28 de out de 2016

A NOVA GERAÇÃO PRECISA ACORDAR


Esse texto foi escrito em 2006. Parece que foi ontem!

Sempre que escrever sobre problemas sociais que causam o abandono dos mais pobres, vou começar pedindo desculpas às exceções, porque espalhados por esse Brasil, verdadeiros anjos de carne e osso cumprem com dignidade e amor, o papel que deveria ser da família, do poder público, e de muitas outras pessoas que insistem ignorar a miséria e a fome,
Essas pessoas preferem se emocionar diante de uma televisão vendo reportagens sobre a fome na África ou em qualquer outro lugar do mundo.
Abandonar os pobres à sua própria sorte, é com certeza ignorar a presença de Deus.
Quero fazer um alerta aos jovens que vão ser os pais da futura geração: Se não mudarem a maneira de ver o futuro, não se prepararem para uma luta ferrenha contra as injustiças sociais e contra a degradação ecológica, o futuro desse país será de muito sofrimento, sangue e dor.
Já está acontecendo.
Se as pessoas em condição de prestar algum tipo de ajuda emocional, educacional ou financeira, não tomarem posicionamento e se mobilizarem para lutar contra a miséria e a fome, a situação vai ficar insuportável. Se os asilos continuarem abandonados, e os idosos olhados como bicho em extinção (Quem não quiser ficar velho tem que morrer novo), ignorados e explorados pelos próprios parentes, simplesmente porque conseguiram ter um benefício chamado de aposentadoria...
Isso tudo por quê?
O governo não criou um meio termo entre o hospital e o asilo, uma pessoa ocupando um leito de hospital, depois de esgotada toda a ação da medicina, não pode simplesmente ser devolvido para casa. Também não pode ser jogada em um asilo, para morrer ao lado de outras pessoas que precisam de um lugar tranquilo para viver o tempo que lhe resta.
Morador de asilo não pode ser expectador de morte.
As crianças não podem continuar perambulando pelas ruas como cachorros sarnentos!
Os jovens precisam pensar que...
Enquanto a FEBEM, (parece que mudou de nome), for a única esperança para o jovem que não teve em quem se apoiar quando estava na hora de formar sua personalidade.
Quem vai proteger os filhos da nova geração?
Quem vai proteger os seus netos?
Se a justiça social não for além da uma cesta básica, ou de um vale qualquer coisa, e não procurar atingir o cerne do mecanismo que causa da miséria... O futuro vai nos apresentar uma legião de marginais controlando cada rua das grandes cidades, sob o comando dos traficantes e dos seus financiadores que quase sempre são “empresários”, e pessoas que ocupam cargos em todas as esferas do governo. Se não agirmos depressa, esses “donos” serão a lei, a justiça, e o juiz que julgará os herdeiros de quem cruzou os braços diante da miséria.
É hora dos pequenos e grandes empresários, das pessoas com melhor poder aquisitivo investirem na educação de jovens e crianças da periferia, e pararem de dar esmolas nos sinais de trânsito achando que estão fazendo caridade. Já passou da hora de parar de servir sopa para os moradores de rua durante a noite, distribuir peixe na semana santa, e vestir de Papai Noel uma vez por ano.
Essa atitude isolada é muito bonita.
Mas...
Precisamos lutar contra os mecanismos que promovem a miséria.
Em um país onde o político é inatingível pela lei, e o pobre é mercadoria de segunda ou em liquidação, precisamos fazer um mutirão para cobrar a quem de direito, para que a riqueza do país seja usada na transformação dos seres humanos, hoje abandonados, em seres pessoas produtivas e alegres.
O governo fechou os manicômios que eram locais de tortura, e não criou um meio termo para acolher os doentes mentais de famílias pobres.
O que era ruim?
O Manicômio, ou a forma como eram conduzidos os procedimentos, e o comportamento dos que eram pagos para cuidar dos doentes?
Para os que podem pagar uma casa de acolhimento, a lei não provocou nenhuma mudança significativa, porque foi só abandonar o doente lá dentro, e fingir que o parente não existe.
Imaginem um trabalhador que precisa sair todo o dia para trabalhar e sustentar sua família, como deixará uma pessoa com problema mental convivendo com seus filhos?
Na semana passada, a polícia militar da minha cidade fechou uma casa onde um “religioso” mantinha dez seres humanos trancados, com fome e sem higiene pessoal, como se fossem animais sem dono.
Para entrar na casa e retirar essas pessoas, foi preciso usar máscaras descartáveis, para se protegerem do mau cheiro que pairava no ar.
A polícia percorreu vários lugares e ninguém quis acolhê-los, até as casas mantidas com dinheiro público alegaram falta de vaga.
Quando não se consegue vaga para acolher a imagem e semelhança de Deus, não é possível improvisar?
Nós da SSVP os acolhemos.
O Lar Divino Ferreira Braga improvisou.
Os albergues então, são verdadeiras aberrações, recolhe o pobre como se fosse lixo jogado nas ruas, dá-lhe um banho e um prato de comida como se fosse um cachorro sem dono, e o joga de volta para as ruas para percorrer sua via-crúcis, e continuar cumprindo sua pena de condenado pela pobreza.
Porque não fazer desses lugares, um centro de triagem para colocar na cadeia os que são de cadeia, e tirar definitivamente da rua o pobre que não tem para onde ir?
Muitos dirão que isto é impossível!
Escrevi o texto: POBRE NESTE PAÍS É LIXO NÃO RECICLÁVEL
Precisamos fazer um grande movimento para que as escolas públicas, principalmente as de curso superior, sejam realmente para os que não podem pagar.
Não distribuindo cotas onde um branquelo como eu, possa escrever em uma ficha: sou da raça negra.
O critério para ingressar deve ser a competência, mas em uma disputa justa, com alunos de escola pública concorrendo apenas com frequentadores de escolas públicas, e os ricos dos colégios particulares e dos cursinhos concorrendo entre si. O que não podemos aceitar foi o absurdo e a sacanagem que aconteceu com ENEN. Foi criado para avaliar o ensino público do país, e quando essa avaliação começou a contar pontos para se ingressar na universidade, colocaram me é de igualdade os alunos da escola mais abandonada da periferia, com o do colégio particular mais caro dos grandes centros.
E ainda permitem a criação de cursos preparatórios, que prepara o aluno que não quis estudar durante o ano.
Pobre pode pagar esse curso?
Porque o governo permite essa agressão contra os mais pobres?
O salário dos professores são os mesmos?
O poder aquisitivo dos alunos são os mesmos?
A estrutura física das escolas são as mesmas?
É contra isso que precisamos lutar.

A nova geração precisa acordar



Um comentário:

  1. Tudo virou egoísta,barriga cheia e pé dormente, esquecendo-se de quem os colocou no mundo, seus pais seus avós e seu filhos que passam horas e horas em colégios, é degradante esse mundo virado para dentro e não para fora. Uma mão para quem necessita de apoio não é moda...

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