30 agosto, 2010

A DIVISÃO DOS HOMENS

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A TRISTEZA E O ABANDONO NÃO TÊM ROSTO
                             

A DIVISÃO DOS HOMENS
 
Andei como só os vagabundos andam.
Não tinha ilusões, não tinha destino, andei por andar. 
Nessas andanças sem rumo vi gente de todos os tipos, vagabundos pobres e ricos, favelados e moradores de mansão. Vi a divisão dos homens e os desencontros de todos os dias.
É fácil perceber esta divisão.
As pessoas se dividem pela cor, religião, cultura, e volume do bolso. 
O aspecto físico também diferencia. Muitos tem cara de fome e em sua maioria são doentes assíduos frequentadores das filas do SUS. Outros com caras alegres vivem de barriga cheia e alimentam seus cães com iguarias que a maioria dos pobres gostariam de ter para não morrer de fome. 
Pobres e milionários se misturam na mesma caminhada, mas raramente seus caminhos se cruzam. Cada um segue o seu, ambos pensando no dinheiro. Os ricos, a minoria que detém toda a riqueza do país vivem preocupados em ganhar sempre mais. Os remediados, chamados de classe B, que sustentam esse país com seu trabalho pagando juros abusivos, e os que estão no limiar da miséria vivem tentando dar um jeitinho para viver com dignidade.
Hoje não tinha médico no posto! Não tenho dinheiro para comprar esse remédio.
O que vou comer? 
O que vou vestir? 
Não tenho dinheiro para a condução! 
O gás acabou! 
Essas frases são constantemente pronunciadas  pelos partidários da fome, e pouca gente se preocupa com elas e com eles.
Os políticos criaram um monte de tíquete disto e vale daquilo que são distribuídos a seu bel prazer como moeda de troca eleitoreira. 
Estou com fome! Muitos meninos e meninas foram surrados ao pronunciarem esta frase, e nós falamos que o pai e a mãe são estúpidos. Muitos são! Mas nos coloquemos no lugar deles que ao receberem seus salários percebem que mal dará para pagar o aluguel.
Quando o filho sai para esmolar, dizemos que é um absurdo, quando o pai ou a mãe se humilham esmolando para matar a fome dos filhos, somos os primeiros a chamá-los de vagabundos dizendo que são fortes e podem trabalhar. 
Pedir esmola... 
Pedir pelo amor de Deus! 
Mesmo em nome de Deus, não existe nada mais humilhante. 
O problema é que o ser humano se acostuma até com o que humilha. 
Fome!
Alguns de nós ao chegarmos em casa na hora do almoço já recebemos a notícia que não foi preparado porque o gás tinha acabado e não tinha dinheiro para comprar? 
Alguns dizem: Porque não catam uns gravetos e acendem um fogo? Como e onde fazer isso todos os dias? 
Alguns de nós já fomos para cama tentando dormir sem sequer termos tomado um simples cafezinho durante todo o dia? 
Ficamos indignados quando os noticiários jogam na nossa cara a imagem dos famintos dos países mais pobres, da África, por exemplo.
Eles existem. 
Os países. 
Os famintos. 
Neste país do desperdício chamado brasil não é preciso ir longe para ver essas cenas.  Bem na nossa porta tem alguém passando fome, e não adianta fazer mutirão para arrecadar alimentos. Isto é muito salutar, mas é como febre, passa logo.
É preciso dar dignidade e condição de vida para que o nosso povo pare de viver de esmolas. 
FOME. 
Esta palavra já deveria há muito estar banida dos dicionários.
Existem muitos campos abandonados e muitas terras a cultivar.
E os homens fabricam armas e constroem robôs que substituem o ser humano nas grandes empresas para diminuir o custo dos manufaturados que aumentam os lucros. Mas em contrapartida, os custos sociais com o desemprego e o desamparo do trabalhador vão produzindo mais miseráveis.
Os ricos não se preocupam com o amanhã.
Os pobres vivem de esperança.
Esperança! 
Esta é uma das raras vezes que seus caminhos se cruzam.
Todos nós vivemos de esperança. 
E a esperança é Deus que sempre nos mostra por parábolas que a estrada para a luz pode ser percorrida por todos e que a intensidade do brilho desta luz vai depender da maneira como nós tratamos o nosso semelhante. E que para não sermos ofuscados por esse brilho, precisamos diminuir a distância que nos separa para quem sabe um dia, possamos sermos acolhidos no abraço da ternura que nos criou à sua imagem e semelhança. 
Que no relacionamento de amor a palavra dividir seja usada somente para repartir os bens. 
Que no relacionamento da fraternidade todos sintam-se incomodados quando um irmão estiver passando fome ou sofrendo qualquer tipo de humilhação 
Que não haja mais divisão entre os homens. 
Que nenhuma criatura se sinta maior ou melhor que a outra.

 




  


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