de pastores, as principais correntes pentecostais, como a Igreja Universal do Reino de Deus, orientaram seus fiéis a votar no candidato de direita contra o "pecaminoso" Fernando Haddad, do Partido dos Trabalhadores.
Para agradecer este voto duro, no mês passado, participou da massiva Marcha para Jesus, realizada todos os anos em São Paulo, sendo o primeiro presidente a participar dessa mobilização religiosa.
Contrário ao aborto, a "ideologia de gênero" e a criminalização da homofobia, Jair Messias Bolsonaro foi batizada por um pastor nas águas do rio Jordão, em Israel, em 2016.
Ao participar do ato religioso realizado ontem no Parlamento, o capitão aposentado deu outro passo no sentido de uma aliança, cujo correlato internacional tem sido sua aproximação com o movimento cristão-sionista que patrocina tanto Donald Trump, quanto o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu.
O secretário de Estado, Mike Pompeo, representante do lobby cristão-sionista, foi o enviado de Trump para a cerimônia de posse do presidente brasileiro, em janeiro passado, e um dos arquitetos da cúpula Trump-Bolsonaro na Casa Branca, realizada em março.
Foi durante essa visita a Washington que Bolsonaro se reuniu com o pastor Pat Robertson, dono da rede Christian's Broadcast Nework e mundialmente famoso, desde o seu apoio à cruzada anticomunista de Ronald Reagan, nos anos 1980.
Pat Robertson e seu filho Gordon pediram a Deus que Washington e Brasília "estejam cada vez mais próximos" e manifestaram sua intenção de apoiar o Brasil em sua "ajuda humanitária" destinada à Venezuela.
Bolsonaro, que aspira ter um império midiático que responda organicamente ao seu projeto de reeleição em 2021, falou ontem de seu desejo de se encontrar em breve com o bispo Edir Macedo, proprietário da empresa de comunicação Record, e de visitar o Templo de Salomão, construído em 2014, pertencente à Igreja Universal do Reino de Deus, que foi homenageada ontem ao completar 42 anos.
A visita de Bolsonaro ao Legislativo deixou duas mensagens: uma em direção à Bancada da Bíblia, sustentada pelos deputados pastores, e outra em direção à Bancada da Bala, cujos membros são em sua maioria policiais estaduais e federais, entre os quais há supostos apoiadores das "milícias" paramilitares.
A estes últimos prometeu um regime especial, que os coloca a salvo da draconiana reforma da previdência que começou a ser tratada nesta quarta-feira no Plenário da Câmara dos Deputados.
Trata-se de um projeto elaborado pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, inspirado na reforma previdenciária do ditador Augusto Pinochet, com cujo governo o ministro colaborou no final dos anos 1970.

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Xadrez de como Bolsonaro herdou a rede neopentecostal de Eduardo Cunha, por Luis Nassif


Para entender o bolsonarismo, peça central é a questão da religião, especialmente do ativismo econômico e político das chamadas religiões neopentecostais.
A base de apoio de Eduardo Cunha misturava religião, milícias e um mundo de negócios: igrejas, contrabando, produção clandestina de cigarros, tráfico de armas, segurança privada de novos ricos que precisam andar nas sombras, produção e distribuição de música e literatura religiosa, shows e eventos artísticos, etc. Apesar dessa confluência, obviamente a vinculação de igrejas com crime é parcela menor desse universo.
Jair Bolsonaro herdou essa base. Mesmo antes de seu Partido 38 entrar em operação, significa que ele continuará tendo uma base de apoio razoável e estável no Congresso.
Cunha construiu sua rede de apoio no Congresso e no Estado do Rio financiando deputados. Mas a base de lançamento foram neopentecostais que ele convocava nos boletins diários da rádio Melodia FM, com o bordão “afinal de contas, o nosso povo merece respeito”.
Em janeiro de 2015, a eleição de Cunha para a presidência da Câmara Federal foi entusiasticamente apoiada pelos 90 deputados da bancada evangélica, e pela bancada ruralista.
Para ambos, Cunha acenou com a rejeição a qualquer tentativa de liberalização do aborto e de criminalização da homofobia. Para os ruralistas, a promessa para que o Congresso tenha poder de demarcar terras indígenas.
O entusiasmo poderia ser medido pelas palavras do Pastor Everaldo, presidente nacional do PSC: “Cunha representa a possibilidade de termos uma Câmara independente onde serão colocados na pauta assuntos de interesse do Brasil e não somente do governo e do partido do governo”, disse ele.
Cunha pertencia à Igreja Sara Nossa Terra, com um milhão de fiéis. Trocou pela Assembleia de Deus, com 13 milhões. E obteve o apoio de dois dos principais líderes evangélicos do estado, o bispo Manoel Ferreira e o Pastor Everaldo.
Essa estrutura fio inteiramente absorvida por Bolsonaro.

