3 de nov de 2016

SERÁ QUE CHEGOU A HORA DE MORRER?



E MUITOS SACANAS DEFENDEM  CONGELAMENTO  POR 20 ANOS NOS  INVESTIMENTOS DA SAÚDE

ESTE TEXTO FOI PUBLICADO EM 2005. Foi lido 400 vezes. Sinceramente não sei porque o povo brasileiro ainda faz festa em época de eleição. 

Um corpo solitário em uma mesa do necrotério, uma vida que acaba de completar o seu ciclo, e na maioria dos casos, uma dúvida paira nos corredores de todos os hospitais, gritando que muitas mortes poderiam ser evitadas ou retardadas, se a vida do ser humano estivesse acima do lucro ou da insensibilidade política. Um corpo inerte dentro de um caixão, uma expressão de morte, uma frieza mórbida paira sobre o ambiente. 
As pessoas param por um instante ao lado do caixão e ficam com expressão de que não estão entendo nada, e na verdade não estão. 
Não é possível entender a morte. 
Pelo menos a maioria delas! 
Nos parentes e amigos mais íntimos a expressão de tristeza se manifesta de várias maneiras, alguns ficam histéricos, outros tornam-se mudos, outros choram em silêncio quando há motivo para chorar. 
Nenhuma palavra serve de alento nesta hora. 
Curiosos ou conhecidos se achegam para cumprir um ritual de pêsames que nada serve para aliviar o sofrimento da família. 
Quantos anos ele tinha? 
Parece que está dormindo! 
Se for muito velho a morte faz sentido, porque nascemos para viver, crescer, e inevitavelmente partir desta para a melhor, deixando a vaga para o bebê que acaba de nascer neste exato momento em algum lugar. 
-De que ele morreu? 
-Todos têm sua hora. 
-Era tão jovem! 
-Meus pêsames. 
-Disto ninguém escapa. 
-Este é o caminho de todos nós! 
-A morte é a única certeza que o homem tem. 
-Para morrer basta estar vivo. 
-Deus quis assim. 
Que coisa mais estúpida! 
Estas palavras de “conforto” são tão bizarras quanto a própria morte. 
Vamos tentar analisar cada uma destas máximas verdades que são proferidas em todos os velórios, independentemente da situação financeira, política ou religiosa do morto. 
De que ele morreu? 
De acidente de moto. 
O carro capotou. 
Foi atropelado, não importa porque ou por quem. 
Foi assassinado, não importa como e nem porquê. 
Estava com câncer, não importa em que parte do corpo. 
Ficou doente e foi definhando. 
Todos têm sua hora! 
Será?
Existe em algum lugar neste mundo ou fora dele, um reloginho macabro que fica batendo segundo por segundo determinando o momento de alguém bater a cacho leta? 
Se todos temos nossa hora porque nunca ficamos sabendo? 
Controlamos o tempo de tudo que fazemos, trabalho, lazer, comer, dormir, controlamos até o tempo dos outros e não conseguimos controlar a hora de morrer. 
Mistério?
Que coisa estúpida. 
Algumas mortes realmente são inexplicáveis, vamos falar de algumas, muitas delas bizarras demais para serem verdades, ou as verdades são bizarras demais para serem entendidas. 
Era tão jovem: Isto nos mostra que a única coisa realmente democrática é a morte, não escolhe pela idade e nem pelo conteúdo do bolso, todos vão ao seu encontro de uma maneira ou de outra. 
Meus pêsames: Esta palavra de conforto não tem nenhum significado no contexto da morte, é uma expressão vazia demais para quem está assistindo a partida de alguém que ama ou que já deveria ter ido há muito tempo sem fazer falta nenhuma. 
Disto ninguém escapa: Depende do jeito que o defunto passou desta para a melhor, isto não é uma afirmação verdadeira, muitos já escaparam e em situações que a maioria não acredita. 
Este é o caminho de todos nós: Esta é uma afirmativa correta quando a morte chega lentamente pelos caminhos normais, pelo envelhecimento confortável ou pela deterioração natural do corpo que ainda não está preparado para vencer a ampulheta do tempo. 
Mas a maioria das vezes este caminho é percorrido fora da hora. 
A morte é a única certeza do homem: Esta é a mais estúpida das formas de confortar um parente de alguém que morreu. Dentro do caixão pode estar uma pessoa que viveu muitas certezas. A própria vida é construída com a certeza de que todos vieram ao mundo para dar sua contribuição no processo de formação das gerações, se não fosse assim este mundo já teria acabado há muito tempo. 
Para morrer basta estar vivo: Não sei se estas palavras confortam alguém, mas é uma grande verdade, porque para viver não pode estar morto. É claro que para morrer é preciso estar vivo, ninguém morre duas vezes (muito embora a Bíblia narre fatos de que isto aconteceu). 
Deus quis assim: Esta sim é a maneira mais estúpida de tentar confortar alguém. 
Que Deus é este que quer a morte? 
Seria sarcasmo demais se Ele existisse. 
Já imaginaram um Deus sentado no seu trono assistindo a morte de bebês prematuros, porque a mãe se drogou ou foi surrada pelo suposto pai?  Imagine um todo poderoso olhando para baixo vendo pessoas sendo tratadas com descaso, morrendo por falta de um medicamento que a omissão dos assassinos de gravata não permitiu que estivesse na prateleira dos almoxarifados. 
