16 de mar de 2017

FLAGRANTE DE ABANDONO




Escrevi este texto em 03/2008, o jornalzinho continua na mesma linha editorial, e quase nada mudou neste país de brincadeira, em se tratando de relacionamento político e social

De vez em quando dou uma olhada nos tabloides que são vendidos a R$ 0,25 em qualquer esquina das grandes cidades. 
O chamarisco para a venda traz sempre a foto de uma mulher pelada, e uma manchete de tragédia na primeira página. 
Tem-se a impressão que só homem compra jornal. 
Esta semana um destes jornais de quinta categoria, chegou às raias do absurdo para vender mais exemplares. 
Estampou na capa a manchete: “ARMADO AOS TRÊS ANOS”. 
No dia seguinte, no mesmo jornal que não serve para nada, a mesma matéria começou com esta beleza de frase: “Menino de três anos flagrado na rua com um revolver”. 
Este jornal está brincando de noticiar? 
O jornalista que escreveu isto é simplesmente um idiota? 
O editor é retardado? 
Só podem ser! 
Desde quando uma criança de três anos pode ser considerada armada? 
Desde quando uma criança de três anos pode ser flagrada em alguma coisa, a não ser por ter pego a mamadeira escondida da mãe? 
Que o menino carregava um revolver é fato. 
Que este maldito revolver não poderia estar ao seu alcance, também é fato. 
Passou pela cabeça de quem escreveu estas notícias, que este menino conseguiria apontar o revolver para alguém? 
Na sua inocência, o revolver era qualquer coisa, menos uma arma. 
Nem era um brinquedo, porque nesta idade ele não sabe brincar de bandido e mocinho, brincadeira fora de moda, porque hoje o número de bandidos é bem maior. Isto nos é mostrado nos noticiários, e nos programas de televisão que levam os jovens a acreditar que o importante é levar vantagem. 
Isto está provado quando fatos como estes, são usados simplesmente para venda de jornal com manchetes sem eira nem beira, e jornalista comprometido apenas com o nada. 
Tomara que este menino ao crescer, saiba assimilar a brutalidade que uma manchete irresponsável pode causar na vida das pessoas. 
Neste episódio, quem estava mais armado? 
A inocência com um revólver na mão, ou um “profissional” da notícia armado com sua caneta para criar sensacionalismo em um episódio que poderia ser formatado sem nenhum trauma? 
Este repórter deveria sensibilidade para perceber que este garoto estava desarmado de família, e que foi pego em flagrante de abandono. 
Atualizando o texto: Infelizmente, hoje os meninos estão armados com uma arma muito mais perigosa que um revolver. Praticamente, todos estão sacando dos bolos um celular, e em suas casas, ficam reféns da tecnologia que separa pais e filhos, que já não conseguem trocar algumas palavras, e em muitos casos, nenhuma demonstração de carinho

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