Peça 2 – a lavagem de dinheiro

Não se trata apenas da economia da fé. A possibilidade de ganho fácil em uma economia informal acabou atraindo muitos jovens ambiciosos também que encontraram um terreno fértil para a ilegalidade.
Trata-se de um território absolutamente informal, no qual as doações não são documentadas nem regularizadas. Fiéis de igrejas pentecostais mais sérias tentaram definir regras, como a necessidade de o doador registrar CPF, mas não conseguiram]

Criou-se, então, um campo fértil para o embricamento entre igrejas e economia clandestina, doações e lavagem de dinheiro, como comprovou o próprio Eduardo Cunha e suas relações obscuras com a Refinaria de Manguinhos.
Uma das denúncias da Lava Jato foi a de que a Igreja Evangélica Cristo em Casa fez um empréstimo de R$ 250 mil pra Cláudia Cruz, esposa de Eduardo Cunha, como forma de lavar dinheiro. A Igreja é presidida por Francisco Oliveira da Silva, ex-deputado federal e aliado de Cunha.
Na denúncia contra Cunha, o então Procurador Geral da República, Rodrigo Janot anotou que parte da propina a Cunha foi paga em doação para uma Assembleia de Deus em Campinas, presidida por Samuel Ferreira, irmão do pastor Abner Ferreira, presidente da Assembleia de Deus de Madureira, frequentada por Cunha.

Peça 3 – o empreendedorismo evangélico

É nesse quadro de informalidade, que se desenvolve o empreendedorismo evangélico, tendo como modelos os Jorge Paulo Lehmans da fé: Edir Macedo, da Igreja Universal do Reino de Deus (patrimônio de US$ 950 milhões), Valdemiro Santigo, da Igreja Mundial do Poder de Deus (US$ 440 milhões), Silas Malafaia (US$ 150 milhões), R.R.Soares, da Igreja Internacional da Graça de Deus (US$ 125 milhões), Estevam e Sônia Hernandes, da Igreja Renascer (US$ 65 milhões).
Reportagem da revista norte-americana Forbes, especializada em negócios, descreveu bem o fenômeno.
Os dois pontos centrais da expansão da economia evangélica foram a ascensão das novas classes sociais e as facilidades de ingresso no negócio religião, tudo pavimentado pela chamada teologia da prosperidade.
No Brasil, diz a revista, com os muito ricos e os muito pobres permanecendo firmemente católicos, a maioria dos evangélicos protestantes no Brasil está na classe média ascendente, seguindo a teologia da prosperidade.
O segundo ponto foi a flexibilização na formação dos pastores. As igrejas protestantes mais tradicionais exigem de seus pastores pelo menos o curso de mestrado. As Neopentecostais, como a Universal do Reino de Deus, oferecem cursos intensivos de formação de pastores por até US$ 350,00 e alguns dias de aula.
Segundo a revista, trata-se de um mercado com ampla expansão. Os católicos representam 64,6% da população, contra 92% em 1970. E os evangélicos passaram de 15,4% para 22,3% da população, ou 42,3 milhões de pessoas, em apenas uma década.
Os novos pastores ganham bons salários – Malafaia paga até US$ 11 mil mensais para os pastores de maior talento -, mas também ganham poder. E o fascínio da riqueza fácil, mas a informalidade do setor, estimulou algumas aventuras mais agressivas no mundo da contravenção.



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Um comentário:

  1. Olá, Geraldo!

    Que é feito de você? Está bem de saúde? E sua família?
    Por aqui, tudo normal, felizmente.

    Enfim, maluqueiras e falta de sentido de estado do capitão aposentado. Religião e política são assuntos diferentes e devem estar separados. Tamares é louca.

    BOAS FESTAS E EXCELENTE ANO NOVO!

    Beijos para todos e um mto especial para Bernardo.

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