Imagine um Deus escutando todo momento o barulho ensurdecedor das metralhadoras e dos morteiros, vendo a guerra ceifar vidas inocentes e Ele olhando para baixo ou para os lados dizendo: O homem tem o livre arbítrio. 
Os tipos de mortes são tantas e o sufixo “ado” está presente em praticamente todas que não são naturais ou provocadas por doenças. 
Esfaqueado,
Enforcado.
Assassinado
Espancado.
Torturado.
Afogado.
Baleado.
Atropelado.
Queimado.
Será que para todos estes tipos, a pessoa estava predestinada a morrer? 
Será que alguém tem o seu dia certo para que uma destas coisas aconteça? 
Seria estúpido demais. 
Todos estes tipos de morte levam pessoas fora da hora. 
Moramos em um país onde as desigualdades sociais são gritantes, temos um primeiro mundo enfiado dentro de um imenso país de miseráveis e do terceiro mundo. Uma casta de políticos, ricos, traficantes, onde bandidos bem-sucedidos têm à sua disposição uma medicina igual ou melhor que a de muitos países de primeiro mundo, enquanto a grande maioria amarga a maldita fila do SUS. 
SISTEMA ÚNICO DA SACANAGEM. 
Sacanagem da grossa. 
Através da SSVP estamos ajudando um rapaz que foi abalroado por um carro quando andava de bicicleta na beira da calçada, ele ficou vários meses no CTI e foi liberado para casa com várias escaras (feridas abertas), que para nós leigos era difícil olhar, ele tem apenas vinte e quatro anos, de família muito pobre, não tem condições de se alimentar e constantemente está de volta ao hospital. 
Está condenado a ficar em uma cadeira de roda pelo resto da vida. 
Porque ele não é curado? 
Quem se importa! 
Ele é pobre. 
Porque não dar a ele um tratamento digno para que possa suportar com mais dignidade a vida na maldita cadeira de roda? 
Estamos no mês de março de 2012, corrigindo alguns erros de digitação e muitos de concordância, percebi que preciso escrever que o Cláudio morreu, resistiu bravamente a dor do corpo machucado pela saúde mau cuidada, e a dor da alma causada pela insensibilidade. 
Há pouco tempo eu trabalhava em um dos melhores hospitais públicos da nossa região, meu trabalho era controlar os materiais médico hospitalares. Controlar quando tinha material, porque a maior parte do ano controlava-se a falta, se não fosse comprometido com a dor dos que necessitam, e me virar para não deixar faltar o básico, certamente muitos morreriam fora da hora.
E os profissionais? 
Uma pequena maioria trabalha e muito, outro fingem que trabalham, dentro dos hospitais chamam isto de costume, isto quer dizer que com o passar dos anos as pessoas se acostumam com o que fazem. 
Outro dia passando em frente à sala de RX, vimos um sujeito com a cabeça enfaixada e o vermelho do sangue colorindo a faixa, a porta da sala se abriu e uma funcionária gritou: onde está a ficha? Nem sequer olhou para o lado do paciente, a pessoa que estava comigo comentou que o paciente deveria ter ficado puto da vida e certamente teria se perguntado: Onde estou? 
Não era hora para fazer piada, mas eu disse que ele deveria ter pensado: Morri e estou na porta do inferno. 
É assim que a grande maioria dos pobres massacrados pelo sistema quando necessitam do SUS se sentem: Na porta do inferno. 
O salário do funcionário público é maior que a maioria dos empregados da iniciativa privada. Então fico observando a jornada de trabalho de um funcionário público (Não são todos): Ele deveria começar sua jornada de trabalho às 07:00 hs., mas neste horário está no restaurante tomando café e só retorna depois das 7:30 hs; aí vai bater um papo e começar efetivamente a trabalhar por volta das oito. Observei que alguns ficam mais de meia hora conversando enquanto o trabalho espera para ser feito, e que será realizado somente depois que o mesmo dê uma olhada nos e-mails. Às 11;20 Hs todos vão para a fila do almoço, quando retornam não dá tempo de fazer nada, porque a jornada termina às 13:Hs. Isto dá uma carga horária de trabalho efetivamente realizado de no máximo quatro Hs por dia.  Hoje o salário médio por hora efetivamente trabalhada gira em torno de R$ 4,50, são poucos os trabalhadores que ganham um salário como este na iniciativa privada. Isto sem contar o número de dias que não trabalham, porque são tantos os motivos para não trabalhar, dia do aniversário, dia do servidor, aniversário da cidade, dia do trabalhador, pontos facultativos aos montes, feriados e dias santos emendados, etc.
E eles ainda têm férias! 
Porque não tem o dia do servente? 
Porque não tem o dia do lixeiro? 
Porque não tem o dia do pedreiro? 
O ano tem 365 dias, mas muitos só trabalham uns 260 dias e ainda acham que isto é natural. Sem contar o absurdo dos plantonistas que trabalham um dia e folgam dois.  Por que não fazer três turnos, daria mais emprego e todos teriam a mesma carga horária de trabalho igual a de todos os trabalhadores da iniciativa privada.
Dizem que o trabalho é insalubre. 
E é verdade. 
Mas, e os trabalhadores que são envoltos todos os dias em uma nuvem de carvão?
