11 de mai de 2012

DESABAFO

LAR VICENTINO DIVINO FERREIRA BRAGA     

                                                          DESABAFO                             

Fico observando os filhos visitarem os pais no Lar Divino Ferreira Braga, um asilo para pessoas carentes, financeiramente, e de afeto. A maioria recebe visita dos parentes nos três primeiros meses, depois são apenas lembranças, e menos um estorvo para serem cuidados dentro de suas casas. 
De vez em quando os eles até os levam para almoçar em dia de domingo. 
Como presidente do Lar não sei isto é bom ou ruim para o morador. 
Talvez esteja enganado, mas ficar remoendo e remexendo velhas lembranças!
Queria saber como fica a cabeça desse pai ou dessa mãe, um dia rodeado de filhos, netos, noras, amigos, no outro, levado de volta ao asilo para ficar olhando para as paredes
Hoje travei um longo dialogo com uma moça, que se diz contra o asilamento das pessoas, é advogada, e concorda com o Estatuto do Idoso que obriga o parente mais próximo cuidar do outro, quando a necessidade se tornar realidade. 
Pais cuidando dos filhos. 
Filhos cuidando dos pais. 
Irmãos cuidando de irmãos. 
Netos cuidando dos avós. 
Isto seria viver no paraíso!
Infelizmente a realidade é outra. 
A crueldade é real, e a pobreza também!
Como somos um país de terceiro ou quarto mundo, onde uma lei, que teoricamente traz benefício para os pobres, não passa de piada de mal gosto, pois, se o que foi proposto neste estatuto fosse realizado, os idosos deste país estariam morando num paraíso.
Nele está escrito:” Todo idoso tem direito a acompanhante quando estiver hospitalizado”. Mas os hospitais públicos transformaram o direito em dever, os “entendidos de tudo” dizem que o acompanhante ajuda na recuperação do paciente. 
E quem cuida do acompanhante? 
Esta lei quer obrigar uma pessoa cuidar de alguém da família, mas o legislador não quis saber se esse cuidador tem condição financeira e emocional para assumir tal responsabilidade. Como pode uma pessoa que se sustenta com um mísero salário mínimo, ser obrigada a cuidar dos seus entes queridos, doentes ou idosos, muitas vezes acamados, ou com algum distúrbio mental? 
Agora tentem me convencer que um filho único, assalariado que precisa trabalhar para sustentar sua família, quando um dos pais adoecer, vai conseguir ser acompanhante e trabalhar ao mesmo tempo? Para não perder o emprego terá que pagar o acompanhante, que normalmente nem sequer conhece o paciente que vai acompanhar.  Como o doente terá que ser cuidado dia e noite, esse pagamento terá que ser feito a duas pessoas, o que hoje, gira em torno de no mínimo duzentos reais, (R$ 300,00), 15/08/2019, por dia. para cobrir os dois turnos. 
Nenhuma lei feita pelos homens vai colocar amor no coração de ninguém, somente um mandamento pode fazer isso: “Amais-vos uns aos outros, assim como Eu vos amei”.
Quando o parente está disponível e disposto a acompanhar seu ente querido, não precisa de nenhuma imposição, vai pelo prazer de servir.  Esta mesma lei que permite aos governos o não cumprimento da Constituição que em um dos seus artigos deixa bem claro que “Todo cidadão tem direito à vida digna”. Constituição que deveria ser rasgada, pois permite que políticos sacanas vivam em verdadeiros paraísos, rodeados de amigos, e com toda sua corja. Paraísos esses, construídos com o dinheiro roubado de povo que morre na fila dos serviços de saúde. 
Nove mil reais por mês! 
Um assalariado tem condição de pagar? 
Em sã consciência, não!
Então, se qualquer idoso tiver a infelicidade de adoecer, sua família terá que passar fome para que alguém seja contratado para acompanhá-la em um hospital? Somente duas categorias de trabalhadores podem fazer isso. O funcionário público que dificilmente tem o ponto cortado, e os ricos, que sem nenhum problema financeiro contratam um profissional da saúde e está resolvido seu problema.
E não para por aí...
Todos os anos assistimos pessoas indo para as ruas comemorar o dia Antimanicomial, isto é, contra a internação de pessoas com problemas mentais, simplesmente porque, burocratas, psiquiatras e psicólogos chegaram à expressiva conclusão, que as casas de acolhimento dessas pessoas deveriam ser fechadas. 
Eu disse acolhimento. 
Não de tortura como eram os antigos Manicômios, onde funcionários sem escrúpulos e sem alma recebiam salários para torturarem pessoas. Quando fecharam estas instituições, agravaram o convívio familiar, principalmente dos mais pobres, que de uma hora para outra tiveram que alterar toda rotina da família.
Então vejamos: quantas pessoas você conhece que pode levar um irmão. ou qualquer outro parente com problema mental para dentro da sua casa, e deixa-lo ficar com seus filhos enquanto o casal sai para trabalhar? Precisamos sim, de muitas casas para acolher pessoas idosas, ou com problemas mentais.
Casas como o Lar Vicentino Divino Ferreira Braga, em Betim-Mg; que cuida de cinquenta e cinco moradores, na sua grande maioria com problemas mentais, por doença ou por velhice. Aqui eles são cuidados com carinho e respeito, que todo ser humano deveria receber. Que mesmo sendo uma instituição de caridade, paga acompanhante para seus moradores quando são internados no hospital público da cidade.
Se as Instituições de caridade não cuidarem dessas pessoas, quem o fará?
E não para por aí...
E vem outros idiotas e criam o PID. (Programa de Internação Domiciliar). Outra grande sacanagem que fizeram com as pessoas mais pobres. Imagine você morando em um barraco de três cômodos, cuidando de alguém deitado em uma cama hospitalar, entubado com um Balão de Oxigênio, usando aspirador de Secreção, etc.
Coloque-se no lugar desse morador.
Para quem é rico, a internação domiciliar é benéfica para o paciente, e muito simples para quem vai cuidar, basta contratar um profissional da saúde e está resolvido o problema.
Mas é ou não uma grande sacanagem com quem teve o azar de nascer pobre?
Quando alguém está sob os cuidados de um hospital ou de qualquer outra instituição governamental, por lei, elas têm obrigação de cuidar e bem da pessoa institucionalizada.
Mas infelizmente isso não acontece nesse país das sacanagens. Milhares de técnicos e auxiliares de enfermagem que pagaram caro por um curso na esperança de um emprego, não conseguem se inserirem no mercado de trabalho, porque os sacanas que nos governam não os contratam, alegando falta de verba, essa mesma verba, que a maioria deles roubam descaradamente.
Infelizmente esta sacanagem não vai acabar, mas eu desabafei.



