30 de mar de 2015

SENTINDO O SOPRO DA MORTE

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ESTE É O SOPRO DA VIDA, DESFRUTE-O














Tenho refletido muito sobre a morte nesses últimos dias. Sei que é um assunto que poucas pessoas pensam, e muitas sentem até pavor. Resolvi escrever porque na semana passada ela passou bem perto da minha casa, e levou um jovem engenheiro de cinquenta e três anos que brincava carnaval com a família. Era meu vizinho de muro. Era saudável e cheio de vida, agradável. e nada nele demonstrava que estava perto do fim. E um infarto fulminante o levou para o outro lado.
A morte não brincou. Quando fiquei sabendo, foi como se tivesse sentido seu sopro no ar do meu quintal. E o seu mistério, ou a sua incompreensão é alguma coisa de fascinante.
Não estou falando dessas mortes estúpidas que acontecem em assassinatos brutais, batidas violentas ocasionadas por motoristas bêbados, por veículos na contramão, e nem desses erros médicos, e tão pouco da morte por abandono em uma unidade de saúde.
Falo da morte natural. Natural. Coisa mais ridícula. Para todo ser humano que tiver um pouquinho de bom senso, natural deveria ser somente a vida. A morte precisa ser uma consequência da vida. Não um destino.
Vejamos.
Um jovem de cinquenta e três anos, bem-sucedido na vida, morre de infarto pegando todo mundo de surpresa.
No asilo, moradores estão acamados há mais de dez anos sendo alimentados como se alimenta um filhote de passarinho, grão a grão.
Deve ser por isso que resistem! A morte impulsiona a vida.
Todos sabem que após a morte de um ente querido, apesar do vazio, a vida tem que continuar.
O grande mistério é não saber a hora em que ela virá nos visitar. Diagnósticos médicos já falharam e continuarão falhando, ao tentar prever o tempo de vida de alguma pessoa. Corpos saem ilesos de acidentes terríveis, e muitos saem do coma para contarem experiências de talvez terem conhecido o outro lado da vida.
As religiões dizem que o outro lado não é a morte. Chegam até a afirmar que é a continuação da vida. Talvez eu seja um ateu não assumido, mas às vezes é difícil assimilar que isso seja verdade. É claro que acredito no Deus da vida, e é isso que me impulsiona a ter a caridade como minha principal religião. Acredito que o Sagrado rege o mundo e a nossa vida, mas cada um procura e constrói o seu próprio céu, ou o próprio inferno ao escolher sua maneira de viver. Quando morrer ninguém terá que prestar conta de nada.
Nem crédito, nem débito. Já pagou se viveu no céu, ou deu o calote e viveu no inferno.
A moeda tem dois lados, quando jogada para o alto um dos dois fica na terra.
Assim é a vida.
Um destes lados fatalmente, dia menos dia irá ficar com um lado na terra, ou será um monte de cinzas jogadas ao vento, ou guardada em um pequeno baú. A morte é a nossa verdade absoluta.
A vida não. Existem inúmeras maneiras de formatar o jeito de viver. Porque ela não tem um tempo determinado, e sempre tem que continuar. Não depende da vontade de cada um, nem mesmo para o suicida, porque não foi no ato de morrer que ele perdeu a vida, ele há havia perdido há mais tempo
Então, como a morte é a única certeza.
É preciso viver.
Intensamente.
Ou...
Tranquilamente.
Cada minuto.
Repartindo aquilo que temos de melhor.
A...
Vida.

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