4 de set de 2018

COMUNIDADE É GENTE


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AQUI OS LEIGOS ERAM RESPEITADOS.


É com pesar que estou mostrando para vocês esse texto escrito pela jovem Anne, atuante na equipe de música da paróquia São Francisco em Betim -MG, essa foi a maneira que ela encontrou para mostrar seu desabafo e solidariedade com seus colegas que foram expulsos de sua igreja.
Eu particularmente não fiquei espantado, estava no dia da apresentação do novo pároco, e percebi que a nossa paróquia agora teria menos um padre, e mais um artista que prefere o brilho da fama.
É por isso que a nossa Santa Igreja se auto denomina, Santa e Pecadora, Santa por ter sido criada por Cristo, e pecadora por ser dirigida por seres humanos sujeito à falhas, e muitas vezes escravos do poder   



                                      COMUNIDADE É GENTE 

Para além da igreja física, templo construído, existe uma comunidade muito forte. Comunidade é gente. Gente que tornou e tem tornado possível que uma Igreja - instituição se sustente e funcione na prática.
´´Para além do clero que tem missão de ir e vir, a igreja-gente é quem constrói o templo doando seu serviço, tijolos, seu tempo e suas orações para que ela aconteça e esteja viva todos os dias.
Para além da crença, gente merece respeito.
Francisco, para além do Santo, me ensinou que a simplicidade (que é verdade) e o serviço (que é amor) são nossas melhores virtudes, e de certa forma, como religião, a Igreja para mim e para essa gente que estava lá desde o início, há cinquenta anos, é uma forma de sermos instrumentos.
Nessa semana que passou, no dia 28 de agosto foi lembrado o dia do voluntário, os que atuam dentro da igreja são chamados de leigas e leigos.
Poucas instituições se mantêm por tantos anos nessa luta e felicidade diária, sem o engajamento de pessoas voluntárias que se doam de corpo e alma, muitas vezes, esquecendo de si e de seus familiares para trabalhar na construção do reino de Deus.
Não tenho conhecimento de nada e de muita coisa nessa vida, sei do que vivi e o que tenho sentido nesse ano tão simbólico, cinquenta anos da paróquia e da comunidade que tenho sido. O que eu vivi em dezesseis anos tocando violão na missa das crianças, desde que me entendo por gente, é que a igreja-gente só se sustenta com o engajamento dos voluntários, desses silenciosos que vivem suas vidas naturalmente, que são meus vizinhos, ou até mesmo minha família, e até os que não conheço, são a minha comunidade, são ministros da eucaristia nas missas de domingo, às terças e às quintas, e quando tem festa do padroeiro passam dias preparando caldo de feijão e outras guloseimas, montando e desmontando barraquinhas até tarde da noite, depois de se doarem em trabalho e tempo na construção e manutenção da comunidade que acreditam. 
O que tenho sentido é o silêncio dessa gente que aprendeu a servir, mas que guarda pra si e se recolhe diante do que lhe é atravessado, como quem reflete e pede diariamente na oração de São Francisco que nos orienta "Oh! Mestre, fazei que eu procure mais consolar que ser consolado", e segue trilhando outros caminhos onde possam ser úteis.
O que tenho sentido é a falta dos rostos desses conhecidos que foram banidos da igreja e da comunidade que ajudaram a construir.
Igreja cheia.
Comunidade local dispensada. "Convidados a se retirarem".
A denúncia é muito forte para quem se entende comunidade.
É muito forte para o Clero também.
Não conheço muitos padres, mas imagino e desejo que não se faça isso com uma comunidade, nem com nenhuma gente.
Um novo líder chegou, a celebração virou um grande espetáculo, desses com assobios e aplausos. Um líder muito querido, sabe-se.
Para quem estava acostumado com o silêncio de servir, foi estranha a chegada de ônibus e vans trazendo pessoas para festejarem a chegada de um famoso. Entre fãs ou fieis, não deixaram espaço para os voluntários locais, que comemoravam os cinquenta anos de fundação da sua paróquia.
Eu não os vejo mais!
Um padre vem, mas naturalmente vai, quando a comunidade (que é quem fica) é substituída por um fã clube, que veio com o ídolo, e naturalmente vai.
Há que se pensar o que é igreja.
Quando um padre vem e desconsidera trabalhar com quem construiu uma comunidade.
Há que se pensar o que é respeito.
Quando o padre me cumprimentar, e surpreso talvez me perguntar novamente porque eu não estou mais (tão ou nada) presente. Eu gostaria de responder que estarei onde meu trabalho ainda for útil e quisto, mas ele me olhará com uma cara num misto de interrogação carismática, e eu entenderei que o carisma pode ser a face mais cruel de uma Igreja.
A todos os amigos que se fazem voluntários nessa vida: obrigada. Desejo que cada um seja muito bem acolhido onde se sentirem úteis e felizes.





Um comentário:

  1. O título já diz tudo, Geraldo.
    Grande desabafo e realidade, ao mesmo tempo.

    Beijos para todos vocês, não esquecendo o Bernardo, naturalmente.

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