09 maio, 2021

TEMPERATURA ALTA

      

CADA ELEITOR DO bolsonaro CONTRIBUIU PARA ESTA DESTRUIÇÃO


    CADA ELEITOR DO bolsoanaro CONTRIBUIU PARA ESTA DESTRUIÇÃO



Estou fazendo uma revisão nos meus textos. Este foi escrito em 2011, mas pelo que podemos ver, parece que foi hoje. Nesta revisão, com tristeza preciso acrescentar a destruição da floresta amazônica brasileira e do nosso pantanal que o governo bolsonaro, por incompetência e por não ter condição de governar o a país faz questão de destruir o que o Brasil tinha de mais precioso,.
 
        
                                               TEMPERATURA ALTA
Quero pedir licença aos da minha idade porque agora estou escrevendo para uma galera diferente. Este texto será voltado para os jovens de quinze aos trinta anos que são os herdeiros e donos do mundo.
Fazendo minha caminhada de todos os dias em uma pista margeando o que sobrou do rio da minha infância, comecei uma conversa imaginária como se ao meu lado estivesse caminhando alguém. Eram cinco horas da tarde, uma leve chuva salpicando meu rosto e embaçando meus óculos, depois de um dia em que a temperatura atingiu a marca de 40 graus.
Quero pedir aos jovens que doem um pouco do seu tempo para pensar em conservação ambiental. Conversem com seus pais e avós e peça-lhes que falem como era a vida há cinquenta anos atrás.
Vou falar da minha cidade, Betim - Minas Gerais, que faz parte da grande Belo Horizonte.
Tenho saudade de quando os quintais não tinham muro, televisão, telefone, automóvel e até uma bicicleta e eram artigos de luxo.
Em todos os bairros, com raríssimas exceções, havia uma ou mais nascentes de águas cristalinas. Alegria das lavadeiras e das crianças que corriam para verem os peixinhos.
Até os meus dezesseis anos não sabia o que era violência, todos os quintais tinham uma horta e algumas árvores frutíferas. Matar gambá no quintal do vizinho era coisa natural, e quase ninguém era chamado de ladrão. Os frutos silvestres que hoje talvez ainda existam em algum lugar longe das cidades, eram abundantes e saboreados como um manjar dos deuses.
A construção mais alta era algum sobrado de propriedade dos mais ricos.
Ninguém morava em cima de ninguém.
Não existia o stress de esperar o ônibus, porque não havia ônibus para ser esperado.
A natureza era extremamente organizada. Havia quatro estações distintas. Em março o Outono vinha trazendo frio com seu vento forte arrancando as folhas das arvores que nos proporcionava duas visões muito distintas. Olhando para o chão debaixo das árvores nos encantávamos com a beleza das cores das folhas e flores, olhando para alto nos deparávamos com uma nudez que não chegava a ser feia quando a própria natureza se mostra por inteira. Em junho o Inverno chegava trazendo um frio de rachar os lábios, convidando para um recolhimento regado a uma boa cachaça acompanhada de verdadeiras maravilhas em forma de sopa.
Em setembro a primavera era suave com o perfume das flores. O vento brando soprava no rosto da gente fazendo caricias semelhantes às de alguém apaixonado.
Em dezembro o verão vinha aquecer o corpo e o coração das pessoas para que pudessem aproveitar o máximo da luz e da energia do astro rei.
E hoje?
As quatro estações são conhecidas apenas pelas datas, porque em um só dia elas se manifestam ao mesmo tempo perturbando a vida de todas as criaturas de Deus.
A causa desse desarranjo está visível em todos os lugares. Montanhas de lixo e detritos de todas as naturezas são jogados nos rios, nos córregos, nas lagoas, nas ruas e nas calçadas, fazendo com que este mundo criado por Deus se transforme em uma grande lixeira a céu aberto.
É por isso que estou falando para os mais jovens que estão tomando posse desta herança maldita que estamos deixando para eles. Eu queria que esses meninos e meninas de todas as idades, de todas as classes sociais, e de todas as raças se unissem para mudar a mentalidade ecológica desses novos tempos. Eu queria que eles observassem com indignação a boca de lobo da sua rua sempre entupida pela nossa estupidez.
Eu queria que os moradores dos bairros nobres começassem a observar que poucos separam o lixo, mesmo existindo coleta seletiva, parecendo querer mostrar para todos que os mais ricos não acreditam em reciclagem.
Eu queria que os moradores da periferia parecem de imitar os ricos não jogando lixo e entulhos em lotes vagos, nos passeios e nas ruas e nos leitos de córregos e rios.
Eu queria que os moradores das favelas criassem uma consciência ecológica para que a pobreza e o abandono dos órgãos públicos não fossem os únicos responsáveis por serem obrigados a dividirem seus espaços com ratos e outros bichos peçonhentos.
Eu queria que os jovens pintassem a cara com apenas uma cor: Verde! E começassem uma luta, ou diríamos uma guerra, para que a Mãe Natureza volte a ser respeitada.
É preciso lutar contra o poder econômico, e principalmente contra a ignorância que nos faz ficar alheios achando que o progresso, a tecnologia, e a ciência irão conseguir realizar um milagre maior que o de Deus e de uma hora para outra recuperar tudo que foi destruído.
A temperatura hoje foi de quarenta graus
Daqui a cinquenta anos os seus filhos e netos suportarão quantos graus?
Hoje a água pura e potável é cara e está cada vez mais escassa, sem que a maioria das
pessoas esbocem algum tipo de preocupação.
Daqui a cinquenta anos, o que vai matar a sede do seu filho?
Comecemos a fotografar e filmar tudo que ainda existe de preservação para que os nossos filhos daqui a cinquenta anos possam assistirem com tristeza ou com alegria.
Com alegria...
Se os herdeiros conseguirem mudar o jeito de tratar a filha predileta da Mãe Natureza,
a nossa irmã água, que mesmo agredida não para de jorrar, nem que seja para carregar o estrume humano que lhe é jogado por um governo que não sabe o que é ecossistema.
Ou com tristeza.
Quando estiverem olhando as fotos ou assistindo os filmes, e ao olharem pela janela perceberem que o que foi gravado já não mais existe.
 


2 comentários:

  1. Um belo grito em nome da ecologia amigo.
    Ainda é possível fazer algo pela melhoria de nosso ambiente, acordar as mentes, criar responsabilidades. Amanhã os frutos poderão ser doces ou não verás país nenhum, os mais novos.
    Abraços e boa semana.

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  2. Bacana, Geraldo e bem atual!
    Que ironia,veja que hoje eu e muitos aqui no Inga, simplesmenre moramos onde existiam muitas minas e brejos, hoje sufocados por nossas residências, comércios,igrejas e etc...
    😢

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