7 de dez. de 2010

VIDA DE MANEQUIM


















Raramente vou a um shopping para passear, e muito menos para fazer compras. Ultimamente tenho ido para passar o tempo esperando uma pessoa que me dará carona depois de mais um dia de trabalho. Fiquei observando os manequins das lojas de roupas e sem querer, comecei a pensar... E se eles falassem? Coitados de nós pobres mortais!
-Pierre você está vendo aquele careca de óculos que fica olhando para nós todos os dias? Ele nunca entrou na loja, pelo jeito deve ser pobre. -Claro que vi Dany, até parece que ele quer conversar com a gente. Quase não resisti e falei com ele. Ele estava como nós, parado. Só observando!
-Pior! -Ninguém olha para ele, e para nós todos os olhares se voltam.
-Você está viajando? As pessoas olham somente para as roupas. Esqueceu que somos bonecos gigantes sem cor e sem vida? Pelo menos é o que todos pensam! O dia aqui é muito enfadonho, não vejo a hora de fechar e essa turba toda ir dando o fora para podermos vestir a roupa que quisermos. É um saco ficar mostrando aquelas peças horrorosas que os ricos chamam de moda e que usam para se sentirem importantes e chiques. Ser manequim de loja de grife é mais saco ainda, é cada dondoca e cada bruaca que aparecem para nos torrar a paciência, que dá vontade de sair da vitrine e lhes dar uns bons tabefes.
-Você lembra Paty, aquelas duas que reviraram a loja inteira experimentando peça por peça, e sem comprarem nada saíram dizendo que não gostaram? -Me deu uma raiva danada quando aquela gordinha disse que este modelito que estou usando não lhe cai bem. Pudera, com uma bunda daquele tamanho! -E aquela magricela que experimentou aquela calça que foi sucesso no desfile, e disse que não ia levar porque ficou muito larga?  
-Também, com uma bundinha murcha como a dela, queria o quê?
-Aparece cada figura se achando o máximo, mas quando vê o preço sai correndo.
-Sabe Pierre, o que eu gosto mesmo é ver as pessoas passando. Tem cada coisa ridícula!
-Tatuagens em muxibas e pelancas. Chinelos de dedo mostrando o calcanhar todo rachado parecendo que trabalham na roça. Barriga de fora com cada umbigo que mais parece um ânus.
-E os que ficam comendo salgadinhos baratos, desses que se compram no camelô? Dá impressão que vão estender uma toalha e fazer um piquenique.
-Eu acho que bom mesmo deve ser manequim de loja popular.
-Deixa de ser otária, manequim de lojinha é cabide.
-Oh Pierre, você que é chegado do dono da loja poderia falar com ele para fazer uma maquiagem na gente. Um batonzinho básico e uma peruca bem transada vão realçar ainda mais os nossos modelitos.
-Deus me livre, todos vão querer nos imitar! Já nos bastam aquelas manequins magricelas que andam de um lado para outro mostrando roupas ridículas achando que estão abafando
-Ninguém compra!
-Aqui na loja eu nunca vi, e na rua será que alguém viu?
-Essas roupas só servem para as ricaças vestirem à tarde, entrarem em um carro de luxo, e à noite tirarem para seus amantes dando gargalhadas pensando no paspalho do marido que pagou a conta.
-Ah! Se manequim de loja pudesse falar. -Eu ia pedir para o idiota sentado aí parar de olhar para as minhas pernas, que pela sua cara ele está imaginando coisas.
E eu estava mesmo. Pensando...
Como é dura a vida de manequim.
Principalmente daqueles que desfilam pelas ruas vestindo roupas de grife, ostentando um padrão de vida que veem somente nas novelas e que só existe no seu imaginário.
                                         

Um comentário:

  1. muito legal - e engraçado - esse texto! adorei! tambem ja pensei muitas coisas sobre como seria o pensamento de um manequim, é algo tão curioso não é mesmo?
    um abraço, agradeço pela visita em meu blog, aceito sugestões de postagens (não precisa ser sobre moda ta, porque posso postar no outro blog) seja bem vindo aos meus blogs!

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