22 julho, 2018

ÚLTIMO FACHO DE LUZ


                                      



É madrugada, o silêncio ainda é uma sensação gostosa de ser ouvido. Os sons que chegam aos meus ouvidos parecem vir de muito longe, e tento prestar atenção para ver se estão querendo me dizer alguma coisa.
Mas o próprio silêncio está me dizendo que preciso de mais momentos como este.
Em pouco tempo tudo se transforma.
A cidade acorda para mais um dia de trabalho, e as ruas com seu trânsito complicado, aliado à correria das pessoas, trazem-me de volta à realidade.
Já não quero mais ouvir rádio ou ligar o televisor.
Sei que vou ouvir notícias ruins, e estou cansado de ver imagens de roubos e assassinatos.
Mesmo tentando blindar meu cérebro contra estas agressões, inconsciente, lembro-me de alguém morrendo por culpa única e exclusiva dos políticos e empresários que roubam descaradamente o dinheiro que deveria ser usado para dar vida digna a todos que carregam em suas costas o peso da carga absurda de impostos que vão para os bolsos de poucos.
Com raríssimas exceções...
Este é um país de políticos corruptos e corruptores.
Este é um país de empresários corruptos e corruptores.
Um país onde as compras do serviço público são regidas por uma lei de licitação que abre brechas para que um mesmo empresário participe das concorrências com quantas empresas quiser. Todos os envolvidos sabem disso, mas como vivemos no país das falmacutaias os nossos legisladores fingem não ver.
E isso vai irritando e estressando as pessoas, e o estresse vai mexendo com o emocional de muitos que não conseguem assimilar e veem suas vidas se transformarem em um verdadeiro martírio.
Outro dia, um jovem de 32 anos, casado, pai de uma filha, sem nenhum problema financeiro, desabafou comigo toda sua indignação contra os acontecimentos que já parecem terem virado rotina nesse país das sacanagens.
Esse jovem me disse que já pensou até em dar cabo da própria vida.
E isso me preocupa.
Alguém já parou para pensar que esse comportamento é algo comum, e que assusta?
Essa falta de vergonha na cara dos ladrões engravatados que nos roubam, essa falta de vergonha na cara de quem vota em qualquer sacana a troco de qualquer coisa dando sua parcela para criar as condições propícias para que a vida se torne insuportável.
Não quero violência. 
Mas gostaria que no dia das eleições todos fossem às urnas e anulassem seu voto não elegendo nenhum deputado e senador, não reelegendo nenhum governador para um segundo mandato e também ninguém que ele apoiar, ou que seja do mesmo partido.
Precisamos também prestar bastante atenção para não elegermos nenhum dos sobrenomes famosos da política e tirarmos do poder todos aqueles que nos roubam há várias gerações.
A eleição do presidente bolsonaro foi uma prova de que não sabemos separar o joio do trigo. como fizemos quando elegemos Fernando Collor.
Espero que os eleitores tenham aprendido a lição para não deixarmos apagar o ´último facho de luz que ilumina nossos caminhos


Um comentário:

  1. olá, Geraldo!

    Um texto, que começa mto liricamente, mas depois vem a realidade, que é dura e brutal.
    Em outubro, o Brasil tem eleições. É preciso saber escolher, embora não haja gente perfeita, contudo há os gatunos e os k o não são.

    Beijos para todos e um especial para Bernardo.

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