FORA BOLSONARO, O VIRUS QUE ESTÁ MATANDO O BRASIL

11 de mai. de 2012

DESABAFO

LAR VICENTINO DIVINO FERREIRA BRAGA     

                                                          DESABAFO                             


Fico observando os filhos visitarem os pais no Lar Divino Ferreira Braga, um asilo de caridade da Sociedade São Vicente de Paulo na minha cidade. A maioria dos moradores são visitados pelos parentes nos três primeiros meses. Depois são apenas lembranças e menos um estorvo para serem cuidados dentro de casa. De vez em quando até os levam para almoçarem nas suas casas um dia de domingo. Como presidente do Lar não sei é bom ou ruim para o morador ficar remoendo e remexendo velhas lembranças. Um pai, uma mãe, um irmão, ficam o tempo inteiro sentados olhando para as paredes, ou agarrados nas grades das janelas olhando para a rua como se fossem prisioneiros da amargura. No domingo de manhã é levado para almoçar com a família, com irmãos, com filhos, esposa ou marido, e netos ao seu redor. À tarde é devolvido para seu quarto do asilo que mesmo com todo o conforto, parece muito com a cela de uma prisão.
Hoje travei um longo diálogo com uma advogada, mais uma adepta da lei contra o asilamento das pessoas. Falávamos sobre o Estatuto do Idoso, que no papel, nos dá a impressão que nós da terceira idade viveremos em um paraíso. Este estatuto obriga o parente mais próximo cuidar do seu parente, em muitos casos nada querido, sem perguntar-lhe se quer ou tem condição financeira e emocional para assumir tal responsabilidade.
Pais cuidando dos filhos. Filhos cuidando dos pais. Irmãos cuidando de irmãos. Netos cuidando dos avós. Isto seria viver no paraíso. Infelizmente a realidade é outra, e muito mais perversa.
A crueldade é real. Esta realidade nos mostra filhos e netos explorando pais e avós, e assistimos também o sacrifício de vários avós que são obrigados a cuidarem dos netos. 
O estatuto também prevê que: “Todo idoso tem direito a um acompanhante quando estiver hospitalizado”, com a alegação que o acompanhante ajuda na recuperação do paciente. Os hospitais públicos transformaram este direito em obrigação alegando falta de funcionários. Os legisladores sabem que a maioria dos acompanhantes são pessoas estranhas contratadas para tal função? Enquanto isso, milhares de técnicos e auxiliares de enfermagem que pagaram caro por um curso na esperança de um emprego, estão desempregados enquanto a grande maioria dos políticos e funcionários públicos corruptos, (existem belas e magnificas exceções), descaradamente desviam as verbas destinadas à saúde para os seus bolsos.
Quando a pessoa está disposta a acompanhar seu ente querido, não precisa de nenhuma imposição, vai pelo prazer de servir. Nenhuma lei feita pelos homens consegue colocar amor no coração de ninguém. Somente uma lei pode dizer a uma pessoa que ela deve cuidar do seu ente querido: “Amai-vos uns aos outros, assim como Eu vos amei.
Hoje, junho de dois mil e dezenove, a remuneração de um acompanhante em dois turnos durante um mês gira em torno de duzentos reais por dia, ou seja, seis mil reais por mês.
Quando se tem uma boa condição financeira tudo é muito simples.
E quem não tem dinheiro para contratar? Coloque-se no lugar de um assalariado que precisa trabalhar para sustentar sua família. Quando seu ente querido precisar de acompanhamento em um hospital, esse cidadão terá que parar de trabalhar?  Somente duas categorias de pessoas tem plenas condições de ser acompanhante: os funcionários públicos, e os ricos que sem nenhum problema financeiro conseguem pagar mão de obra para tal procedimento.
Quem cuida de quem? 
Vamos abordar agora o lado emocional das pessoas idosas, acamadas ou não, e suas famílias.
Mas vamos ser bem práticos: Quantas pessoas você conhece que pode levar um pai, uma mãe ou um irmão com problemas mentais para dentro da sua casa, deixando o mesmo ficar com seus filhos, enquanto o casal sai para trabalhar? 
Em sã consciência, nenhuma!
E vem um político, com a conivência de muitos psiquiatras e psicólogos, e fecham as casas de acolhimento para pessoas com problemas mentais com a balela de que é preciso socializa-los.
Eu disse acolhimento, não de tortura como eram os antigos Manicômios, onde funcionários sem escrúpulos e sem alma recebiam salários para torturarem pessoas. Quando fecharam essas instituições agravaram o convívio familiar, principalmente dos mais pobres que de uma hora para outra tiveram que alterar toda rotina da família.
E todos os anos assistimos pessoas que nunca sofreram na pele as tristezas de verem suas casas se transformarem em hospício indo para as ruas comemorarem o dia ANTI MANICOMIAL. 
Precisamos sim, de mais casas para acolher pessoas com problemas mentais. Casas como o LAR VICENTINO DIVINO FERREIRA BRAGA em Betim-Mg; que cuida de cinquenta moradores, na sua grande maioria com problemas mentais por doença ou por velhice, que são cuidados com carinho e respeito que todo ser humano deveria ser cuidado. Que mesmo sendo uma instituição de caridade, também paga acompanhante quando um dos seus moradores é internado no hospital público da cidade, porque os empregados que cuidam da casa são insuficientes para esta tarefa. Se as Instituições de caridade não cuidarem destas pessoas, os governos terão condições de assumir tão sublime tarefa? 
Ou todos terão que perambular pelas ruas como cachorros sem dono? 