E os que são colados na boca de um forno com mais de dois mil graus, esquentando até a alma do infeliz? 
E os que recolhem o lixo nas ruas? 
E os que estão expostos a todos os tipos de gases? 
E os que trabalham na linha de montagem das fábricas e não podem sequer ir ao banheiro?
Por que todos estes trabalhadores não podem usufruir de uma jornada de trabalho de apenas 6 horas? 
Porque estes trabalhadores não podem trabalhar um dia e folgar outro? 
Porque eles não folgam no dia do aniversário? 
Isto é privilégio dos que mamam nas tetas do governo. 
E ainda acham que são mal remunerados. 
Isto é uma vergonha. 
Isto é uma afronta ao Sr. Joaquim que foi ao hospital a serviço de uma transportadora, chegou par entregar 641 volumes (caixas com material) com apenas um ajudante, perguntei o seu salário e ele me disse que ganhava R$ 340,00 reais brutos, às 14:25 hs foi esquentar a marmita que tinha sido feita na noite anterior, e a comeu sentado no meio das caixas que faltavam descarregar. Segundo o mesmo a sua jornada de trabalho quase todos os dias vai até as 22: Hs. 
Este sim pode ser chamado de Trabalhador. 
Este não folga no dia do aniversário. 
Este não tem feriado emendado. 
Este não tem ticket alimentação 
É claro que toda regra tem exceção. 
Muitos exercem com dignidade a profissão que escolheram trabalham no que gosta e se dedicam de corpo e alma no atendimento ao paciente. 
Como eu disse, muitos morrem antes da hora.
A grande sacanagem é que poucas cidades se preocupam com um serviço de saúde que tenha compromisso com seus cidadãos, na nossa região muitas cidades vizinhas sequer possuem postos de saúde onde o pobre possa ser medicado. 
Tem procedimento que é necessário implantar, por exemplo, um cateter que custa acima de R$ 2.000,00, nos hospitais públicos este item dificilmente vai estar na prateleira dos almoxarifados, e nos privados a ganância pelo lucro não deixa que este procedimento seja feito. 
E alguém morre. 
E a família que não conhece nada de medicina nunca fica sem entender porque a morte chegou depressa para seu ente querido. E o atestado de óbito nunca vai dizer que aquela pessoa morreu porque um cateter era caro demais para ser implantado, que não valia a pena tentar salvá-la porque seria prejuízo na certa. Nele fatalmente virá escrito que a pessoa morreu de uma parada qualquer, ou da falência de órgãos, ou qualquer outra coisa que nós leigos nunca entenderemos. 
O certo é: Alguém morreu fora da hora. 
Muitos se vão exatamente por causa deste procedimento. 
Espero que estejam percebendo que isto não acontece nos nossos dois Brasis, estes acontecimentos são característicos do Brasil ainda do terceiro mundo. 
No Brasil do primeiro mundo a coisa é bem diferente. 
No Brasil dos que podem pagar tudo é feito para tentar salvar a vida. 
No Brasil dos que podem pagar todos os procedimentos são possíveis. 
No Brasil dos que podem pagar o lucro da medicina deve ser igual ou maior que os dos bancos, a diária de um apartamento de hospital é mais cara que uma suíte em hotel cinco estrelas. 
Existe alguma explicação para os transplantes que são feitos em pessoas que podem pagar? Alguns conseguem um doador compatível em poucos dias, enquanto a grande maioria fica anos esperando na fila que deveria ser única para pobres e ricos.
Fila única! 
Ela só existe para pobre. 
Quantos morrem nesta fila? 
Morrem fora da hora. 
Há pouco tempo um artista da Globo fez dois transplantes de coração, será que realmente era o primeiro da fila? 
Talvez fosse. 
Esta lista é divulgada? 
Onde?
Vamos falar sobre estas mortes em vários aspectos e tentar analisar suas causas: Comecemos primeiro pelo atendimento à saúde. A morte começa a ser delineada quando uma pessoa procura um posto de saúde, onde é obrigado ficar horas esperando por uma consulta que muitas vezes não vale a pena. 
A consulta é superficial demais. 
Não diagnostica a causa da doença, porque é preciso liberar o paciente, muitos ainda estão à espera desta maravilha de consulta. Quantas pessoas morreram depois de serem atendidas em um posto de saúde, onde relatou estar sentindo dores, e foi liberado com a receita de um analgésico qualquer? 
E os milhares que morrem sem ao menos serem atendidos? 
Porque a dor não é levada a sério? 
Porque o exame mais caro não pode ser feito para diagnosticar? 
Em quase todas as cidades existe um setor de avaliação e controle para autorizar um exame mais caro, ou uma intervenção cirúrgica, e o que me deixa mais triste é saber que mesmo coordenado por um médico, que conhece os segredos dos corredores de um hospital e dos postos de saúde, onde existe um grito parado no ar, os pedidos mofam em alguma gaveta.
Espero que esteja enganado, mas o mais certo é que se escolhe aleatoriamente quem deve ser atendido primeiro, e fatalmente será aquele que tem um padrinho político, que é puxa saco de alguém que quer garantir o voto. 
O que passa na cabeça destes Deuses da Avaliação e Controle que deixa um paciente ficar seis meses ou mais esperando depois de ter sido diagnosticado um tumor na próstata? 
