17 de abr de 2014

ESCRAVOS DA PRODUÇÃO

ISTO É UMA LINHA DE PRODUÇÃO













Tenho conversado e recebido mensagens de funcionários de grandes empresas e de mega instituições que precisam gerar cada vez mais lucro para seus acionistas. Sem medo de errar, posso afirmar que estamos diante de uma escravidão da era moderna, da tecnologia e do progresso.
Empresas que se instalam em uma determinada região, empregam milhares de trabalhadores com salários acima da média das outras empresas, e assim, transformam seus colaboradores em escravos da modernidade.
No começo, o novo funcionário parece estar vivendo um sonho, afinal, está trabalhando na maior empresa da região, um emprego almejado pela maioria das pessoas.
As empresas oferecem transporte gratuito.
Alimentação.
Cesta básica.
Patrocina festa para os familiares, sorteios de brindes para seus “colaboradores”.
Plano de saúde.
Disponibiliza meios de lazer para toda a família, onde o empregado passa seu final de semana, ou seu dia de folga, conversando com seus colegas, e quase sempre o assunto é trabalho, e todos respiram ares da empresa vinte quatro horas por dia.
Algumas empresas, na hora de aumentar seu quadro, disponibilizam Cartas de Apresentação para que seus funcionários possam indicar um parente ou amigo para ocuparem as vagas.
É comum vermos várias pessoas da mesma família, trabalhando na empresa. E assim os elos das correntes imaginárias vão sendo trançados com o comprometimento dos que foram indicados. O novo funcionário já entra sabendo que não pode “pisar na bola”, para não comprometer quem o indicou. 
E quando isso acontece, dependendo da gravidade da falta, os dois são demitidos.
Um funcionário de linha de produção que fica anos e anos executando a mesma tarefa, como se fosse um robô, se não tiver conseguido fazer um pé de meia, quando perder o emprego as portas do mercado de trabalho estarão fechadas para ele.
Com o passar dos anos, com um poder aquisitivo acima da média local, e sem perspectiva de mercado lá fora, o medo de perder o emprego é tanto, que muitos descarregam na própria família a insatisfação causada pelo cansaço mental de tanto ouvir que é preciso produzir sempre mais.
Mesmo assim, já foi criado um vinculo entre a família e a empresa, e é sabido que, quando algum trabalhador se sentia cansado e pensava em pedir demissão, teve que enfrentar a fúria de esposa e filhos com medo de perderem os benefícios.
Não raro, ouvimos noticias de brigas e até rompimento de relações, e houve até relato de suicídio de pessoa que se sentiu no vazio, ao ser demitido depois de mais de vinte anos de serviço prestado.
Isso é real.
E muito mais comum do que as pessoas imaginam.
Funcionários de grandes empresas são apenas números de crachás, as instituições são criadas para gerarem lucros para seus acionistas.
Quem não mais produz tem que ser descartado.
Os jovens de hoje não estão sendo preparados para ocupar cargos neste mundo competitivo, são preparados para lutarem por uma posição de destaque, e muitas vezes, não importa os meios que serão utilizados para se conseguir o tão almejado cargo.
É preciso vencer. 

Um comentário:

  1. Texto, impecavelmente, escrito, e impregnado de VERDADE e LUCIDEZ.

    Ocultei meus dois blogs, temporariamente, por questões profissionais, e também não estou deixando comentários.

    DOCE E REDENTORA PÁSCOA!

    Beijos, carinhosamente.

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