Infelizmente esta sacanagem não vai acabar, mas eu desabafei.

5 comentários:

  1. Olá estimado Geraldo,

    Li sua postagem duas vezes, não por ela ser extensa, mas porque eram várias, as situações referidas.
    Lares, Terceira Idade é coisa para esquecer. São "lixo", pensam, quase todos.
    Os filhos trabalham , não podem cuidar de seus pais, mas seus pais cuidaram deles, enquanto eles eram pequenos. Então? Onde está a reciprocidade? E os pais ainda dizem: não quero prejudicar nem importunar a vida de meus filhos. Nossa! Têm mais é que exigir.
    Se pode deserdar filho, sabia? Pelo menos em Portugal, é assim, mas poucos o fazem, porque, filho é herdeiro legítimo e natural. Natural e legítimo seria o filho dar amor e acolhimento a seus pais.
    Concordo com aquilo que a advogada disse pra você.
    Segundo entendi, você é Presidente do Lar, portanto preside aos destinos dessa gente, certo? Meritório cargo. Os meus Parabéns!
    Seus textos são sempre, ou quase sempre sociais, não tinha entendido o porquê. Agora, compreendo.

    Bom fim de semana.
    Abraços da Luz.

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  2. Olá estimado Geraldo,

    Não dei por nada, nem ouvi sua respiração. Chegou em bicos de pés, tenho certeza.
    Quero agradecer a sua falta de sono, vindo me ler, se encontrar com as minhas palavras, comigo, na imaginação. Lhe dê um beijo por mim.
    Eu dormia, que nem princesa, com os meus zeladores à minha volta: os anjos e você estava no meio deles.

    SONHAR É TÃO BOM E O PODER DA MENTE É ASTRONÓMICA, PERFEITA.

    Obrigada pela visita. Volte sempre.

    Abraços da Luz.

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  3. Oi Geraldo, Isso seria uma maravilha se algo foi real assim.

    Pais cuidando dos filhos.
    Filhos cuidando dos pais.
    Irmãos cuidando de irmãos.
    Netos cuidando dos avós.
    Isto seria viver no paraíso.
    Infelizmente a realidade é outra.
    A crueldade é real.
    O mundo é real demais e machuca mais do acolhe.

    Grande abraço!

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  4. Pois bem amigo.Leis e mais leis se criam para não serem cumpridas,pois eles mesmo arranjam como burla-la.É como dizer para ensinar a pescar paa quem mora no sertão onde o peixe so aparece em lata de sardinha com data quase vencida com preço reduzido.Vivemos num pais perverso onde o desrespeito é enorme aos teoricamente incapazes,como crianças e idosos,doentes ou não.Cada vez mais empurra para a familia a responsabilidade por tudo, inclusive acompanhar e cuidar de doenças que não requerem internamento especializado como era o caso de varios doenças como tuberculose,loucura e etc.Mas se a familia vive a beiras da miseria,todo este discurso vai por agua e encontramos estes seres abandonados pelas avenidas e viadutos.O Brasil não acordou para a crise social profunda que temos, onde o bolsão aumenta gradativamente,sem nenhum plano que faça controlar a natalidade,principalmente nos lares mais pobres.O asilamento é muitas o paraiso para estes seres desprovidos de toda sorte.Há uma convivencia com iguais e em muitos há um carinhos vindo dos funcionarios fazendo do espaço,mais do que um casa de repouso, uma familia.
    Parabens pela lucida critica e reflexão.
    Os direitos do homem deveriam ser mais respeitados.
    E tem mais enquanto aceitarmos estas corrupções como coisa normal, não poderemos crer numa mudança de situação.
    Triste realidade amigo.
    Um abração mineiro de admiração e paz.

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  5. Parabéns pela postagem. É a primeira vez que vejo algo tão objetivo e pertinente sobre esse tema e que mostra um conhecimento verdadeiro e real em contraste com as utopias relatadas em outros sites, que só mostram os preconceitos de pessoas que só sabem olhar para seu próprio umbigo e acham que vivem no mundo real.
    Um grande abraço e parabéns mais uma vez.

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