Será que o tumor também fica esperando? 
Será que se o tumor for em alguém que é amigo de um político, ou de alguém influente, é mais fácil de ser retirado do que de um pobre que somente contribui com o voto? 
Porque um simples RX não pode ser feito para tentar salvar uma vida? 
É preciso ter paciência. 
Paciente...
Esta é a palavra mais correta que existe nos dicionários. 
É preciso ser paciente para aguentar este maldito SUS. 
É preciso ser paciente para ficar esperando horas para ser atendido. 
É preciso ser paciente para aguentar os desaforos de alguns médicos e enfermeiros e atendentes. 
Erros médicos. 
É claro que estes profissionais também são seres humanos sujeitos a erro, mas a margem deveria ser a menor possível. Muitos reclamam da falta de equipamentos e materiais necessários para o efetivo exercício da função. Então era preciso que todos dessem o grito antes de alguém morrer
Estamos na última semana de outubro, e como sempre o stress da falta de material vai consumindo a gente que tem compromisso com os mais pobres, o fornecedor de agulhas não quer entregar porque o preço está defasado, e a burocracia emperrada faz-me perder o sono porque tenho que fazer milagre para não deixar faltar a injeção que pode salvar vidas. 
Como é possível dormir tranquilo vendo um estoque de apenas 1000 peças de uma determinada agulha para um hospital regional de cinco andares? 
E pasmem! 
A burocracia toda emendou o maldito dia do funcionário com um feriado, e todos cruzaram os braços por uma semana. 
Que se dane o hospital. 
Que se dane os que controlam o “estoque”. 
Que se danem os pacientes. 
Somente as emergências serão atendidas.
Será que doença também emenda feriado?
Será que ela tira férias?
Será que uma pessoa esperando uma cirurgia não vai ter o seu quadro agravado, porque o funcionário público tem o seu dia para ficar coçando o saco, enquanto os outros trabalhadores estão dando seu suor a troco de um salário de fome?
Sexta-feira, estou indo para mais um dia de trabalho já pensando onde e como conseguir agulha e material de hemodiálise, enquanto os gerentes e os outros burocratas estão gozando o feriado prolongado.
Há mais de três meses não se compra um curativo no hospital, os burocratas chegaram à conclusão que é um item caro, em vez de racionalizar o consumo, radicalizaram e simplesmente viraram as costas para os infelizes, que por estarem presos em uma cama vão se enchendo de escaras, abertas pela indiferença e pela falta de sensibilidade dos que ainda gozam de boa saúde.
Cirurgias são canceladas pela falta destes curativos. 
E quem está na fila para ser operado? 
Que se dane! 
E o stress que esta pessoa vai sofrer fazendo sua saúde piorar? 
Bem feito! 
Quem mandou nascer pobre? 
Não estou colocando datas no que escrevo, mas todo dia vou relatar as dificuldades que enfrento, para que as pessoas tomem consciência dos milagres que são feitos para tentar amenizar a vida dos pacientes em um hospital conveniado com o SUS, que é a mesma porcaria, independente do partido político que está no poder. 
Acho que esta sigla só quer dizer uma coisa: 
Somos todos 
Uns.
Sacanas.
Hoje não temos um contrato de fios cirúrgicos. 
Não temos um contrato de material para Hemodiálise. 
Imaginem o que é ficar em um almoxarifado, ligando para o fornecedor todos os dias, pedindo pelo amor de Deus, que mande uma linha de sangue que será usada para filtrar o liquido da vida de quem é obrigado a conviver com uma máquina de hemodiálise três ou mais vezes por semana?
Segunda semana de dezembro, esta foi a mais estressante dos últimos tempos, a falta de sensibilidade e de compromisso de algumas pessoas com o sofrimento e com a vida, deixou mais uma vez faltar material na prateleira do almoxarifado. Não temos um Equipo no estoque, equipo é aquele tubo que fica pendurado levando o medicamento que salva vidas. Há uma semana não dispensamos nenhum, tive que conseguir emprestado para impedir que quase todos os pacientes fossem transferidos. 
O burocrata que não se empenhou para que o pedido saísse dentro do prazo, não frequenta os CTI’S, não está presente para ver a fragilidade de um recém-nascido em uma incubadora, e a vida de muitas pessoas colocada na mão de profissionais que se sentem impotentes diante da falta de material.
Se chegasse um paciente precisando de uma transfusão de sangue, fatalmente teria morrido porque também está faltando o bendito equipo de transfusão. 
E ainda cobram eficiência do almoxarifado. 
São quatro horas da manhã, mais uma vez a falta de material rouba-me o sono, o fornecedor informou que não está faturando o pedido na totalidade por falta de pagamento.
Enquanto isto, é Natal: os burocratas devem estar preparando a ceia, não estão nem um pouco preocupados se vai morrer alguém por falta de medicamento, ou do maldito equipo que insiste em faltar, impedindo que o paciente seja medicado com dignidade.
E os pacientes morrem. 
E os atestados de óbito não retratam a verdade

