21 de fev de 2017

QUANDO A VIDA É PRISIONEIRA

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Leiam o texto que escrevi em Junho de 2006, e  perceberão que os acontecimentos recentes dentro dos presídios era só uma questão de tempo, e que não foi evitado porque, com raríssimas exceçoes, os nossos políticos se preocuparam apens em roubar o máximo que puderam.
   


Esta semana, o meu estado foi notícia nos principais jornais do país, por três atos da justiça, e principalmente de injustiça, que são comuns em todo o mundo. 
E que se tornam relevantes quando é explorado pela mídia. 
Desculpem a pretensão de achar que posso dissertar sobre um assunto tão polêmico, afinal não sou psiquiatra, psicólogo, e muito menos filósofo, não tenho sequer uma formação acadêmica que talvez pudesse me dar mais embasamento, e maior credibilidade. 
Sou apenas um sonhador. 
Que sonhando acha que sabe e pode escrever. 
Primeiro ato: Um juiz sentado confortavelmente em sua poltrona, expede dois mandados de soltura colocando na rua perigosos marginais. 
As pessoas se indignaram. 
E com razão! 
Segundo ato: Um juiz sentado confortavelmente em sua poltrona, expede outro mandado desfazendo o ato do primeiro, impedindo que os marginais fossem para as ruas. 
As pessoas se sentiram aliviadas. 
E com razão! 
Terceiro ato: O governador do estado diante dos holofotes e dos microfones, diz que o juiz que autorizou a saída dos bandidos era um irresponsável. 
Analisando a atitude de cada uma dessas autoridades, é preciso traçar um paralelo para que se possa entender a causa e o motivo para os atos cometidos. 
O juiz que mandou soltar... será que o fez por bondade, ou por um outro interesse? 
Não quero aqui entrar no mérito, mas o que tem de mandado comprado neste país! 
Estou analisando na ótica humana. 
Se foi por um ato de bondade, esse mandado de soltura não poderia ser privilégio de apenas uma cadeia, teria que ser para todas as cadeias do país, onde seres humanos, marginais perigosos ou não, são empilhados como cadáveres que respiram, ou como carne podre que precisa ficar escondida e enterrada. 
Se foi por compaixão, ele agiu pela metade, talvez esperando ser imitado pelo país afora. 
Não é possível que alguém com um mínimo de bom senso, aceite com naturalidade mais de cem pessoas abandonadas em minúsculas celas, onde a lotação seria de apenas quinze, presos em piores condições que a dos animais dos zoológicos, 
Colocado em uma cela!
Que expressão mais triste para relatar a vida de um ser humano. 
Será que o dono do poder, ao tomar tais atitudes pensa que está fazendo justiça, e já se imaginou sentado em um sujo vaso sanitário, sob os olhares dos “colegas” de cela? Isso é, quando tem vazo. 
Sem privada, e sem privacidade? 
Será que esse cara já se imaginou sentindo as dores do corpo, e principalmente da alma, dentro de uma cadeia sem nenhum direito, nem mesmo o direito de gemer e chorar? 
Se foi por caridade, ele poderia ter mandado os presos para as celas especiais que abrigam marginais ricos, e os com diploma universitário. 
Mais uma vez volto a escrever, esse tipo de prisão é uma aberração contra a grande massa que continua não tendo acesso à escola. 
Eu não sei por que os intelectuais dizem: acesso à educação 
As escolas não educam, não formam cidadãos. Forma profissionais. 
Marginal com ou sem diploma universitário, é marginal, e deveria receber o mesmo tratamento. 
Soltar os presos foi a melhor solução? 
Evidentemente que não. 
E o juiz que determinou a volta dos marginais para a prisão? 
Até aí nada de mais, isso é obvio. 
Lembrando um administrador de hospital, que dizia: “detesto falar sobre o obvio”. 
Será que esses juízes se deram ao trabalho de fazer uma visita, para verificar as condições a que os presos estavam sendo submetidos? 
Será que eles sabem que as cadeias estão superlotadas, e que lá dentro dois corpos ocupam o mesmo espaço? 
Dois corpos não ocupam o mesmo espaço diz a lei da física! 
Os tecnocratas que coordenam o sistema prisional do país, e os políticos que os nomeiam, fazem questão de desafiar essa lei? 
Pelo visto, os políticos estão criando algum substitutivo para a absurda lei da física. 
Eu nunca visitei uma prisão. 
Mas não é difícil imaginar. 
Menos de meio metro quadrado por pessoa, de todas as raças e de todos os credos, 
educados, estúpidos, perigosos, mansos, crentes ou ateus, fumando, se drogando, masturbando, resmungando, agredindo e sendo agredido. 
Como se sentiria o ser humano que por um momento de loucura, (todos os tem), ou por outra circunstância qualquer, for obrigado cometer um crime, e ser jogado às feras como no Coliseu de Roma? 
O juiz que mandou prender sabe ou é sensível a tudo isso? 
O juiz que mandou soltar sabe ou é sensível a tudo isso? 
O governador que criticou sabe e é sensível a tudo isso? 
Ou é como na área da saúde: “A gente se acostuma com a insensibilidade”. 
Enquanto o pobre for apenas um brinquedo na mão dos políticos e dos poderosos, esse
problema estará mais distante de uma solução. 
Estes três senhores, donos do destino de milhões de pessoas, deveriam sentar-se em uma mesa das muitas salas de reunião acarpetadas, e juntos, tentar minimizar esta verdadeira tragédia humana, e buscar um meio de amenizar a vida destes nossos irmãos que, marginais ou marginalizados, não podem serem abandonados em uma cela como um deposito da desgraça humana. 
É preciso levar uma justiça realmente comprometida para dentro do sistema prisional, recuperar quem quer ser recuperado, e castigar quem precisa ser castigado. 
Construir centros de formação onde os jovens pobres, de todas as raças e de todos os credos, possam ter acesso sem preconceito, é não ter que construir cadeias, e não precisar ser notícia nacional. 


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