5 comentários:

  1. Olá estimado Geraldo,

    Li sua postagem duas vezes, não por ela ser extensa, mas porque eram várias, as situações referidas.
    Lares, Terceira Idade é coisa para esquecer. São "lixo", pensam, quase todos.
    Os filhos trabalham , não podem cuidar de seus pais, mas seus pais cuidaram deles, enquanto eles eram pequenos. Então? Onde está a reciprocidade? E os pais ainda dizem: não quero prejudicar nem importunar a vida de meus filhos. Nossa! Têm mais é que exigir.
    Se pode deserdar filho, sabia? Pelo menos em Portugal, é assim, mas poucos o fazem, porque, filho é herdeiro legítimo e natural. Natural e legítimo seria o filho dar amor e acolhimento a seus pais.
    Concordo com aquilo que a advogada disse pra você.
    Segundo entendi, você é Presidente do Lar, portanto preside aos destinos dessa gente, certo? Meritório cargo. Os meus Parabéns!
    Seus textos são sempre, ou quase sempre sociais, não tinha entendido o porquê. Agora, compreendo.

    Bom fim de semana.
    Abraços da Luz.

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  2. Olá estimado Geraldo,

    Não dei por nada, nem ouvi sua respiração. Chegou em bicos de pés, tenho certeza.
    Quero agradecer a sua falta de sono, vindo me ler, se encontrar com as minhas palavras, comigo, na imaginação. Lhe dê um beijo por mim.
    Eu dormia, que nem princesa, com os meus zeladores à minha volta: os anjos e você estava no meio deles.

    SONHAR É TÃO BOM E O PODER DA MENTE É ASTRONÓMICA, PERFEITA.

    Obrigada pela visita. Volte sempre.

    Abraços da Luz.

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  3. Oi Geraldo, Isso seria uma maravilha se algo foi real assim.

    Pais cuidando dos filhos.
    Filhos cuidando dos pais.
    Irmãos cuidando de irmãos.
    Netos cuidando dos avós.
    Isto seria viver no paraíso.
    Infelizmente a realidade é outra.
    A crueldade é real.
    O mundo é real demais e machuca mais do acolhe.

    Grande abraço!

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  4. Pois bem amigo.Leis e mais leis se criam para não serem cumpridas,pois eles mesmo arranjam como burla-la.É como dizer para ensinar a pescar paa quem mora no sertão onde o peixe so aparece em lata de sardinha com data quase vencida com preço reduzido.Vivemos num pais perverso onde o desrespeito é enorme aos teoricamente incapazes,como crianças e idosos,doentes ou não.Cada vez mais empurra para a familia a responsabilidade por tudo, inclusive acompanhar e cuidar de doenças que não requerem internamento especializado como era o caso de varios doenças como tuberculose,loucura e etc.Mas se a familia vive a beiras da miseria,todo este discurso vai por agua e encontramos estes seres abandonados pelas avenidas e viadutos.O Brasil não acordou para a crise social profunda que temos, onde o bolsão aumenta gradativamente,sem nenhum plano que faça controlar a natalidade,principalmente nos lares mais pobres.O asilamento é muitas o paraiso para estes seres desprovidos de toda sorte.Há uma convivencia com iguais e em muitos há um carinhos vindo dos funcionarios fazendo do espaço,mais do que um casa de repouso, uma familia.
    Parabens pela lucida critica e reflexão.
    Os direitos do homem deveriam ser mais respeitados.
    E tem mais enquanto aceitarmos estas corrupções como coisa normal, não poderemos crer numa mudança de situação.
    Triste realidade amigo.
    Um abração mineiro de admiração e paz.

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  5. Parabéns pela postagem. É a primeira vez que vejo algo tão objetivo e pertinente sobre esse tema e que mostra um conhecimento verdadeiro e real em contraste com as utopias relatadas em outros sites, que só mostram os preconceitos de pessoas que só sabem olhar para seu próprio umbigo e acham que vivem no mundo real.
    Um grande abraço e parabéns mais uma vez.

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