Não deixe de ler os comentários:


Olá Geraldo,
Você escrevendo textos sociais não poupa palavras. Elas jorram, saltam, pulam e cada vez tem mais para dizer. Se dá, inteiramente. E "bate" em todo o mundo. Ao ver a imagem, que encima seu texto, me fez lembrar alguns países de África, bem, vocês, têm sangue africano, desde o século XVII (Rota Triangular do Atlântico), onde há falta de tudo, e nem sequer a sacanagem, de que você fala tem nível, não sabe ter. Pode ter riqueza aos montes, mas falta o saber estar, o saber fazer e organizar, ter cultura, bons modos, falta, CIVILIZAÇÃO. Então Portugal é um oásis, concluo.
Abraços de luz. 

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Nada mudou Geraldo, as coisas pioraram ainda mais. Vi uma reportagem, acho que foi no Nordeste, que fiquei horrorizada com a situação. A sala de cirugia tinha ratos e baratas, não tinha ar condicionado e nem luz, teve médico que passou mal devido o calor, na hora que estava fazendo a cirugia em um paciente, e teve que ser substituido por outro.
Quando foram procurar a prefeita da cidade pra falar sobre o caso , ela disse que não era bem assim, o hospital estava atendendo na medida tudo certo. Não sei onde vamos parar. Nei sei se existe classificação para os governantes do nosso Brasil. 
A situação é triste na saúde, só Deus pra proteger o povo Brasileiro.
Um ótimo texto.
Abraços e ótima semana.

