23 de jan de 2015

O MUNDO PEDE SOCORRO.



O MUNDO PEDE SOCORRO.

Comecei escrevendo esse texto com o título a Invasão do Plástico, percebi que não teria sentido, seria necessário ficar preso a um só elemento que agride nossos olhos e a natureza, mas ela é agredida de várias maneiras e por todo tipo de lixo e entulho.
Esta idéia me veio à cabeça em uma manhã ensolarada durante a caminhada de todos os dias, quando resolvi fazer um trajeto diferente e caminhei em uma estrada de acesso à zona rural. Olhando para a paisagem percebi que é impossível andar um segundo sequer sem visualizar uma sacola de plástico, uma garrafa de um liquido qualquer, ou uma embalagem de vários produtos alimentícios ou de consumo diário, fazendo parte da natureza como uma praga maldita.
Pensei...
Se eu escrevesse sobre a invasão do plástico teria que escrever sobre as outras invasões, a do papel, do vidro, da lata, do entulho, enfim, de todos os lixos e detritos que os herdeiros da terra produzem e deixam espalhados pelos quatro cantos da obra ex-obra prima de Deus.
Plástico não anda.
Lixo doméstico não caminha sozinho.
Entulho não voa.
Moveis abandonados nas calçadas também não voam
Se não existe invasão, qual seria o termo correto?
Abandono do lixo?
Não!
Só se abandona aquilo ou alguém que um dia teve serventia.
Então, o que mais está causando tanto dano e matando o planeta?
Poderíamos enumerar inúmeras causas, vou me ater a algumas.
Falta de compromisso com o mundo em que vivemos.
Falta de educação ecológica das pessoas de todas as classes sociais.
Ganancia da indústria de especulação imobiliária.
Insensibilidade corrupção da maioria dos nossos políticos.
Esta sem dúvida a mais plausível das causas.
É não pensar no futuro da humanidade.
Não nos preocupando se os nossos filhos irão conhecer uma árvore de verdade, um animal em seu habitat natural, um rio de águas claras, ou mesmo um simples riacho.
Pergunte aos garotos das grandes cidades se eles já correram atrás de uma galinha, para ser o prato principal do almoço em família?
Se nadaram em um rio de verdade, isto é, sem poluição e podridão?
Se já chuparam uma laranja, conversando com os amigos debaixo do pé?
Se beberam leite ao pé da vaca, a não ser nestes restaurantes de beira de estrada?
Se nunca viram um bacana parar um carro de luxo e alguém descer e jogar um saco de lixo no leito do “rio” que só carrega esgoto?
Quanto mais consumo, mais lixo.
Então quem polui não é somente pobre e morador da periferia.
Pneu é lixo de pobre?
Caixa vazia de produtos importados é lixo de pobre?
Sacolas de grandes lojas de grife é lixo de pobre?
Os lotes vagos sem muros cheios de entulho e tantos bichos peçonhentos, são propriedades dos pobres?
O esgoto industrial jogado na natureza todos os dias, é gerado por uma empresa de pobre?
Então quem é o responsável pela grande lixeira que se transformou o mundo?
Que a tecnologia veio para facilitar a vida do ser humano não resta menor dúvida.
Que a população dos países pobres não estava, e não estão preparadas para se inserir no mundo da modernidade tecnológica também é uma grande verdade.
Não resta a menor dúvida...
Que as benditas ou malditas garrafas e sacolas de plásticos vieram para melhorar a vida das pessoas. Que elas não foram fabricadas para serem jogadas nas ruas e nos leitos de córregos, rios e lagoas, também é inquestionável.
Então o que fazer?
Simples: cuidar do mundo.
Não ficar gastando água lavando carro todos os dias com a torneira aberta.
Parar de usar a mangueira como vassoura para limpar quintais e calçadas.
Limpar a frente das nossas casas.
Desobstruir a boca de lobo da esquina da nossa casa.
Não jogar lixo na rua, nos córregos, rios e lagoas.
Denunciar quem joga entulho e lixo no lote vago, ou mesmo conversar com a pessoa que está agindo assim.
Fazer um campinho de futebol em todo lote vago perto da sua casa, para uma divertida pelada e quando o dono aparecer, ter a coragem de dizer a ele que só vão parar quando ele murar o lote.
Políticos preocupam com o lixo?
Não votar ou reeleger políticos que não se preocupam com a limpeza da cidade.
Coisas simples.
Que só se aprende no dia-a-dia.
Que devemos ensinar para nossos filhos.
Exigir que as escolas promovam ações sobre esse tema várias vezes por ano.
Poucas são as cidades onde o lixo é tratado como devia, lixões a céu aberto servem de moradia para ratos e outros bichos, além de ser local de trabalho para os excluídos da sociedade.
Quantas cidades fazem coleta seletiva do lixo?
Onde existem, todos os moradores o separam?
Quanto lixo é espalhado pelas ruas, pelos próprios garis que precisam correr como loucos para dar conta de recolher o que foi acumulado nos dias anteriores.
Quem coloca o lixo para fora no dia da coleta?
Isto é problema de educação.
Mas precisa começar um dia.
Tenho cinqüenta e seis anos e a minha cidade deixou de ser um paraíso ecológico para se transformar um uma lixeira gigante, o rio que antes era a alegria das lavadeiras, das crianças e dos pescadores, hoje carrega a indiferença de todos nós, que direta ou indiretamente fomos responsáveis pela sua degradação.
Dizem que é o progresso...
Será que o relógio vai ter que voltar no tempo?
Ou o futuro precisa ser construído com mais responsabilidade?

Um comentário:

  1. Amigo uma coisa é certa, esquecemos a educação de nossa gente, ficamos de mãos atadas assistindo a degradação, que agora chegou ao insuportável, ao critico.
    Os rios, riachos,córregos que ainda circulam pelas grandes cidades, viraram um verdadeiro transportador de coisas dos humanos irresponsáveis e mal educados.
    Dá uma vergonha ver o descarte destes rios ao mar.
    Acho que ainda dá para se fazer alguma coisa, mas é preciso uma ação conjunta dos governantes e sociedade organizada.
    Os prédios de edifícios não reciclam, não selecionam, as pessoas descartam lixo a bel prazer.
    As coletas são precárias e assim convivemos com um lixão urbano.
    Salvador está para aplicar as multas em que descarta erroneamente o lixo, mas ninguém crê na eficiência da aplicação da lei, bem com a fiscalização.

    Bela postagem amigo, que deveria circular pelas escolas.
    Que tal?

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