9 de abr de 2015

O JEITO DE VIVER DE UM IDOSO BRASILEIRO




                                                                                   Resultado de imagem para idoso brasileiro maltratado



Hoje, 06-04-2015 fui mais uma vez instigado a escrever sobre o abandono e a exploração dos idosos neste país que mostra para o mundo um povo alegre, mas na realidade somos (com muitas e belas exceções), milhões de exploradores sem coração e sem piedade
De manhã, durante a caminhada, conversei com o Sr. Manoel, um velhinho simpático com oitenta anos, viúvo, mora sozinho e todos os dias faz uma caminhada de aproximadamente quatro quilômetros.
Há uns meses atrás perguntei-lhe como era sua vida, a resposta naquele dia foi o retrato da realidade da maioria dos idosos; "Os filhos e netos acham que a gente não precisa do dinheiro da aposentadoria para viver".
De cada dez aposentados oito podem dizer a mesma coisa, e quanto maior for o valor da aposentadoria mais violência e abandono eles sofrem.
Mas ele continuou com sua vida tranquila, arranjou uma companheira com quem viveu alguns meses, e voltou a morar sozinho com sua solidão, sua religião, simplicidade e tranquilidade que me causam inveja.
Hoje ele disse que uma de suas filhas separou-se do marido e voltou para sua casa, junto com ela trouxe três filhas adolescentes. O que mais me impressionou foi sua tranquilidade ao dizer que continua arrumando a casa, cozinhando e lavando a roupa, inclusive das quatro "intrusas" que agora acham-se donas do pedaço.
Disse-lhe que era preciso tomar uma atitude mais enérgica para mudar esta situação, a resposta foi mais surpreendente: “Jesus mandou a gente ajudar os outros, eu não posso abandonar minha filha e minhas netas”.
É exatamente isso que os filhos ainda não entenderam, milhares agridem, exploram e abandonam aqueles que os geraram, e que abriram mão das suas vidas para satisfazerem as necessidades de filhos irresponsáveis e sacanas.
Milhares de senhores Manoéis estão espalhados por esse Brasil de carnaval e hipocrisia.
Ainda contagiado pela lição de amor ao próximo, indignado com a maneira que é maltratado dentro da sua própria casa, despedi-me do senhor Manoel e fui caminhando lentamente para casa. Nesse trajeto encontrei-me com dona Maria, uma senhora que como milhares espalhadas por esse país, todos os dias leva sua neta à escola, e no trajeto vai catando latinhas para complementar sua renda.
Se já estava indignado com a situação do Sr. Manoel, esta indignação aumentou depois de conversar alguns minutos com a dona Maria. Parecia o segundo capítulo de um filme de terror que amedronta milhares barracos e mansões todos os dias. Ela falou-me que cuida de cinco netos, que há alguns meses fez um empréstimo para ajudar um deles construir um apartamento em cima da sua casa. Continuando a desfilar um rosário de tristeza, disse que outro filho vai se casar, então construiu um barraco no fundo do quintal para que ela se mude, o sem vergonha irá ocupar a casa da frente que antes era dela.
Lugar de velho é em um quartinho dos fundos onde se acumulam as sucatas.
Este é o retrato e a realidade nua e crua de milhares de pessoas que tiveram a petulância de envelhecer.
E os nossos fazedores de leis são tão, ou mais sacanas, que faz do nosso país o berço esplêndido da sacanagem e da injustiça.
Pensando em como descrever essas aberrações, o dia foi passando, coincidentemente o noticiário da tarde mostrou uma reportagem sobre o aumento da violência contra os idosos.
Aí, a minha indignação extrapolou os parâmetros da paciência.
Os números mostravam apenas os que chegam às delegacias de "Proteção ao Idoso", um órgão fictício que existe somente para dar emprego, e para mostrar para a mídia e para o povo, que o governo está "preocupado" com sua população envelhecida.
A lei é sacana.
O estatuto do Idoso é sacana.
Segundo o estatuto do idoso, o filho é obrigado a cuidar dos seus pais, principalmente na velhice. Mas lei nenhuma consegue colocar amor no coração de ninguém. Quando o coração se fecha para o amor, nada é capaz de colocar lá dentro um pouco de caridade, de carinho e compreensão. Esse famigerado estatuto, com todo o respeito a quem ajudou na sua formatação, não levou em conta o básico para se levar uma vida digna: Respeito, Caridade, Doação, uma pitada de amor, e uma grande dose de bom senso. Ele enquadrou nas mesmas condições os asilos de caridade que cuidam de pessoas carentes, e os que são empresas especializadas em faturar em cima da dor e do abandono.
Coloco aqui a minha opinião pessoal, não estou autorizado pela SSVP para escrever em seu nome, mas ela deveria transferir para os órgãos públicos todas suas casas de acolhimento, isto é, os asilos, que a justiça faz questão que sejam chamadas de LARES. É revoltante ver uma diretoria voluntária ser refém de um poder Executivo que contribui com uma esmola, de uma Promotoria do Idoso que enxerga apenas os artigos frios das leis, dos Assistentes Sociais que só enxergam com os olhos dos estatutos, e nunca colocam a caridade como termômetro para se acolher alguém que precisa de proteção.
E o que é pior, quando a Promotoria e a Assistência Social obrigam uma Instituição de caridade acolher um idoso que está sendo maltratado no seu lar, essas mesmas autoridades não obrigam os agressores a contribuir com alguma coisa para o seu sustento. E nem se dão ao trabalho de verificar que, de cada dez idosos que chegam ao asilo, oito vem com um empréstimo na aposentadoria, feita pelo mesmo sacana que o agrediu, simplesmente tiram um "fardo” das costas de um filho ou de uma família marginal, e colocam na de pessoas voluntárias que são obrigadas a obedecer.
Eu poderia escrever dias a fio, mas vou parar por aqui, na minha modesta opinião, consegui retratar o JEITO DE VIVER DO IDOSO BRASILEIRO






3 comentários:

  1. Olá, Geraldo!

    Que triste e dura realidade, que você descreve em seu texto. Idoso é considerado "lixo", portanto "hiberne" no quartinho, bem pequenino, dos fundos.
    E esses filhos/as falam de Deus e da igreja que frequentam. O k lhes é lá ensinado, lá
    Em Portugal, há um provérbio k diz: pai e mãe têm uma peneira, um véu bem opaco, pra você entender, k não deixa ver as incorreções e defeitos dos filhos. O Sr. Manoel e a D. Maria são os protótipos dessa horrenda e interminável "novela".

    Bom fim de semana.

    Abraços.

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  2. Olá Geraldo! É realmente lamentável! A partir do nascimento a pessoa começa a pagar imposto até do ar que respira. Cresce, trabalha durante toda a sua vida enquanto pode, põe filho no, procura dar o melhor possível, e o resultado é um quartinho nos fundos, até o dia da visita dos bichinhos famintos, residentes na terra. Belo, profundo e pertinente texto para a atualidade.

    Abraços,

    Furtado.

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  3. Ah, Geraldo, eu tenho visto idosos serem tratados como cão sem dono, pois alguns cães são melhor tratados que certas pessoas. Os estatutos são frios feito por gente frias, que apenas criam e deixam ai bel prazer dos humanos(sic). Assim é a mulher neste país onde ainda vive sob uma ditadura masculina, os menores são lançados ás feras do cotidiano. O Estado lava as mãos.
    Se fizer uma pesquisa por este imenso Brasil vamos tomar um susto enorme com a condição de vida de nossos idosos. É possível até encontre alguns acorrentados.
    Seu grito tem eco amigo.
    Um abração.

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