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Olá, Geraldo

Agradeço o presente! Sim, seu texto quando seguem esta linda (como eu já disse em comentários anteriores...) são meus preferidos e para mim um presente! Gosto de textos a nível de serem parabenizados por nos levarem a refletir de forma tão intensa. Podem-se passar os anos e nada se alterará, a sociedade só receberá o nome de "social" quando existir amor e, com essa existência, tudo que hoje nos leva a indignar não existirá mais entre nós. Falando em indignação, recomendo a ti o livro "Indignai-vos!" de Stépheane Hessel.
Nele tem um trecho que ficou gravado em mim quando o li que diz: ---"A pior das atitudes é a indiferença, é dizer "não posso fazer nada, estou me virando". Quando assim se comportam, vocês estão perdendo um dos componentes indispensáveis: a capacidade de se indignar. [...]Eis porque não devemos deixar que ódio demais de acumule[...]"
---
Parabéns pelo texto, obrigado pelos minutos de reflexão! Até breve!

Um comentário:

  1. Pois é Geraldo, triste mais real. Em quatro anos nada mudou. As coisas só anda piorando em todas áreas, e a saúde pública mais abandonada do antes... Esse governo está nos massacrando de pouco a pouco.

    Ótima semana!
    Abraço grande!
    Blog da Smareis

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